domingo, 31 de outubro de 2010

UM DIA MARAVILHOSO NAS PRAIAS DO CEARÁ


Canoa Quebrada
Se fôssemos escolher uma única palavra para definir as praias do litoral leste do Ceará, escolheríamos esta: imensidão. As praias do Ceará parecem não ter fim, quilômetros e quilômetros de areia branca e mar verdinho se sucedem, ora pontuados por falésias, ora por dunas de areia, ora por enormes restaurantes na orla, que os cearenses singelamente chamam de "barracas". Mas não é só o tamanho que define as praias do estado; a beleza também é absolutamente estonteante, principalmente sob o sol que invariavelmente inunda toda a paisagem cearense.

Nosso passeio pelas praias ao leste de Fortaleza só durou um dia - um longo e intenso dia, das 8:30 da manhã até às 7 da noite - e deixou um gostinho de quero mais! As praias são tão lindas e o cenário tão variado, que pretendemos voltar lá um dia para curtir tudo isso com mais calma. Contratamos nosso tour com a Age Turismo, a agência indicada pelo Beach Park (http://www.ageturismo.com.br/), que foi muito pontual, competente e confiável. Temos certeza de que há várias outras agências em Fortaleza que fazem essse tour, portanto é só procurar.

Falésias de Morro Branco
O roteiro que fizemos incluia 3 praias: Morro Branco em Beberibe, Praia das Fontes e Canoa Quebrada (leia mais sobre o lugar nas reportagens:  http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u591164.shtml e http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=606681). Pelo que nosso motorista nos informou, o tour da CVC leva diretamente a Canoa, que, na nossa opinião, é a menos interessante das 3 praias (já já vamos dizer por que!) Portanto, se você quiser conhecer as demais praias, terá que usar uma das agências locais. É bom lembrar que todas as praias são distantes entre si, pois como dissemos o Ceará é imenso. Para ter uma ideia, Beberibe fica a cerca de 1 hora do Beach Park, e para chegar a Canoa, se for direto numa esticada só, demora 2:30 horas. Portanto, esse passeio que fizemos foi bem cansativo, e se tivéssemos oportunidade dividiríamos em 2, visitando Morro Branco e Praia das Fontes num dia, e Canoa no outro dia.

O motorista nos pegou no hotel às 8:30 da manhã, e seguimos para o posto de gasolina em Beberibe que serve de ponto de encontro e embarque nos bugues da Associação dos Buggys do Litoral Leste. O bugueiro nos deixou no alto das falésias do Morro Branco, para uma curta e linda caminhada pelos "canions" formados pelas areias coloridas, até a praia, onde nosso bugueiro estaria nos esperando. No início da caminhada, há um centrinho com pequenas lojas de artesanato. Algumas das peças feitas com a areia colorida típica do Ceará que encontramos aqui, não conseguimos mais achar em outros locais. Então, se você quiser comprar alguma lembrança, não deixe para depois, mesmo porque os vendedores levam suas compras até a praia, então você não precisa ficar carregando o que comprou.

No centrinho, você pode contratar um guia mirim, que o guiará através das falésias e explicará vários detalhes sobre a curiosa formação, falando um pouco sobre a vegetação, sobre o porque das areias serem coloridas, e até sobre o "Beach Park de pobre"... Os guias prestam serviço gratuitamente, e você é quem decide, ao final do passeio, quanto pagar a eles. Os meninos são bem treinados e versados, e apesar do caminho ser na verdade bem fácil de encontrar, achamos bom ter contratado um guia mirim.

Quanto às falésias em si, a paisagem é absolutamente estonteante. As areias coloridas, mais para o vermelho, em contraste com o mar verdinho ao fundo, salpicadas de mandacarus e outros cactos, formam uma imagem que é difícil esquecer... Pena que a descida acaba rapidinho - dura cerca de 20 minutos. Leve uma garrafa de água porque o sol é escaldante. Chegando à praia, seu buggy e mais 350 outros estarão esperando os respectivos passageiros, então certifique-se de decorar o nome e o rosto do seu motorista para não ter que ficar procurando!

Em seguida andamos um longo trecho pelas praias - Morro Branco primeiro, e em seguida a Praia das Fontes. As tais "fontes" são três bicas de água potável que são chamadas de fonte da juventude. Pra dizer a verdade, achamos meio sem graça, então não paramos nas fontes. Agora o restante da paisagem das praias é de tirar o fôlego! Distâncias enormes e desertas que só podem mesmo ser cobertas com um veículo, e uma sucessão de dunas e falésias aparentemente sem fim. Tivemos a sensação de que esse trecho onde os buggys são permitidos não é seguro para banho devido ao tráfego constante de veículos.

Lagoa de Uruaú
Depois de percorrer ambas as praias, o buggy entrou por um atalho e chegamos a uma área repleta de dunas de areia branca, em meio às quais fica a lagoa de Uruaú. Pertinho dali, há um lugar para praticar "esqui-bunda" na areia, mas, onde antigamente (de acordo com amigos nossos) havia um laguinho onde os "esquiadores" aterrissavam, hoje só ficou um fundo de areia seca. Portanto, o esqui-bunda de Uruaú não é mais o mesmo de antigamente! Como tínhamos um longo dia pela frente, dispensamos o esqui bunda e fomos direto para a lagoa. Demos um mergulho na água gelada, tomamos uma cerveja no barzinho que fica na margem, e pé na estrada de novo.

Uma palavra sobre os buggys: todos já ouviram falar sobre o perigo de se andar de buggy, seja no Ceará, seja em Natal, ou em outros lugares. De tempos em tempos ouve-se falar de acidentes com o veículo, alguns até fatais. No Ceará, esses acidentes são mais comuns na praia de Cumbuco, onde os passeios de buggy são feitos nos mesmos moldes de Natal (com "emoção"). No nosso passeio, pedimos para o motorista que dirigisse com cuidado, e a maior parte do tempo nosso filho passou sentado no banco do bugggy, ao invés de sentar na parte traseira, onde vão a maioria dos turistas. Se o condutor for cuidadoso, não há muito perigo em adultos andarem na parte superior, desde que se segurem o tempo todo. As crianças não devem sentar-se aí se o percurso for acidentado.

Contrate sempre um bugueiro filiado às associações, que supostamente são treinados e mais cautelosos. No percurso de Morro Branco e Praia das Fontes não há subidas nem descidas íngremes, e os bugueiros não fazem manobras radicais como em Cumbuco. De qualquer modo, se você achar inseguro ou que não vai se sentir bem, dispense o buggy. Nosso motorista disse que, se você alugar um carro ou contratar um motorista, é possível ir "pingando" de praia em praia e visitar todos os locais descritos aqui.

No final de nossa volta de buggy, reencontramos o motorista da agência mais à frente na estrada, e continuamos nosso caminho em direção a Canoa Quebrada. Dentro de uma hora, aproximadamente, chegamos à famosa cidade. Fomos recepcionados por ruas estreitas, construções aglutinadas e sem acabamento, em meio a outras coloridas e charmosas. Em todos os lugares, evidências de que o poder público não está conseguindo conter ou regular de alguma maneira as construções da cidade. Fizemos até uma pequena parada no centrinho (na rua conhecida como "Broadway"), para tentar comprar alguma lembrança para nossos familiares, mas na cidade praticamente não há artesanato autêntico.

"Barracas" de praia com até
três andares e dezenas de mesas
Depois de atravessar esse labirinto de ruazinhas, chegamos à praia propriamente dita. A chegada a Canoa é feita pelo alto, e a vista é maravilhosa. A praia, como as demais, é enorme, larga, com uma grande faixa de areia. Desde o primeiro momento pudemos ver que o lugar ferve: sobre nossas cabeças, parapentes passavam lançando sombras no chão; ao longe, inúmeras jangadas com as velas infladas atravessavam a água; debaixo de nós, subia um burburinho de música e vozes das imensas barracas de praia com dezenas de mesas; vendedores com seus mostruários e jegues atravessavam a areia de um lado para o outro apregoando mercadorias. Apesar de tão cheia de gente e de atividades, em Canoa você não tem a sensação de estar numa praia lotada, pois ela é simplesmente gigantesca.

Descemos a escadaria até a areia, onde almoçamos numa das barracas e ficamos curtindo a praia, cujas águas são mornas e mais mansas do que as outras praias do Ceará que frequentamos. O almoço estava muito bom (peixe frito), e a praia é realmente muito bonita, com seu mar esverdeado e as falésias avermelhadas elevando-se às nossas costas. No entanto, sentados na areia de Canoa Quebrada, observando o vaivem de turistas, vendedores e jegues, ouvindo várias músicas diferentes disputando o espaço aéreo, e vendo uma quantidade insana de barracas de praia enormes (até 3 andares) cobrindo as lindas falésias, não conseguimos deixar de pensar em... Porto Seguro!

Não que Canoa não tenha seus méritos e sua beleza, mas saímos de lá com a sensação de que o excesso de exploração e a falta de regulamentação pelo governo estão começando a ameaçar a autenticidade e a beleza do lugar. Os rumores de que a CVC vai começar a usar o aeroporto local para levar fretamentos a Canoa também ajuda a reforçar essa impressão. Talvez daqui a alguns anos essa seja a Porto Seguro do Ceará! Enquanto isso não acontece, corra para lá - ainda dá tempo de ver um pouco da beleza que fez essa praia ficar tão famosa.

Uma observação importante: se na sua família tem alguém com dificuldade de locomoção, enfrentará um certo problema em Canoa, pois o acesso à praia é feito por uma longa escadaria de madeira, que depois vocês terão que subir de volta na saída.

No fim da tarde, depois de curtir um pouco de sol e mar, nosso motorista nos levou de volta para o hotel. Na estrada que leva a Canoa, há um centro de artesanato que vende basicamente as famosas rendas do Ceará (vale a visita) e uma série de engenhos de rapadura, onde você pode parar para comprar o doce típico da região.

Esse passeio que fizemos foi cansativo, mas muito bom para termos um panorama de tudo que o Ceará tem de mais bonito. Mas pelo que ouvimos dizer, dá para ficar na região por pelo menos uma semana e não ter que repetir nenhuma praia... um ótimo plano para nossa próxima viagem a Fortaleza!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PORTOS DO ALASCA: SKAGWAY, SITKA E ANCHORAGE

Por M.C.Carvalho
Fotos J.A.Carvalho


Skagway: cidadezinha estranhamente
parecida com a Disney...



Hoje publicamos o último post sobre essa incrível viagem ao Alasca. Você vai conhecer os demais portos de parada do cruzeiro: Skagway, Sitka e Seward (próximo a Achorage). Veja todas as dicas do que fazer em cada um deles!

Skagway:

Era ainda madrugada quando aportamos nesta cidade de 800 habitantes ao norte da Inside Passage. Skagway é conhecida como a porta de entrada para o Yukon, no Canadá, onde foram descobertas grandes quantidades de ouro no final do século XIX e para onde fluíram exploradores em busca de fortuna no local que ficou conhecido como o Vale do Klondike. O ouro estava distante, neste vale acima das montanhas e muitos pereceram tentando chegar até lá. Hoje, uma estrada de ferro construída em 1898, e preservada, parte do porto bem na frente do seu navio e leva turistas para conhecer o percurso original com sua vista deslumbrante (a estrada de ferro em apenas 20 milhas ou 32 km sobe cerca de 1000 m de altitude, um feito de engenharia para a época). No menu de excursões da Regent há duas opções que incluem o passeio ferroviário – a excursão de ida e volta no trem que chega até o topo do White Pass e retorna, e a excursão que vai de trem, chega ao White Pass, cruza a fronteira com o Canadá e de ônibus segue até a ponte suspensa de Yukon, onde você desembarca e se aventura pela ponte e o centro de visitantes e depois continua para Skagway em ônibus por um percurso distinto. Esta segunda opção implica passaporte com visto para o Canadá.

Depois de muita discussão familiar, acabamos não fazendo nenhuma das duas, mas lamentamos nossa escolha posteriormente em conversas com outros passageiros. Ficou claro que era mesmo uma excelente opção para este porto, até porque ambas retornam com tempo suficiente para se fazer bastante coisa na cidade. De qualquer forma, estávamos procurando por uma atividade mais aeróbica e escolhemos o passeio de bicicleta pela cidade morta de Dyea. Dyea, assim como Skagaway , era ponto de partida dos exploradores, mas acabou preterida por Skagway e desapareceu do mapa. O passeio de bicicleta de aproximadamente 8 km leva você por trilhas na floresta, beirando o mar e por áreas com vestígios da então cidade. O guia para constantemente para dar explicações, e o passeio acabou por não ser assim tão aeróbico, mas muito cênico e agradável (a bicicleta e todo o equipamento de segurança são providenciados e as crianças precisam ter um mínimo de 1,37 m de altura).

Na volta ainda deu tempo de lanchar na cidadezinha, que mais parece um trecho de Main Street, USA no Magic Kingdom da Disney em Orlando, para quem já foi. Ruazinhas e ruazinhas com casas e lojas com frentes de madeira pintadas em mil cores. O excelente café da ferrovia White Pass & Yukon Route oferece cappuccinos e rosquinhas; para um lanche mais completo o Red Onion Saloon provê a atmosfera turística reminiscente dos antigos saloons. Há walk tours oferecidos pela Regent para explorar a pé a cidadezinha e conhecer seus marcos e prédios históricos.

Peneirando ouro (de verdade!)
em Skagway
Fizemos também o passeio do Klondike Gold Mining, uma pequena excursão de van até uma área ao norte da cidade onde existe uma réplica de uma máquina (gold dredge) usada para extrair pedras dos rios onde posteriormente se peneirava ouro. A instalação lembra uma atração de parque temático, com monitores vestidos a caráter e instalações montadas para recriar o clima da exploração do ouro nos idos de 1898. Ao final, cada convidado recebe uma bateia com pedriscos e águaonde – após uma orientação dos monitores – se prospecta ouro (que obviamente havia sido previamente colocado em cada uma em pequenas quantidades). Pequenos vasilhames são distribuídos para que cada um coloque o ouro obtido – as quantidades variam de acordo com a habilidade. Nós conseguimos 2,4 g de ouro, o recorde do grupo foi 3,1g. O ouro é pesado e valorizado. Nossas parcas 2,4 g valiam aproximadamente R$ 30 para deleite das crianças. O ouro porém não pode ser vendido ali (há restrições para o comércio do ouro), você o traz de volta para o Brasil como souvenir. Tudo soa muito turístico demais, e mesmo com todas as explicações em inglês, para espanto geral, meu garoto de 8 anos adorou.

Outras opções oferecidas pela Regent neste porto incluem escaladas em rocha, passeios de helicóptero, roteiros de arborismo/tirolesa erafting.

Sitka:

A antiga capital do Alasca nos decepcionou à primeira vista. Nada das casinhas coloridas dos portos anteriores. Uma cidade cinza e deserta. Soubemos depois que vários negócios vinham sendo descontinuados na cidade, que tem sido preterida dos roteiros dos grandes cruzeiros. Visitamos a catedral e suas torres típicas das construções russas e ficamos a espera dos passeios no porto (que não doca os grandes navios, que ficam ancorados ao largo – todo transporte é feito nos tenders, os barcos salva-vidas dos cruzeiros).

Sitka Sound
No momento em que embarcamos para os passeios no Sitka Sound, a área de baías e ilhotas ao redor da cidade, a impressão inicial se foi. A beleza natural da área é incomparável, a vida animal riquíssima. Em nosso pequeno barco da excursão chamada “Captain’s Choice”, uma tripulação de biólogos marinhos e um capitão/professor aposentado de história. Binóculos a mão e logo na saída uma baleia cinza, rara, nadando paralela à embarcação. Depois vieram as baleias jubarte, as lontras (dezenas delas em bandos), os leões marinhos, as focas, as águias, os salmões pulando. O barco ancora então numa praia isolada, toda de pedra cinza, permitindo que cada um explore a área a gosto. O biólogo aponta um ninho com águias –bebês. Sentados em uma rocha avistamos submersos estrelas do mar, kelps, pepinos do mar, que um a um são trazidos com cuidado a superfície pelo biólogo para serem observados. Um passeio curto pela floresta revela uma vegetação rica e explicações sobre os hábitos dos ursos e outros animais que vivem por aqui. Na volta, uma paisagem deslumbrante, montanhas, glaciares, ilhas e mais ilhas remotas.

Enquanto isso, a outra metade da família se aventurava num passeio de kayak pelos canais internos da baía, passeio que rendeu a observação de uma família de ursos se alimentando na praia. Fomos novamente premiados com um lindo dia de sol e ficamos com muito gosto de quero mais e a promessa de voltar. No momento em que o cruzeiro zarpava, o Monte Edgecombe, um magnífico vulcão a apenas 30 km do centro de Sitka, tornou-se visível, assim como o pico nevado das montanhas que abraçam a cidade.

Aqui a Regent também oferece um leque de opções como a visita ao Raptor Center , um centro de proteção às águias, rafting, passeios a pé, de bicicleta e de veículos off-road.

Anchorage (Seward):

Glaciar Hubbard
Saindo de Sitka temos pela frente um dia inteiro de navegação que começa com o grandioso Glaciar Hubbard. O navio começa a navegar na direção do Hubbard bem cedo pela manhã e o vento parece que vai carregar os hóspedes amontoados no deque superior. O glaciar estava em grande atividade, sons agudos como tiros de canhão anunciavam mais uma parede mergulhando em direção às águas geladas. Com grande habilidade o capitão aproxima o Seven Seas Navigator do glaciar permitindo inúmeras oportunidades fotográficas.

No dia seguinte chegamos ao destino final, Seward. Apesar de parecer charmosa, não ficamos para conhecê-la, desembarcando e partindo logo ao amanhecer para Anchorage no “Grand Train View”. A Regent oferece esse translado cênico a Anchorage por uma tarifa extra, mas que recomendamos. Além do visual, o trem é muito confortável e oferece uma oportunidade para as crianças experimentarem um pouco deste meio de transporte tão interessante: há serviço de café e almoço, no próprio assento ou no “carro-restaurante”. Chegando em Anchorage, os procedimentos são minuciosos: para os que escolhem partir de avião no mesmo dia, a Regent oferece um lounge no aeroporto e assistência para o embarque. Para aqueles cujo voo parte à noite, o lounge é montado no Hotel Hilton em Anchorage, onde também ficam hospedados os passageiros que optarem por uma das excursões pós-cruzeiro ou que simplesmente, como nós, optaram por desfrutar de alguns dias nesta que é a maior cidade do estado.

Urso em Silver Salmon river
Importante ressaltar que Anchorage é uma cidade pacata e “industrial”, sem paisagens deslumbrantes na região central. De qualquer forma, é ponto de partida para várias excursões, desde passeios de um dia, até programas mais longos ao Denali e Fairbanks. Nós escolhemos um passeio de observação de ursos em Silver Salmon Creek, dentro da área do Lake Clarke National Park a uma hora de voo de Anchorage. O avião parte de Anchorage e pousa em uma praia remota onde um quadriciclo nos esperava para percorrer a área costeira onde vivem aproximadamente trinta ursos “Brown Bears”.

Durante o restante da nossa estadia em Anchorage aproveitamos para fazer uma visita ao museu local, que além de excelente mostra de arte e história do Alasca, ainda oferece uma área interativa de ciências muito interessante.


Família Recomenda: foi realmente um relato sensacional, de uma viagem maravilhosa! Esperamos que tenha ajudado quem pensa um dia em ir para o Alasca com suas dicas práticas e precisas. E esperamos que tenha ajudado quem não pensa em ir para lá, a se transportar e fazer uma viagem virtual sem sair do sofá!



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

DIVERSÃO GARANTIDA: BEACH PARK FORTALEZA


O Beach Park é um destino amplamente divulgado, todo mundo já ouviu falar, todos sabem tratar-se de um parque aquático em Fortaleza, muitos já estiveram na praia em frente ao parque, alguns já foram ao parque aquático propriamente dito, etc, etc. Mas, estranhamente, não encontramos ninguém, entre nossos conhecidos, que já tenha ficado hospedado em um de seus hotéis.

Nossa experiência anterior no Wet´n´Wild de São Paulo havia nos deixado na defensiva quanto a qualquer parque aquático no Brasil. O Wet´n´Wild é tão ruim, que deveria se envergonhar de carregar a bandeira da famosa rede norte-americana... Portanto, em resumo, não esperávamos mais do que um pouco de distração e umas três ou quatro escorregadelas nos brinquedos do Beach Park. No final das contas, descobrimos que não podíamos estar mais enganados! O complexo em geral superou todas as nossas expectativas, desde o restaurante do hotel até o brinquedo mais concorrido do parque. Contamos agora um pouco sobre cada aspecto do resort que nos agradou (e só um pouquinho do que nos desagradou também).

O Acqua Resort

Piscina do Acqua Resort
O Beach Park tem, atualmente, dois hotéis em funcionamento. Ambos estão de frente para a praia, um de cada lado do parque aquático, com acesso fácil ao mesmo. Dedicamo-nos à tarefa de escolher um dos dois, e, pesquisando na internet, descobrimos que o Acqua Resort é novíssimo em folha, foi inaugurado há cerca de 1 ano, além de ter várias unidades tipo "suíte", que acomodaria nossa família. O outro hotel, Suites, é bem mais antigo, e pelo que pudemos ver está sendo reformado (mas em funcionamento normal).

Ao chegar, pudemos confirmar tudo isso - o resort está estalando de novo, tudo muito limpo, bem projetado, bem distribuído e bem administrado. A suíte em que ficamos consistia de uma salinha, uma kitchenette (frigobar, pia, microondas, cooktop de 2 bocas), dois quartos e dois banheiros, acomodando facilmente até 4 adultos e 2 crianças. Nada mal!

Lá, você não vai encontrar o luxo de resorts mais "estrelados". As acomodações são boas e confortáveis, mas simples - no banheiro não há banheira, por exemplo. As piscinas e a área externa são satisfatórias, bem cuidadas, mas não têm paisagismo premiado nem megapiscinas e espelhos d´água a perder de vista. Nada disso. Se pudermos resumir em poucas palavras, o Acqua Resort é um hotel muito bom, mas um resort apenas mediano.

Os quartos dão vista para
o parque aquático
Isso se contarmos somente o hotel em si. Se levarmos em consideração que a estadia no hotel dá direito à entrada ilimitada no Beach Park durante todos os dias, aí a coisa muda de figura. Com certeza não há resort que faça frente a essa super vantagem: o maior parque aquático da América Latina a poucos passos do seu quarto de hotel. Melhor ainda: acordar todos os dias, abrir a janela, e dar de cara com o Ramubrinká, o maior brinquedo do Beach Park (nem todos os quartos dão vista para o parque). Além disso, o acesso ao parque aquático pode ser feito a pé (em cerca de 1 minuto), ou através do Aqua Link, um tipo de "lazy river" (rio artificial com correnteza) que circunda um dos blocos de apartamentos e desemboca em frente às catracas de acesso ao parque. Além usar o Aqua Link para ir ao parque, você pode simplesmente emprestar uma boia e ficar circulando na correnteza, dando voltas dentro do seu hotel. É uma excelente vantagem, porque o lazy river de dentro do Beach Park é lotado (mais detalhes sobre o parque abaixo).

O serviço no hotel é excelente, digno de qualquer resort de luxo. Pedidos especiais, como a solicitação de deixar o quarto um pouco mais tarde no check-out, foram prontamente atendidos. Todo o staff é atencioso e eficiente. Destaque especial para os salva-vidas, onipresentes em todas as piscinas e no Aqua Link. Nunca havíamos visto tantos salva-vidas em uma piscina de hotel! Outro serviço interessante oferecido são os traslados diários até Fortaleza. Não chegamos a usá-los, mas são feitos em horários variados, sendo o mais frequentado o que leva os hóspedes no final da tarde e retorna às 21:00. Os traslados são pagos à parte.

Os restaurantes

Por ser um hotel relativamente pequeno, o Acqua Resort tem apenas um restaurante que serve as três refeições do dia. Nosso pacote incluía pensão completa (mas não all inclusive, ou seja, fora das refeições o consumo tinha que ser pago à parte). No entanto, há pacotes que incluem só o café-da-manhã, mas esses sequer nos foram oferecidos como opção.

Boa variedade de frutas
Nossa expectativa com relação à comida era bem baixa, mas ficamos agradavelmente surpresos com o que encontramos. Estava longe de ser uma experiência gourmet, mas o restaurante oferecia comida honesta, bem preparada, com uma variedade surpreendente. O café-da-manhã era basicamente o mesmo todos os dias, com destaque para a tradicional estação de tapiocas (segundo nossos "experts" avaliadores de tapioca, não foi a melhor que comeram na vida), e para a variedade e qualidade das frutas oferecidas.

Considerando-se que os hóspedes comem todo santo dia no mesmo lugar, a cozinha procurava oferecer no almoço e jantar pratos variados todos os dias, tarefa nada simples, mas que o restaurante desempenhou com competência. Sempre havia opções de peixe, incluindo espécies como pargo e beijupirá, que mudavam todos os dias (a peixada cearense estava muito boa), bem como pratos variados: cordeiro, carne-de-sol, filé com molho, frango, strogonoff. Se sua preocupação são as crianças que não comem de tudo, as massas com molho à parte (para aquelas que só comem macarrão sem molho, o paraíso!) e os nuggets de frango eram oferecidos diariamente, além de uma opção de papinha diferente a cada dia para os bebês. As sobremesas eram boas mas não chegaram a arrancar suspiros - elegemos nosso favorito o pudim de leite.

Fora o restaurante do hotel, recebemos muitas recomendações para comer na "barraca de praia" do Beach Park. No Ceará, barraca de praia é um eufemismo para enormes restaurantes à beira-mar, alguns até com três andares e centenas de lugares! O do Beach Park fica na areia, quase exatamente em frente ao parque, e dando uma olhada no menu parecia realmente apetitoso - lagosta, caranguejo, camarão, peixadas...- apesar de um pouco caro. O maior problema é que as mesas ficam lotadas de gente bebericando uma cervejinha ou refrigerante, e as poucas pessoas que têm realmente intenção de comer acabam ficando sem lugar. Foi o que aconteceu conosco, e como estávamos de voo marcado de volta para casa, não pudemos ficar esperando vagar uma mesa. Assim, não chegamos a experimentar a lendária barraca do Beach Park!

Quanto a refeições dentro do Beach Park, vimos vários quiosques espalhados com comidinhas variadas - espetinho, sanduíche, pão-de-queijo, e até um restaurante por quilo. Obviamente na hora do almoço tudo fica lotado, com filas, mas nos horários alternativos não. Não chegamos a comer no parque, pois nosso hotel era muito perto e oferecia todas as refeições, mas pelo pouco que vimos os preços parecem bem caros, tanto do restaurante por quilo, quanto das bebidas (R$ 7,00 por um chopp de 500ml). Levando-se em consideração que você está dentro de um parque, é de se esperar que tudo seja mais caro. Uma sugestão é almoçar ou tomar um café bem reforçado antes de ir ao parque (afinal, ele só abre às 11 horas mesmo), assim você toma somente um lanche enquanto estiver lá dentro.

A praia

Praia: boa na maré baixa
Os hotéis do Beach Park são literalmente pé na areia. A praia é muito conhecida, tanto que muitas pessoas se deslocam de Fortaleza só para frequentá-la. É realmente uma praia boa, mas que fica realmente nota 10 só quando a maré está baixa. Na alta, apesar de muito bonita, a faixa de areia fica estreita, íngreme e fofa, dificultando até uma curta caminhada. As ondas ficam fortes e o mar "puxa" pra dentro, chegando até a derrubar as pessoas com a força do seu vaivem. Quando a maré baixa, a faixa de areia fica larga e plana, repleta de conchinhas que as crianças se divertem catando. As ondas perdem muito de sua força, permitindo um banho mais tranquilo e relaxante.

A praia se localiza exatamente em frente ao hotel. O acesso é feito por uma rampa que sai da área das piscinas, diretamente para a areia. Logo na descida da rampa, uma placa avisa que nem os passeios de buggy, nem caminhadas desacompanhadas na praia são recomendados. Isso porque a praia é pública, qualquer um pode acessá-la, portanto aparentemente não é tão segura quanto seria se fosse particular. No período em que estivemos lá, nunca presenciamos um incidente, nem nos sentimos inseguros ao frequentar a praia, mas considerando o nível de violência de Fortaleza, é bom ter cautela, não se afastando muito do hotel e do parque. Durante o dia (das 9 às 5), há um salva-vidas de plantão junto ao mar.

O parque

Insanamente inclinado
O Beach Park(http://www.beachpark.com.br/) propriamente dito é um capítulo à parte. Não esperávamos grande coisa, pois visitávamos em um feriado lotado. Pensamos: se embolsarmos umas três ou quatro descidas nos escorregadores por dia, já estaremos satisfeitos. Isso porque esperávamos hordas de pessoas e filas imensas nos brinquedos.

O parque estava realmente cheio, pululando de gente! Mesmo assim, a fila mais longa que enfrentamos foi de cerca de 20 minutos. Isso se deve a vários motivos. O principal é que os brinquedos são bem projetados: as escadarias levam a uma plataforma daonde se pode ter acesso a vários escorregadores - você escolhe por qual quer descer. Dessa forma, não há aquele gargalo em que as pessoas descem uma a uma, tendo que respeitar um intervalo entre uma e outra. A velocidade de vazão das pessoas é bem grande, diminuindo consideravelmente a espera. Em segundo lugar, o parque é GRANDE. Isso significa que há inúmeras opções para as pessoas escolherem, não aquela miséria de 3 ou 4 briquedos legais e um monte de atrações menores. Por isso, nenhum brinquedo fica mais lotado que os outros - a multidão fica bem distribuída por todas as atrações do parque.

Achamos o horário de funcionamento muito restrito: das 11 às 17. Isso significa que, no horário da abertura, já há uma multidão à espera, que se espalha rapidamente e lota imediatamente todos os brinquedos. Ainda bem que as filas andam, assim a espera não é longa! Observando o parque da janela de nosso quarto, percebemos que os funcionários chegam muito antes da abertura do parque (antes das 8), e saem bem depois do fechamento. Portanto, acreditamos que o horário restrito deve-se à necessidade de manter, limpar e arrumar o parque antes e depois do expediente, sem que o trabalho se estenda pela noite adentro.

Ramubrinká
O brinquedo que mais frequentamos foi o Ramubrinká, o maior brinquedo do parque. O acesso é feito por 2 escadas: com boia e sem boia. Sem boia você sobe mais alto, e embarca em um dos 4 escorregadores fechados que pareciam bem escuros (não chegamos a usá-los). A outra escada dá acesso aos 4 escorregadores para descer com boia. Um deles (preto-e-branco) é fechado e mais escuro que cabra-cega. Faz apenas curvas agradáveis e uma descida não muito radical, mas se suas crianças não gostam de escuro, não use este! O amarelo é o mais suave de todos, mas tem a desvantagem de não poder descer com boia de 2 pessoas, só de 1. Portanto, se escolher o amarelo cada um desce sozinho. O vermelho é o mais radical, terminando em uma descida mais longa e íngreme. E o laranja é intermediário, com curvas agradáveis e duas pequenas descidas em sequência no final.

Esfinge
O outro brinquedo que gostamos bastante foi a Moreia Negra: um escorregador também de boia dupla, mas fechado. Apesar do nome, não é tão escuro e nem radical - é muito divertido, apesar de curto. Também gostamos do Atlantis, um tobogã largo que descemos com uma grande boia tripla. A primeira descidinha é bem íngreme, o que pode assustar um pouco as crianças, mas no final é bem divertido. Além desses, os playgrounds infantis como a Ilha do Tesouro, Arca de Noé e Acqua Show são lugares onde as crianças podem ficar mais livres para brincar e os pais podem relaxar um pouco nas piscinas rasas desses playgrounds.

Maremoto
Presenças obrigatórias em qualquer parque aquático, no Beach Park também tem uma piscina de ondas enorme (Maremoto) e um lazy river absolutamente lotado (Correnteza Encantada).

Correnteza Encantada:
muito curta e cheia de
gente o dia todo.
O Beach Park é famoso, no entanto, pelos escorregadores radicais. Olhando de fora pudemos ver a velocidade a que as pessoas desciam e não era pequena! São quatro no total, o Sarcófago e 2 escorregadores da Esfinge (fechados) e o famosíssimo Insano, dito o mais radical da América do Sul, onde você pode chegar a mais de 100 km/h!

Agora, insana mesmo é a quantidade de salva-vidas que há no parque todo. Cada atração tem pelo menos 3 salva-vidas, que além de "salvar" as pessoas - literalmente, tirando da água os visitantes desorientados que acabaram de descer de um escorregador a 100 km/h - mantêm a ordem, a disciplina e a segurança. Não deixam as pessoas furarem fila, fazer manobras perigosas, entrarem em locais proibidos, entre outras coisas. Assim, apesar de muito cheio, não ocorriam incidentes ou discussões entre os visitantes.

Uma dica importante para frequentar o Beach Park, especialmente se você não for se hospedar nos hotéis do complexo, é evitar a qualquer custo a fila para pegar um armário. Essa fila era enorme e parecia se mover muito lentamente, fazendo as pessoas perderem muito tempo antes de começar a brincar, e de novo no final do dia para devolver a chave. Para não precisar do armário, use um short com bolsinho de zíper ou velcro, e coloque seu cartão de crédito lá dentro. De resto, leve apenas coisas sem valor. Se você deixar toalhas, chinelos e outras coisas de pouco valor nas cadeiras, ninguém mexe.

Se optar por guardar seus pertences, não esqueça de passar bastante protetor solar. Não guarde os chinelos no armário. O chão da maior parte do parque é de pedra, e esquenta tanto que dá pra fritar um ovo nele! Então imagine como seus pés vão ficar (fritos!) se você andar sem chinelos o dia todo. Toda vez que for subir para um escorregador, deixe os chinelos num cantinho e depois que descer passe para buscar.

Para fazer sua reserva

Quanto à reserva do Beach Park, no nosso caso, como pegamos as passagens pelas milhas, optamos por fazer a compra diretamente com o hotel. O atendimento, por email, foi eficiente e cortês, mas cuidado: para conseguir o mesmo preço que encontramos no site tivemos que pedir, pois a cotação enviada por email foi bem mais alta. A central de reservas nos indicou a Age Turismo (http://www.ageturismo.com.br/) para fazer os transfers hotel-aeroporto, e, apesar de um pouco caro, funcionou bem. Fechamos até um tour com a empresa e a pontualidade e atendimento foram muito bons.

Se não for por conta própria, os pacotes para lá podem ser uma boa opção. Quando chegamos ao aeroporto, havia um grupo bem grande da CVC se reunindo para pegar o ônibus em direção aos hoteis, então saiba que vai fazer parte de um grupo se reservar por essa agência. A vantagem é conveniência de não precisar procurar transfers e passeios, além do custo que normalmente é bem atrativo nos pacotes das grandes operadoras.

O Beach Park - o parque em si, bem como o hotel Acqua Resort - é um lugar muito divertido, que oferece opções para todas as idades, além de muito bem mantido e administrado. O fato do ingresso avulso custar mais de R$100,00, e mesmo assim o parque estar lotado até a tampa, é a prova de que, se o lugar é bom, o povo paga! Então, quando for planejar suas próximas férias, considere o Beach Park como opção. Além de brincar muito no parque aquático, você ainda pode fazer passeios lindos pelas praias do Ceará. Mas isso é assunto para um próximo post!


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PORTOS DO ALASCA: KETCHIKAN E JUNEAU

Por M.C.Carvalho
Fotos J.A.Carvalho


Conforme prometido, publicamos hoje a postagem sobre os 2 primeiros portos de parada (port-of-call) da viagem ao Alasca. A viagem iniciou-se no Canadá, onde embarcaram no navio rumo aos portos do Alasca. Depois da partida de Vancouver, o navio parou em Ketchikan e Juneau. Veja as dicas dos nossos amigos sobre o que fazer nesses lugares. Opções não faltam!

“Ports-of-call” e o que fazer em cada um deles.....

Ketchikan:

A acolhedora cidade de Ketchikan
Também conhecida como “porta de entrada do Alasca” ou capital mundial do salmão, Ketchikan é uma cidade pequena e acolhedora com uma multitude de boutiques vendendo praticamente tudo com Alasca escrito nele.

Acampamento Ketchikan
A principal atração da cidade, o salmão, pode ser visto pulando dos riachos entre final de agosto e meio de setembro e a pescaria é um dos passeios mais requisitados deste porto. Nós partimos em um barco de alumínio para pescar nos canais ao redor da ilha de Revillagigedo onde fica Ketchikan e depois fomos degustar nossos peixes em uma praia onde foram limpos e preparados em um rancho muito aconchegante.


Sobrevoando os Misty Fjords
 Outro passeio popular é o vôo de hidroavião pelos Misty Fjords (misty vem de neblina, há uma neblina permanente nos fiordes entre as montanhas). O hidroavião levou 12 passageiros para conhecer os fiordes, seus lagos, ilhas e cachoeiras de um verde exuberante, aterrissando em um lago gelado remoto e voltando ao píer depois de sobrevoar nosso navio. Ainda deu tempo para uma visita ao Discovery Center, onde painéis e objetos ilustram e explicam em detalhes a vida animal, o clima, a vegetação e o povo desta parte do mundo.

Outros passeios oferecidos pela Regent incluíam: voo de hidroavião para observação de ursos em Prince of Wales, vários tipos de city tour - com destaque para os que incluem visitas ao parque dos totens, o Lamberjack Show– show onde são demonstradas as habilidades dos lenhadores, que com enormes machados competem cortando imensas toras de madeira (não fomos, mas pelos comentários que colhi, o show parecia uma armadilha turística, se bem que a lojinha – acessível a todos, é bem interessante para presentear crianças com diversos artigos entalhados em madeira) e ainda vários passeios gastronômicos para degustação dos pratos típicos da região – salmão, halibut, king crab. Fora do menu da Regent há ainda arborismo/tirolesa na Alaska Canopy Forest e o passeio no Ketchikan Duck Tour – o ônibus/barco com similares que operam também em Londres e Washington D.C.

Seja lá qual for sua escolha, procure reservar um tempo para andar por Ketchikan, pois de todos os portos visitados, este é o melhor para as compras, não só da quinquilharia “made in Alaska” mas também de arte nativa Tinglit. E se você tiver um tempo antes de re-embarcar não deixe de provar o clam-chowder vendido em um pequeno quiosque na frente do porto (Alaskan Surf Fish & Chips). Esta sopa cremosa de marisco, bem apimentada, entra fervendo para esquentar seus pulmões ainda não aclimatados ao vento frio do Alasca.

Juneau:

Glaciar Medenhall, o mais visitado
do Alasca
A capital do Alasca é inacessível por terra uma vez que é rodeada de glaciares que impedem a construção de um sistema rodoviário. A capital vive do turismo, dos trabalhos relacionados ao governo e da pesca! O glaciar mais visitado de todo o Alasca fica aqui, uma vez que é um dos únicos acessíveis por terra e com um amplo centro de visitantes. Há várias maneiras de se visitar o Glaciar Mendenhall, além do ônibus que leva ao centro de visitantes, incluindo caminhadas, helicópteros, dogsledge , hidroavião.

Novamente, a dica é complementar o leque dos seus passeios; se você já andou de hidroavião em Ketchikan, pode descartar esta opção por aqui. As aventuras de helicóptero nos pareceram tentadoras a princípio, pois permitem andar pelo alto do glaciar e observar os centros de treinamento dos cachorros que fazem a famosa corrida anual IDITAROD. No entanto, necessitam de tempo imaculado para que o helicóptero tenha condições de pousar em segurança e muitas vezes são canceladas, além de terem um preço bem salgado, pois não são parte do menu de excursões gratuitas incluídas no pacote da Regent. Além disso, algumas delas tinham restrição de idade e não pareciam apropriadas para os mais novos. Assim, optamos por um passeio que incluísse o Glaciar Mendenhall e também a observação de baleias na baía de Auke.

Baleia Jubarte em Juneau
O passeio partiu do porto em ônibus até a marina da baía de Auke onde embarcamos em um grande zodiac (barco inflável coberto). O biólogo a bordo acompanha o passeio apontando as inúmeras baleias jubarte que vivem na região. Diz a lenda que se você embarcar neste passeio e não avistar uma jubarte, recebe $100. Pois é, isso não aconteceu conosco, avistamos inúmeras baleias, que apesar de não estarem breachingou pulando inteiras para fora da água, estavam nadando ao nosso redor todo o tempo. Como bônus, um dia lindíssimo (e raro) de céu azul, leões marinhos, montanhas e glaciares. Há responsabilidade ecológica no passeio: se a baleia reage de qualquer forma à presença do barco, partimos. Ficamos no máximo 15 minutos observando um mesmo animal e nunca a menos de 30 metros de distância.

Na volta, um lanche rápido e o ônibus nos deixa na entrada de uma trilha de terra batida de uns 2 km que leva ao Lago Mendenhall, em frente ao glaciar de mesmo nome. Na trilha, o biólogo discorre sobre a floresta nacional “Tongass”, seus exemplares mais distintos. Avistamos castores construindo um pequeno dique no riacho e chegamos ao ponto de observação do Glaciar Mendenhall e suas montanhas de gelo azuis.

Na volta ao navio ainda conseguimos subir no teleférico (tramway) de Mt. Roberts, cuja estação fica ao lado do píer. De cima dos seus 550 metros avista-se Juneau e os arredores. Há ainda trilhas e restaurantes: o site http://www.goldbelttours.com/mount-roberts-tramway oferece uma revisão das principais atrações.

Semana que vem não perca o último post com mais 3 portos de parada e a chegada a Anchorage!


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ALGUNS RESTAURANTES DE NY



Se você já leu o post "Congelando em NY", verá que esse novo post é uma extensão do que já havia sido publicado lá. A pedidos, elaboramos duas listas: uma de restaurantes que você pode visitar com as crianças, e outra de restaurantes mais voltados para gourmets e, obviamente, mais caros. Nesses, não é recomendável levar crianças, tanto pelo ambiente, quanto pela comida, que é estranha para os pequenos. Percebemos que NY é um destino aonde muitos pais e mães vão sem a família (a trabalho, por exemplo), por isso incluímos os restaurantes estrelados para quem quiser se dar um "presente" da próxima vez que estiver por lá.

Fomos conhecendo esses restaurantes aos poucos, ao longo de várias visitas a NY, em vários anos diferentes, em família e, mais frequentemente, a trabalho. Colocamos abaixo nossa opinião dos restaurantes na época em que visitamos, mas dê uma olhada no http://www.opentable.com/ (para ver opiniões e fazer reservas), ou no http://www.tripadvisor.com/, para saber o que o público está achando deles na época da sua viagem.

Para agradar adultos e crianças (e não só as crianças!):

1. Mickey Mantle´s (fechou): restaurante localizado em frente ao Central Park, ideal para você almoçar no dia em que for ao zoo ou ao Metropolitan. Tem comida bem variada - saladas, sanduíches, grelhados, massas - sempre muito bem feita, com um sotaque puxado para o italiano. Na decoração do restaurante há vários itens ligados ao baseball (Mickey Mantle é ex-jogador), que vão agradar os fãs do esporte. Em nossa última visita, a comida continuava igualmente boa, mas notamos que a decoração está começando a pedir por uma reforminha...
Atualização importante: de acordo com o nosso leitor Marcelo, o Mickey Mantle´s fechou ano passado.

2. Carmine´s ***** (http://www.carminesnyc.com/): fica pertinho da Times Square, na 44th Street. É um restaurante italiano excelente, enorme, vibrante, com atmosfera bem alegre e pratos muito bem servidos e muito bons. Calcule cerca de um prato para cada 2-3 pessoas, ou então você vai ter que levar comida para viagem! Chegue bem cedo para não enfrentar filas - se você chegar por volta das 20:00 pode esperar até mais de 1 hora para obter uma mesa. Atualização em 2011: agora o Carmine´s aceita reservas online, então não é mais preciso ficar esperando horas na fila. Faça a reserva antes de sair de casa!

3. Bubba Gump Shrimp Co ***(http://www.bubbagump.com/): também na Times Square, foi inspirado no filme Forrest Gump. Lá tem o famoso camarão empanado com coco ralado. Há também vários outros tipos de receitas de camarão, king crab, peixe, além de outros pratos para quem não curte frutos do mar. Nesse restaurante eles utilizavam aquele irritante artifício de deixar uma fila na porta enquanto há várias mesas vazias lá dentro (para o restaurante parecer cheio do lado de fora). No entanto, da última vez que estivemos lá, entramos direto sem a espera artificial - tempos de crise! Se for visitar em época cheia, faça uma reserva antes de ir.

O Michael Jordan fica
dentro da Grand Central
4. Michael Jordan ****(http://www.michaeljordansnyc.com/): o nome parece de restaurante temático de basquete (ou talvez golf?), mas não poderia estar mais longe da realidade. É um restaurante sóbrio e elegante dentro da Grand Central Station, e seu grande trunfo é servir carnes grelhadas suculentas. Os acompanhamentos são pedidos à parte, e a batata frita é uma das melhores que já experimentamos. Tem também boas opções de vinhos, com destaque para os norte-americanos. Não é um restaurante barato, mas quando bater aquela vontade de comer uma boa carne, saiba que em NY não é tão fácil de encontrar como seria de se esperar. Nessas horas, corra para o Michael Jordan!

5. Le Train Bleu ****: a decoração foi feita para parecer um carro-restaurante de trem antigo, o que, nem é preciso dizer, vai deixar as crianças pra lá de contentes. Pode parecer meio ridículo, mas quando você entra lá dentro essa impressão desvanece rapidamente, pois o restaurante é muito bonito. Por ficar dentro de uma das mais famosas lojas de departamentos do mundo, a Bloomingdale´s, não é um restaurante barato. Mas a comida é muito saborosa, bem servida, e, apesar de não ter menu infantil, tem opções que podem agradar aos pequenos.

6. Balthasar **** (http://www.balthasarny.com/): é um restaurante francês que fica no Soho, bem pertinho da Broadway, onde está concentrada a maioria das grandes lojas do bairro. Se você já esteve em Paris, vai se sentir transportado de volta no momento em que pisar aqui. A decoração é bem parisiense, e a comida não fica devendo nada. Ao contrário, pense no Balthasar como um francês com toques saudáveis e sem o mau humor dos garçons franceses... Não tem nada de especial para crianças, mas é muito adequado aos adultos. Tem pratos que podem ser pedidos para os pequenos também, e o ambiente é vibrante e barulhento. Como todo francês que se preze, tem contrafilé com fritas que podem agradar às crianças, e, sendo Estados Unidos, não poderia faltar o hambúrguer. Já os adultos podem se esbaldar com outras opções menos convencionais nos EUA (mas muito convencionais na França), como pratos de frutos do mar, uma deliciosa sopa de cebola gratinada, peixes grelhados e saladas diferentes. Chegue bem cedo (tipo meio-dia) porque a fila se forma cedo e permanece até tarde (bem depois das 3 da tarde).

Restaurantes para quando papai e mamãe derem uma "fugidinha"

Nova York é um verdadeiro paraíso para quem gosta de comer. Para quem gosta de quantidade com qualidade, as indicações acima são perfeitas. Agora para quem quer um pouco mais de elaboração (com um pouco menos de quantidade, é preciso dizer), tem inúmeras opções que não encontrará em outros lugares. Todos os restaurantes listados abaixo têm ambiente mais sóbrio, alguns têm mesas bem apertadinhas, e em qualquer um deles dificilmente você encontrará uma criança. Se papai e mamãe resolverem dar uma escapada de fim-de-semana prolongado para NY, ou naquela noite em que conseguirem uma baby-sitter, podem escolher um desses.

Vale um aviso antes de mais nada: conseguir uma reserva nesses restaurantes de última hora é quase impossível. Então, a não ser que você vá se hospedar nos hotéis chiques, onde o concierge consegue até uma entrevista com o Obama, faça sua reserva com exatamente um mês de antecedência. A maioria dos restaurantes está no http://www.opentable.com/. A reserva é gratuita e você ainda ganha pontos jantando nos restaurantes reservados através do site.

1. Per Se *******.... (quantas estrelas é o máximo mesmo??) (http://www.perseny.com/): provavelmente uma das 5 melhores refeições que você comerá na vida, a não ser que você seja um dos ricos e famosos do mundo. Como menos de 5% das pessoas se encaixam nessa categoria, nossa opinião se dirige aos outros 95%... O preço do Per Se é supercaro, e por um breve momento, antes de começar a comer, ficamos nos questionando se realmente valia a pena. Quando você se senta à mesa, tem apenas 2 opções de menu-degustação. Ou come aquilo, ou pode ir embora se quiser (não vá!). No momento em que o primeiro (mini) prato chega à mesa, começa uma refeição mágica que não durará menos de 3 horas. Uma sucessão de criações lindas, deliciosas, com sabores e ingredientes raros (e não necessariamente só caros), chegará à sua frente num serviço impecável, muito bem coreografado e, o que é uma raridade nesse tipo de restaurante, simpático.

Fora os pratos do menu, quando há uma demora um pouco maior entre um e outro, o chef envia para a mesa mimos como o cornette de salmão, petiscos, um docinho antes da sobremesa, um chocolatinho depois da sobremesa... E o melhor, apesar de serem pratos pequenos, são no mínimo 8, então você não sairá com fome, em hipótese alguma. Bom, se ficar com fome é só detonar o pacotinho de biscoitos que eles dão para você levar para casa, ao término de uma refeição perfeita!

2. Le Bernardin ***** (http://www.le-bernardin.com/): de todos os restaurantes gourmet que já visitamos em NY, o Le Bernardin ganha o prêmio de melhor custo-benefício. Não que o custo seja baixo. Ao contrário, é um restaurante bem caro, mas também não poderia ser diferente, com um menu-degustação que inclui delícias como caviar, foie-gras, vieiras, kobe beef... A especialidade do restaurante são os frutos do mar, mas no menu-degustação eles vêm intercalados de outros pratos também. Tudo fresco, delicioso, harmonioso, com um serviço muito cordial e eficiente. Já voltamos lá pelo menos 3 vezes e, a cada dia, o restaurante está melhor, se é que isto é possível. Se não conseguir uma reserva para o jantar, tente o almoço que, além de mais fácil, é mais em conta!

3. DB Bistro Moderne **** (http://www.dbbistro.com/nyc/): o DB é o restaurante "casual" do chef Daniel Bouloud, localizado próximo à região dos teatros da Broadway. Os preços são bem acessíveis a nós, mortais, e a comida, bem como o serviço, são muito bons. O DB se arrisca pouco em criações exóticas, ficando nas receitas mais tradicionais, muito bem executadas. São famosos pelo cheeseburger: a carne é tão alta que mais parece uma almôndega. Uma ótima opção é o menu pre-theater, em que você é obrigado a jantar um pouco mais cedo, mas em compensação terá um menu de 3 pratos por um preço excelente. Vale a pena!

4. Daniel ***** (http://www.danielnyc.com/): o restaurante original do mesmo chef do DB, muito mais sofisticado, caro e, pra dizer a verdade, um pouco esnobe. Também oferece um menu degustação, mas nesse caso é para gourmets "sérios", pois cada prato parece uma obra de arte, uma pequena joia. Usa e abusa de técnicas sofisticadas como gelatinização, espumas, "pérolas", congelamento, usando todo ingrediente que você imaginar - ouriço-do-mar, ervas aromáticas, kobe beef e até mandioca... Uma comida única, diferente, que consideramos "intelectual", pois aguça a curiosidade tanto quanto os sentidos. O que não nos agradou muito foi a harmonização de vinhos: em nossa opinião - que não é de connaisseur - não achamos as harmonizações ideais, não valendo o quanto custa. Escolha uma garrafa que é mais negócio. Um ponto fraco é o serviço, que, apesar de eficiente, é um pouco esnobe - os garçons são franceses e conversam com a gente em francês, mesmo estando em plena América...

5. Gilt *** (http://www.giltnewyork.com/): dos poucos restaurantes estrelados gourmets que já visitamos, esse consideramos o menos interessante. Pelo menos o menu que experimentamos, achamos que faltou a harmonia e a continuidade que encontramos no Per Se e no Le Bernardin. Alguns pratos carregados no sabor, como polvo com excesso de pimenta, ou um prato de carne com muita carne e poucos sabores para equilibrá-la, não chegaram a arrancar suspiros... Se for investir em um jantar especial, recomendamos os outros restaurantes mencionados aqui. O ambiente é um capítulo à parte - parece uma sala de banquete do século XVIII, com toda a pompa e glória, realmente muito bonito.

Obviamente, NY oferece muito mais restaurantes do que se pode conhecer em uma vida, o que dirá em umas poucas e corridas viagens! Incentivamos nossos leitores a postarem abaixo suas resenhas de restaurantes favoritos em NY, assim nossa lista poderá crescer e todos poderão se beneficiar.

Enjoy!

Mapa da região:




ALASCA: IMENSIDÃO (NEM SEMPRE) CONGELADA

Por M.C.Carvalho
Fotos: J.A.Carvalho

Dando continuidade aos posts sobre o Alasca, hoje você vai ter uma visão geral sobre esse estado (ainda) desconhecido dos brasileiros.

O Alasca

Para começar, o Alasca é .................longe!!! São 13.000 km de São Paulo e inúmeras possibilidades de conexão, a maioria com duas escalas: a sugestão é passar alguns dias no porto de partida para aclimatar-se ao fuso (são cinco horas de fuso entre SP e o Alasca no verão americano, quando eles estão com o horário de verão por lá) e amenizar o cansaço antes de partir. Tanto Vancouver, nosso ponto de partida, como São Francisco ou Seattle oferecem ótimas atrações para toda família.

O objetivo dos cruzeiros é explorar a parte sul do território conhecida como o sudeste do Alasca ou “the panhandle” –literalmente “cabo da panela” – o apelido fica fácil de se entender observando-se o mapa abaixo. O sudeste do Alasca é uma região fronteiriça com o Canadá (província de British Columbia) que avança ao norte entre inúmeras ilhas e canais, conhecido como “Inside Passage” ou passagem interna. É onde se encontra a capital do estado: Juneau.


Alasca vem da palavra Alyeska, quesignifica “The Great Land”, terra grandiosa. Apresentada ao mundo pelos russos que exploraram o comércio de pele de lontras (sea otter em inglês) até praticamente provocar o desaparecimento da espécie na região, a grande terra foi vendida aos americanos no final do século XIX por meros US$ 7 milhões e tornou-se o 49o. estado americano há apenas 50 anos em 1959. Não mais de 650.000 pessoas moram no estado hoje, a maioria nas cidades de Anchorage, Fairbanks e na capital Juneau.

Arte do povo Tinglit:
totem em Ketchikan
Uma palavra sobre esquimós: para os amigos desavisados que no seu retorno teimarem em questioná-los sobre os esquimós que vocês viram, vale avisar que a palavra “esquimó” é pejorativa e encontra-se em desuso. O povo conhecido mundialmente como esquimó habita o extremo norte do Alasca, acima do Círculo Polar Ártico (CPA), onde fica aquele Alasca gelado do imaginário popular, e é conhecido agora como Inuit. Esquimó era o nome dado a eles pelo povo que habitava a região centro-sul do Alasca. Na língua deste povo, esquimó significa “gente que come carne crua”, uma alusão nada gentil aos hábitos alimentares do povo Inuit, que comia seus alimentos crus. No sudeste do Alasca não há Inuits, ou seja, não há esquimós! O povo que habitava esta região era majoritariamente os Tinglits, famosos por sua rica cultura e seus totens.

Na área da Inside Passage são cerca de 60.000 habitantes espalhados em uma multitude de ilhas e recantos. Os principais portos que recebem os navios de cruzeiro incluem: Ketchikan, Juneau, Skagway, e Sitka. Toda a navegação pela Inside Passage é considerada cênica – boa parte dos cruzeiros contam com antropólogos ou naturalistas a bordo que oferecem palestras e discorrem sobre os trechos principais do percurso.

Glaciar Hubbard
Alguns cruzeiros incluem ainda a possibilidade de observação do Glaciar Hubbard e do Fiorde Tracy Arm que oferecem algumas das mais belas paisagens do sudeste do Alasca. Para mais informações sobre a Inside Passage vale rever o blog da renomada autora Terry Breen, antropóloga e expert no Alasca que acompanhou nossa viagem a bordo do Seven Seas Navigator: http://www.cruiserfriendly.com/. Seu livro “The Cruiser Friendly Onboard Guide to Alaska’s Inside Passage” apresenta em detalhe tudo o que você pode esperar desta viagem.

Passeio de kayak em Sitka, uma das
muitas aventuras disponíveis
Um cruzeiro no Alasca é muito mais do que ficar a bordo e olhar para a paisagem - apresenta oportunidades para você desembarcar e conhecer um pouco da fauna e da flora desta grande terra. Em dez dias de Alasca andamos de navio, zodiac, lancha, balsa, aviãozinho, hidroaviãozinho, trem, bicicleta, kayak, ônibus, van, quadriciclo. E podíamos ainda ter incluído helicóptero, dogslegde. Por isso, muito importante é o planejamento dos passeios em terra disponíveis: peça ao seu agente uma lista de todos os passeios, analise com cuidado e reserve com antecedência, alguns passeios são muito concorridos e se esgotam meses antes do cruzeiro zarpar.

Lembre-se de perguntar sobre o grau de dificuldade exigido – principalmente se viajar com crianças, do tempo discorrido (às vezes é possível encaixar dois passeios no mesmo porto), das taxas e condições de cancelamento . Há grande variedade de opções, nós procuramos mesclar entre paisagens e observação de vida animal (águias, ursos, baleias, lontras), aventuras (hidroavião e kayak) e atividades familiares (pescaria e caminhadas). Nos passeios da Regent há sempre menção às opções de refeição disponíveis em cada passeio e, enquanto uns podem incluir verdadeiros piqueniques “gourmet”, outros envolvem uma simples “lunchbox” com uma fruta, sanduíches e barras de cereais.

Semana que vem tem mais! Conheça em mais detalhe os portos de parada do navio e as opções de passeios oferecidas em cada um.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

CRUZEIRO NO ALASCA???

Por M.C. Carvalho
Fotos J.A. Carvalho



Fiorde Tracy Arm
Essa foi nossa reação quando uma família amiga nossa disse o que estava planejando para as férias de julho. Imediatamente pensamos em icebergs batendo nas laterais do navio (como em Titanic), pesca com esquimós naqueles buraquinhos redondos no gelo (como nos desenhos do Chilly Willy), tomar Chivas com pedras de gelo de milhares de anos (como na propaganda da TV)...

Realmente é um destino muito inusitado - mas só para nós, brasileiros! Os americanos, viemos a descobrir, viajam para o Alasca sempre (e os preços, exceto da passagem aérea, não são tão caros quanto tínhamos imaginado), então quando nossos amigos voltaram da viagem, fizemos uma intimação: queremos um post sobre a viagem para o nosso blog.

O resultado começamos a publicar hoje: não apenas um, mas quatro posts diferentes sobre essa viagem incrível. O primeiro post é sobre o planejamento da viagem e dicas sobre a escolha de um cruzeiro. Esperamos que gostem tanto quanto nós!

Escolhendo o Alasca

Falar em viajar ao Alasca desperta olhares espantados que já nos imaginam em iglus observando esquimós vagando na imensidão congelada. Mas o Alasca é muito mais que gelo...o 49o estado americano e o maior deles tem riquíssimas paisagens de tundra, fiordes, canais e glaciares, uma fauna exuberante e está muito bem preparado para receber o turista.

Optamos por um cruzeiro para conhecer o Alasca, já que o estado é praticamente inacessível por terra e a viagem permite a parada em diversas escalas, cada uma com sua beleza peculiar.

Escolhendo um cruzeiro

Seven Seas Navigator
Nosso navio, o Seven Seas Navigator da empresa Regent Seven Seas (http://www.rssc.com/), partiu de Vancouver, Canadá e rumou norte até Seward com conexão por trem até Anchorage, maior cidade do Alasca. Várias empresas de cruzeiro incluem o Alasca em seus itinerários, inclusive algumas familiares aos brasileiros como a Royal Caribbean, (http://www.royalcaribbean.com.br/), a Norwegian NCL (http://www.ncl.eu/) e até a Disney (http://www.disneycruise.disney.go.com/) que em 2011 levará seu Disney Wonder para lá. Vale consultar os sites e as opções oferecidas: os itinerários para a próxima temporada já estão disponíveis e o destino é muito popular entre os americanos e lota rapidamente.

Os roteiros são oferecidos durante o verão do hemisfério norte, entre junho e setembro, e são variações sobre o mesmo percurso básico: sair de uma cidade do extremo noroeste americano ou canadense (São Francisco, Seattle, Vancouver) e rumar norte, ou vice-versa: sair de Seward, no Alasca (porto próximo à Anchorage) e rumar sul. Algumas empresas fazem ainda opções de roteiros com chegada e partida no mesmo lugar.

A vantagem dos cruzeiros “mão-única” - que só sobem ou descem, é que em sete dias você consegue conhecer os principais portos do Alasca, enquanto nos “vai-e-vem” uma ou outra cidade acaba ficando de fora, normalmente a própria Anchorage (Seward) e Sitka, antiga capital. Se você pensar que o Alasca é um destino pelo qual você irá se aventurar uma única vez, os cruzeiros de mão-única são a melhor opção, principalmente porque podem ainda ser complementados com programas pós-cruzeiro agendados com a própria empresa marítima, para explorar Anchorage e o Parque Nacional Denali, onde fica a montanha mais alta da América do Norte,o Mckinley ou até mesmo Fairbanks, mais ao norte.

Mesmo que o seu cruzeiro não saia de Vancouver, é sempre bom consultar o seu agente para a necessidade de um visto do Canadá, pois deve haver uma parada em território canadense, seja na ilha Vitória ou em Prince Ruppert, e há passeios em terra que implicam em cruzar a fronteira (um deles é o excelente passeio de trem ao vale do Yukon em Skagway).

Nossa escolha baseou-se na excelente reputação da REGENT, várias vezes parte da “GoldList” de melhores empresas de cruzeiro do mundo da conceituada publicaçãoCondéNastTraveller, (consulte a lista completa no site www.cntraveller.com/magazine/the-gold-list-2010) no roteiro mais completo e na variedade de excursões em terra oferecidas. O pacote é “all inclusive”: todas as refeições a bordo, bebidas alcoólicas, a maioria dos passeios em terra, as passagens aéreas dentro dos Estados Unidos. O navio é pequeno, leva aproximadamente 400 passageiros, o serviço é personalizado e as acomodações muito confortáveis. Empresas como a NCL e a Disney oferecem navios com mais atrações, porém com muito mais passageiros também.

Portos de parada do cruzeiro pelo Alasca
O trecho viajado é calmo, pois grande parte do percurso é feito em águas protegidas. Porém, um alerta: apesar de ser verão no hemisfério norte, estamos falando em Alasca: altas latitudes e temperaturas na faixa dos 8 a 14º C e alta umidade que se traduz em tempo nublado e grande possibilidade de chuva (chamada por lá carinhosamente de “liquid sunshine”, ou “sol liquefeito”), o que em nada atrapalha os passeios em terra que já são programados para ser “all-weather”, ou seja não são cancelados por conta de chuva, mas que implica em planejamento na bagagem: roupas impermeáveis, capas de chuva, gorros, luvas são itens que não podem faltar.

Prepare-se para longos dias: durante o verão no Alasca, o sol se mantém baixo no horizonte durante toda a noite e há apenas algumas poucas horas de escuridão, nunca completa, quase como um “lusco-fusco”.

Vista da varanda do navio
para o porto de Skagway
No que se refere a levar crianças ao Alasca, e portanto em um cruzeiro marítimo, não recomendaria aos menores de 6 anos. Alguns passeios envolvem longas horas, deslocamentos e caminhadas. O navio não é a prova de crianças pequenas: não há proteção nas varandas, os gradis externos são baixos, menores de 10 anos não podem circular pelos deques ou usar os elevadores sozinhos. Para essa população, o melhor mesmo talvez seja analisar os cruzeiros da Disney. Já para os maiorzinhos, um cruzeiro como o nosso oferece uma boa oportunidade para conhecer crianças e adolescentes de outros países, praticar o inglês e observar a vida animal.

No caso da Regent, as acomodações são duplas e pouquíssimas cabines acomodam 3 pessoas, ou seja, uma família de quatro como a nossa precisa reservar duas cabines e as crianças pagam tarifa “cheia”. Apesar de existir um programa de entretenimento para os pequenos a bordo, não há uma área no navio desenhada e decorada com o propósito de entreter as crianças – os encontros acontecem numa sala de conferências “adaptada” para recebê-los. O staff se resume a duas monitoras e a programação inclui muitos filmes e jogos de tabuleiro num ambiente que implica em domínio da língua inglesa. Minhas crianças curtiram os jantares temáticos e a visita à cozinha para preparar e decorar cookies.

Como nosso objetivo era viajar em família e ficar juntos, esse item não pesou na nossa escolha e acabou trabalhando a nosso favor, pois as crianças ficavam conosco durante os passeios, e em algumas noites e nas tardes de navegação nos davam uma folga para usufruirmos dos bares e restaurantes mais sofisticados. Todos os restaurantes são bastante flexíveis para providenciar pratos menos elaborados e mais ao gosto infantil. No almoço há diariamente um buffet de sanduíches, grelhados e sorvetes no deque da piscina.

Semana que vem continuam os posts do Alasca. Próximo assunto: uma visão geral do Alasca.