domingo, 26 de agosto de 2012

VOU DEIXAR A VIDA ME LEVAR... PARA ARUBA!

Nossa viagem foi assim:
Época: Julho *****
Hotel: Marriott Resort Stellaris Casino ****
Faixa etária das crianças: 9-11 anos *****



Com todo o fascínio de nosso filho pelo fundo do mar, para nossas próximas férias estávamos à procura de um lugar que reunisse todas essas características:
    - Fácil acesso desde o Brasil (reduzindo, assim, os custos e o tempo da viagem)
    - Boa infraestrutura e pouco stress no planejamento
    - Operadoras de mergulho de fácil acesso e bem estruturadas.
    - Bons pontos para fazer snorkel
    - Equilíbrio entre passeios em terra, em mar e praia/piscina

Havíamos estado em Aruba há muitos anos, ainda sem crianças na família. Tínhamos boas lembranças do lugar, e resolvemos ir checar se a ilha ainda era aquele pequeno paraíso caribenho bem pertinho do Brasil. Aruba, apesar de ter sofrido muitas mudanças (algumas delas para pior, é preciso dizer), continua sendo um destino que vale a pena, e atendeu plenamente todas as nossas expectativas.

Em primeiro lugar, entre nossas prioridades, queríamos um destino no Caribe que não precisasse de uma conexão em Miami ou na América Central. Apesar de não ser nenhum primor de companhia aérea, a Gol tem voos para Aruba e Barbados, mas optamos pela Antilha Holandesa pela facilidade de se hospedar e passear na ilha, além da familiaridade com o lugar. O voo para Aruba faz uma escala em Caracas, mas não nos importamos porque não é preciso descer do avião e, o mais importante, a bagagem permanece nele. Isso porque relatos de furtos de objetos de dentro das malas, na Venezuela, são muito comuns, mas nesse caso não correríamos esse risco.

Se tiver possibilidade, opte pela tarifa Comfort da Gol, principalmente se estiver com bebê de colo que não tem direito a assento no avião. A tarifa Comfort, ao contrário do que parece, não é para acomodação em uma poltrona com mais espaço. As fileiras são as mesmas do restante do avião, com a diferença de que, a cada 3 poltronas, uma (a do meio) é deixada vazia. Assim, você poderá acomodar o bebê nessa poltrona (entre papai e mamãe), ou deixar as crianças deitarem durante o voo para um sono mais tranquilo. Para os adultos, não oferece muito conforto a mais, mas só o fato das crianças conseguirem dormir e chegarem ao destino sem aquele cansaço, já é uma vantagem e tanto!

Realmente Aruba é um destino muito fácil, desde a reserva aqui no Brasil até a organização dos passeios por lá. Como estávamos com crianças e avós, decidimos deixar o espírito aventureiro de lado e reservar quase todos os passeios na operadora que ficava bem ali, no lobby do hotel. A De Palm Tours é uma das maiores operadoras de Aruba e, apesar de lidar com grupos grandes, em grandes ônibus, catamarãs cheios de gente e de ter até sua própria ilha particular, é bem eficiente e o serviço, muito bom (falaremos um pouco mais sobre os passeios em uma próxima postagem).

Assim, se você também quiser um destino muito fácil, bonito, gostoso de visitar, e se sua família (como 99% das famílias) gostar de praia, sol e boa comida, coloque Aruba no topo de sua lista de destinos de viagem, e com certeza não se arrependerá!

Reserve seus dólares

Bem, na verdade Aruba atendeu a quase todas as nossas necessidades: o custo no final ficou um pouco acima do desejado. De fato, reservar hotel e avião para lá é relativamente barato. Se conseguir planejar tudo com um pouco de antecedência (2 ou 3 meses são suficientes, exceto no Réveillon), é recomendável fazer as reservas por conta própria. Os pacotes para Aruba, nas agências de turismo, saem mais caro do que comprar tudo online, principalmente porque agora os hotéis estão com promoções excelentes, devido à crise econômica no hemisfério norte. Basta entrar no site da Gol (que opera os voos diretos para a ilha), e dos hotéis, e fazer suas reservas. Agora, se deixar para última hora, pode não conseguir passagens, e ser obrigado a comprar um pacote.

Parasail.
Apesar desse custo inicial baixo (a nossa viagem custou menos que qualquer pacote para Bariloche, nordeste ou EUA), é preciso reservar algum dinheiro para fazer os programas na ilha. Esses, dependendo do número de pessoas, podem sair bem caros. Um dia na De Palm Island, por exemplo (programa imperdível para as crianças), custa cerca de US$ 100 por pessoa. Um passeio de submarino custa um pouco mais que isso (e dura só 2 horas), enquanto um voo de parasail pode sair por US$ 60. Além disso, na maioria dos hotéis não há nenhuma refeição incluída na diária. Portanto, vá fazendo as contas e veja a até quanto chega a despesa total!

É claro que há alternativas mais em conta para explorar a ilha. Você pode, por exemplo, não contar para seus filhos que existe De Palm Island, e simplesmente curtir a praia e a piscina do hotel (ambas excelentes), ou alugar um carro e explorar a ilha por conta própria. Mas esses programas de baixo custo deixam de fora duas das principais atrações de Aruba: a costa norte/leste, que só é acessível em 4x4 e não tem estradas bem demarcadas, e o fundo do mar. Falaremos um pouco mais sobre os passeios de Aruba numa próxima postagem, mas por enquanto a mensagem que queremos deixar é esta: reserve uma boa quantia para gastar nos passeios em Aruba, ou corre o risco de sair sem ter visto a parte mais bonita da ilha.

Uma observação importante quanto à época da viagem: a princípio, tínhamos planejado ir para lá em janeiro, e havíamos reservado passagem e hotel de acordo. Tivemos contratempos e precisamos adiar a viagem para julho, e qual não foi nossa surpresa ao verificar que todos os custos eram cerca de 30% mais baixos nessa época do ano! E, quanto ao tempo, temperatura e atrações da ilha, não há rigorosamente nenhuma diferença em relação ao início do ano. Portanto, se for planejar uma viagem a Aruba, recomendamos que vá no mês de julho, fuja das multidões, e ainda pague muito mais barato do que em janeiro.

Reserve seu hotel

A quantidade de opções de hospedagem em Aruba é de deixar qualquer um tonto. Para uma ilha tão pequena, com pouco mais de 100 mil habitantes, a quantidade de hotéis é impressionante. E não páram de construir novos complexos com ainda mais leitos. A mais nova adição às opções de Aruba será, pelo que nos contaram, um Ritz localizado na praia de Palm Beach, já que Hyatts e Marriotts não são luxo suficiente para alguns viajantes mais abonados (e sortudos).

De maneira geral, existem de verdade 3 opções para se hospedar na ilha:

1. Oranjestaad: é o centro político e econômico de Aruba, e o único hotel que se localiza lá é o Renaissance. Apesar de ser só um hotel, fazemos questão de listá-lo aqui porque é muito inusitado e diferente. Fica de frente para o mar, mas não tem praia. No entanto, de dentro do lobby do hotel (literalmente) saem lanchas que vão para a ilha particular do hotel, onde os hóspedes podem aproveitar gratuitamente a praia e até contratar saídas para mergulho. Além disso, o hotel fica em cima de um dos maiores shoppings de Aruba. Não é um centro muito grande, mas tem boas lojas e várias marcas de luxo (para os que gostam). Tem também um dos maiores cassinos de Aruba e alguns bons restaurantes. É preciso dizer que o centro de Aruba não é mais um lugar cheio de vida e agito como antigamente. Várias lojas estão fechadas, quase não há mais restaurantes espalhados pelas calçadas (é preciso procurar bem para encontrá-los), então no Renaissance você estará literalmente numa ilha dentro da ilha.

2. Eagle Beach: é frequentemente apontado por guias e revistas de viagem como um lugar ideal para se hospedar, devido à horizontalidade dos hotéis (low rise em inglês). Realmente, os hotéis são espalhados em propriedades baixinhas (no máximo 2 ou 3 andares de altura), mas têm um problema crucial para quem viaja com crianças: é preciso atravessar uma avenida para chegar à praia, portanto os hotéis não são pé na areia. Até onde pudemos ver, o único hotel que fica na praia é o Divi Aruba Phoenix Resort.

Palm Beach.
3. Palm Beach: em nossa opinião, é o local ideal para se hospedar em Aruba com família e crianças. Quase todos os hotéis pertencem às cadeias internacionais: Marriott, Hyatt, Radisson, Holiday Inn, etc. Portanto, oferecem sempre um mínimo de padrão e qualidade. O primeiro hotel da longa faixa de areia de Palm Beach é o Westin, e o último é, por enquanto, o Marriott Resort & Stellaris Casino. Bem no meio do caminho fica o Hyatt. De um extremo até o outro, caminhando pela praia, pode-se levar mais de uma hora. São, no total, cerca de 10 resorts diferentes (sendo 3 Marriotts). Em Aruba as novas construções estão por todos os lados, e em Palm Beach não é diferente: depois do Marriott Stellaris, há um novo hotel em construção, que nos disseram ser um Ritz.

Um pouco mais sobre Palm Beach

Pela descrição, você já deve ter notado que, mesmo em Palm Beach há diferentes opções para se hospedar. Baseados em pesquisas na internet, nós optamos por ficar no Marriott Stellaris. O hotel é excelente, de estilo moderno, com quartos confortáveis e muito limpos, lobby amplo e agradável, cassino, piscina excelente para as crianças com cascata e bar molhado, acesso à praia com coqueiros e faixa de areia razoável e, na frente de tudo isso, aquele mar azul e calmo... Uma delícia. Por ser o último resort da praia, esse pedaço não fica lotado de gente. Mesmo nos dias mais cheios conseguimos um espaço na areia para colocar a espreguiçadeira (os hotéis fornecem cadeiras, mas não é permitido usar os quiosques de sapê sem fazer reserva e pagamento) e conseguimos nos instalar confortavelmente. A única desvantagem do Marriott é que não dá para fazer muita coisa a pé.

Centrinho de Palm Beach.
Para ir do Marriott até o centrinho de Palm Beach, onde estão localizadas as lojas e restaurantes, caminhávamos pela praia e atravessávamos pelo Hyatt até a avenida de trás. Esse caminho levava cerca de 15 minutos. Entre adultos não há muito problema, mas se estiver com crianças pequenas ou carregando sacolas (na volta), será necessário pegar um táxi. A corrida custa cerca de U$6.

Em nossas caminhadas por Palm Beach, percebemos que, quanto mais nos aproximávamos da região do Hyatt (o resort mais central), mais cheia de gente a praia ficava. A areia é ocupada por várias empresas que oferecem passeios de barco, banana boat, jet-ski, parasail. Assim, sobra pouco espaço para as pessoas ficarem confortavelmente. Em Aruba a praia, mesmo em frente aos hotéis, é pública, e em nossa opinião o Poder Público deveria limitar um pouco mais a atividade das operadoras. Além dos infláveis e barcos, a praia também é ocupada por alguns píers, bares e restaurantes (alguns bem barulhentos).

Se, por um lado, a faixa central, próxima ao Hyatt e entre os resorts Playa Linda e Riu, é mais lotada e muvucada, por outro tem uma grande vantagem: fica bem perto do centrinho comercial de Palm Beach, na avenida de trás dos hotéis (J.E.Irausquin Blvd). Como a maioria não inclui as refeições na diária, é bem conveniente ficar numa localização em que dê para acessar diversos restaurantes e shoppingzinhos a pé. É o caso do Hyatt e seus vizinhos imediatos. Assim, se você não se importar de disputar um pouco o espaço na praia (basta chegar cedo), a localização desses resorts é ideal.

Pais mergulhadores (um parêntese)

Peixe-sapo: raridade pode ser vista nas águas de Aruba.
Todo mergulhador sabe que, ao se tornar pai ou mãe, as chances de mergulhar em viagens com as crianças diminuem bastante. Para esses pais, uma boa notícia: Aruba é uma ótima opção para poder curtir alguns mergulhos sem ter que deixar as crianças em casa! Nós aproveitamos e, durante nossa estadia de 1 semana, fizemos um total de 4 mergulhos em 2 saídas. É claro que os mergulhos não são fantásticos como os de Cuba ou Bonaire, mas vimos muita vida, corais, anêmonas, peixes coloridos e até algumas criaturas raras como peixe-sapo.

Em Aruba, o melhor esquema para quem mergulha é ficar no Hyatt em Palm Beach. Antes de contratar nossos mergulhos, demos uma caminhada na praia e visitamos diversas operadoras de mergulho. Não tivemos boa impressão de algumas, que parecem operações improvisadas. Uma delas tinha só 1 barco que estava em manutenção!

Acabamos optando pela Red Sail Sports, uma das maiores da ilha. Ao contrário do que havíamos lido na internet, os 2 barcos da Red Sail que utilizamos não eram enormes. Pelas informações dos folhetos, levam no máximo 20 mergulhadores, mas nos dias em que saímos não havia mais do que 8 pessoas a bordo. Contratamos nossos mergulhos no quiosque dentro do Marriott, mas o píer de onde saem os barcos da Red Sail fica no Hyatt. Assim, se você se hospedar no Hyatt, poderá sair do seu hotel e ir caminhando pela areia diretamente até o barco do mergulho. Tendo ficado no Marriott, tivemos que utilizar o transfer da empresa (gratuito).

A comodidade de ficar no Hyatt é que você pode deixar as crianças na piscina com um adulto responsável, e sair e chegar do mergulho praticamente de dentro do hotel. Além, é claro, de ser um hotel muito bem avaliado, com uma área externa muito bonita, diversos restaurantes (nós jantamos em um deles, Ruinas del Mar, muito bom) e um cassino.

Claro que, para poder mergulhar com as crianças a tiracolo, é necessário algum preparo prévio. Uma das melhores opções, se houver possibilidade, é levar outros familiares na viagem com vocês. Os avós ou um casal de tios, ou ainda outra família amiga podem ficar com as crianças uma ou duas manhãs para vocês poderem mergulhar. Além, é claro, do prazer de viajar em companhia de pessoas queridas.

Outra opção é utilizar os serviços de baby-sitter dos hotéis. Todos os grandes hotéis indicam baby sitters, e alguns têm até clube infantil para você deixar as crianças. Há duas desvantagens nesse esquema: a maioria das baby sitters não leva as crianças à praia ou à piscina, e há o problema do idioma (em Aruba a maioria das pessoas fala inglês ou espanhol, mas não português).

Por último, se suas crianças forem maiorzinhas, bem comportadas e gostarem do mar, você pode contatar a operadora com antecedência e perguntar se há possibilidade de levá-las no barco com você, mesmo que não sejam mergulhadoras. Enquanto vocês mergulham, as crianças permanecem a bordo.

E, se nada disso der certo, já houve viagens em que recorremos ao bom e velho revezamento. Enquanto um dos pais ficava com as crianças, o outro mergulhava. No dia seguinte, os papéis se invertiam.

Filhos mergulhadores

Aruba: excelente para iniciar
as crianças no snorkel.
Por fim, queríamos também um destino em que a família toda pudesse curtir o fundo do mar, fazer snorkel e também outros passeios em terra. Nesse quesito Aruba se saiu melhor do que o esperado! Fizemos passeio em submarino, em jipes na parte selvagem da ilha, caminhadas entre cactos e árvores nativas, passeios de barco, etc.

O snorkel foi um capítulo à parte, um dos pontos altos da viagem. Geralmente em lugares como Cancún, o snorkel é feito em parques, em verdadeiras "piscinas" salgadas cheias de peixes colocados lá para os turistas. Aruba também tem um snorkel assim: na ilha De Palm, uma parte do recife bem rasa é cercada e há uma grande abundância de lindos peixes-papagaio azuis para o deleite das crianças. Mas, além desse, há possibilidade de fazer snorkel em recifes de verdade e até sobre naufrágios reais. Nesses locais, muita vida, corais e peixes coloridos. Para se ter uma ideia, fazendo snorkel em Aruba vimos barracudas e cardumes de lulas, coisa que nem nos mergulhos com cilindro se vê facilmente.

Peixes-papagaio em De Palm Island.
Assim, se vocês forem, como nós, pais mergulhadores, querendo despertar em seus filhos a vontade de mergulhar, Aruba é um ótimo lugar para aquele primeiro contato com o fundo do mar.

Aguarde as próximas postagens, sobre os passeios de Aruba e os restaurantes que experimentamos em nossa estadia na ilha.

domingo, 5 de agosto de 2012

NO MEIO DA AUSTRÁLIA TINHA UMA PEDRA: ULURU

 

Por: M.C.Carvalho

Ayers Rock - Uluru
 

“No meio do caminho tinha uma pedra 

tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra 

no meio do caminho tinha uma pedra…”




No meio da enorme planície do deserto vermelho australiano (“The Red Centre”), uma pedra surge assim do nada, imensa, alaranjada, de uma simetria incrível, meio mágica, meio misteriosa.

Inicialmente batizada pelos ingleses de Ayers Rock,  agora é oficialmente conhecida por Uluru. Em 1985 foi formalmente devolvida pelos australianos para os aborígenes locais, os anangus, e posteriormente arrendada ao governo australiano por 99 anos!

A formação rochosa, oficialmente um monólito, fica a 450 quilômetros de distância da cidade mais próxima, Alice Springs, numa região administrativa conhecida como Yulara, parte do Parque Nacional de Uluru-Kata Tjuta, considerado Patrimônio da Humanidade pela ONU (World Heritage Site).

Todo um complexo turístico, Ayers Rock Resort, foi montado para explorar o Uluru, assim como a vizinha Kata Tjuta, de nome britânico “Olgas”, uma outra formação rochosa única.

O Ayers Rock Resort conta com um aeroporto, meia dúzia de hotéis, um acampamento, restaurantes, algumas lojinhas e um supermercado – todos dentro de um único complexo administrado pela empresa Voyages Indigenous Tourism Australia . O site do Ayers Rock Resort apresenta todas as possibilidades de hospedagem que podem ser diretamente reservadas com a companhia. Além disso, sugere passeios, itinerários e dicas diversas para facilitar o planejamento da sua viagem.

A hospedagem em Ayers Rock está bem acima do preço cobrado por um hotel de mesmo nível em uma grande cidade, talvez pela dificuldade em administrar-se um resort tão remoto, e mais certamente devido ao monopólio da companhia.

O hotel mais exclusivo e luxuoso da região atende pelo nome de Longitude 131° (uma referência à localização da pedra) – a única opção de hospedagem localizada fora do complexo (3 km). Apenas 15 “cabanas” enfileiradas com vista total para o Uluru e a promessa de excelente serviço, que, no entanto, não atende famílias com menores de 16 anos[1]. Com esta opção descartada, restavam-nos, de acordo com a classificação sugerida no site:

·         Sails in the Garden – categoria “Premium” 5 estrelas
·         Desert Gardens – categoria “Superior” 4 estrelas
·         The Lost Camel – categoria “Moderna” 3 estrelas
·         Emu Walk Apartments – apartamentos mobiliados para até 6 pessoas
·         Outback Pioneer – categoria “Autêntico” 2 estrelas
·         Ayers Rock Camp – acampamento

O Uluru é um popular destino turístico na Austrália, assim, a disponibilidade de opções diminui muito com a proximidade da viagem. No nosso caso, mesmo cotando com quase sete meses de antecedência, o Sails in the Garden já não tinha disponibilidade para uma família de 4.  Além disso, as configurações dos quartos diferem de hotel para hotel. No Sails, há quartos grandes com duas camas de casal (queen beds) que bem acomodam quatro pessoas e também quartos menores conjugados. Já o Desert Gardens até tem opções de quartos que acomodam quatro pessoas, mas com camas menores (double beds) e o Outback Pioneer tem quartos com beliches (bunk beds).

As diárias são salgadas. Na época da nossa viagem (alta temporada) para acomodar quatro pessoas no mesmo quarto (dois adultos e duas crianças) cerca de Au$980/quarto/dia no Sails, Au$ 818 no Desert, Au$778 no Emu. O Lost Camel não tem quartos grandes e precisaríamos de dois quartos que sairiam por Au$ 498 cada num total de Au$996/dia.

Fatoramos a curta duração da nossa estadia (apenas 2 noites) e optamos por ficar os quatro em um só quarto no Desert, melhor e mais barato que os dois quartos do Lost Camel e quase o mesmo preço do apartamento Emu, que era muito mais simples e oferecia menos serviços.

Listamos todos os passeios disponíveis para explorar a região, mas não fizemos nenhuma reserva antecipadamente (erro que perceberíamos mais tarde). A única reserva feita antes de partir foi para o jantar Sounds of Silence[2], uma experiência que inclui observar o pôr-do-sol no Uluru, jantar um menu tipicamente australiano (incluindo carne de crocodilo e canguru) e observar as estrelas com a ajuda de um telescópio e um astrônomo amador.

As opiniões sobre esta atividade nos guias especializados era sempre excelente, mas não recomendada a famílias com crianças menores de 10 anos, pois a ceia é servida literalmente no meio do deserto e na penumbra, sem chances de sair mais cedo ou atender necessidades especiais.

Quando se lê a descrição no site, é inevitável que uma voz interior sussurre no seu ouvido: “pegadinha”, “fria”, “programa de índio”, “coisa pra gringo” e outras advertências. Mas no final acabamos reservando. Apesar dos riscos, era algo tão diferente de qualquer outro programa, que achamos que valia a pena.

Um outro ponto a ser resolvido antes da partida era a locomoção. Todos os hóspedes tem direito a usar um transporte gratuito entre o aeroporto e o resort em ônibus fretado. Sempre que um voo chega, há um ônibus esperando. Nós resolvemos contratar um serviço particular para levar-nos ao resort. A vantagem é chegar ao hotel (e à fila do check-in) antes da horda de passageiros que desembarca do ônibus!

Você também pode optar por alugar um carro. A mão é inglesa, mas não há trânsito algum e basicamente uma única estrada ligando aeroporto-resort-Uluru-Kata Tjuta (prefira os carros com cambio automático, trocar marchas com a mão esquerda pode representar um desafio!). O carro só vale a pena se você contratar um guia local, afinal, a história, as tradições e o misticismo fazem a mágica do local. Caso opte pelo aluguel do carro, providencie no resort ingressos para o parque nacional para todos os membros de sua família.

Vale ressaltar que tudo pode mudar muito rapidamente no turismo em torno do Uluru. Isto porque em maio de 2011 a ILC, um órgão governamental australiano, comprou da multinacional GTC (que era a responsável pelo local), todo o complexo de Yulara. Acredita-se que o governo australiano em conjunto com representantes dos anangus promova uma reforma total da infra-estrutura hoteleira, treinando e empregando os nativos e adequando o resort aos padrões determinados pelos aborígenes para que o turista tenha uma experiência que o aproxime dos ideais de vida do seu povo. Nós acreditamos que estas mudanças serão bem-vindas. Era um absurdo deixar um patrimônio natural destes sob os cuidados de uma empresa que há anos não investia na manutenção das instalações, empregava pessoal despreparado e praticava preços abusivos.

Nossa jornada

Chegamos ao aeroporto de  Ayers Rock com um céu absolutamente azul, e os quase 40°C de temperatura sem nenhuma brisa não deixavam dúvida de que desembarcáramos no deserto, literalmente no meio do nada! Nosso motorista da SEIT-Outback Australia nos levou rapidamente ao Desert Gardens, informando-nos que a empresa oferecia diversas excursões ao parque em grupos pequenos que poderiam ser contratadas no balcão de excursões do resort.

Nossa primeira impressão do hotel foi desoladora: feio, antiquado, muita gente, malas por todo lado, filas no check-in, atendentes inexperientes e um calor infernal. O quarto só ficaria disponível às 15 horas, então fomos direcionados à área dos restaurantes/lojas. Naquela noite tínhamos agendado o Sounds of Silence e a saída estava prevista para as 18 horas, então não havia muito o que fazer.

Andamos pelo complexo em busca de um local para comer, e a imagem era a mesma: desolação. Paisagismo inexistente, mato por todo lado, poeira vermelha, prédios antigos, coisas quebradas, nenhum charme.  Ficamos no Gecko’s Café, uma “lanchonete” com opções variadas para um almoço rápido, tudo bem gostoso. Passamos pelo supermercado para nos abastecer de muita água mineral, protetor solar e repelente!

Há muitas moscas, mosquitos e pequenos seres voadores por estas bandas. Muita gente chega a comprar chapéus com redinhas para proteger o rosto e evitar de engolir uma. Repelente precisa ser usado sempre! E reaplicado com freqüência. No calor do deserto, seu suor acaba por remover a camada de proteção. E olhe que fomos informados que demos imensa sorte, e que havia “pouca” mosca na época de nossa visita. Aparentemente a primavera de 2011 foi extremamente chuvosa para os parâmetros de deserto e, até por isso, a paisagem estava um pouco mais verde e cheia de pequenas flores do que de hábito.

Finalmente chegamos ao centro de excursões, uma sala grande onde as empresas têm balcões apresentando os programas oferecidos. Fomos direto ao stand da SEIT, mas inacreditavelmente não havia nada disponível para o dia seguinte. Teríamos que nos juntar a um grupo maior, e acabamos ficando com a ATT Kings – a maior operadora turística da Australia.

Queríamos conhecer as duas “pedras”: o Uluru e Kata Tjuta. Como veríamos o pôr-do-sol no Uluru durante o jantar Sounds of Silence, queríamos ver o Uluru pela manhã do dia seguinte e o pôr-do-sol em Kata Tjuta, porém não havia nenhuma excursão assim.

O jeito foi reservar uma programação matutina no Uluru (que começa por volta das 4:30 da madrugada) e inclui visita ao Centro Cultural e para o fim de tarde uma excursão em Kata Tjuta combinada com um novo pôr-do-sol no Uluru.

Cada excursão (que inclui transporte, guias, o ingresso ao parque natural e água mineral) custa por volta de Au$170 por adulto, crianças até 12 anos pagam meia – os preços da SEIT podem ser ainda mais altos!

Há inúmeras opções, tanto nas operadoras mencionadas, como em outras. Desde o final de janeiro de 2012, uma das mais recomendadas, a tradicional operadora turística dos próprios aborígenes, a Anangu Tours deixou de prestar serviços - ainda não se sabe se voltarão a operar.

Arrependemo-nos de não ter pesquisado e reservado estas excursões com mais cuidado e antecedência. Não que haja muita coisa diferente a ser feita, mas há nuances e diferentes focos para os passeios.  Além das caminhadas, há voos panorâmicos, passeios de motocicleta Harley-Davidson, passeios de camelo.

Uma vez acertado o pagamento, você recebe os vouchers, ingressos para o parque nacional, que devem ser portados durante todo o tempo, e as instruções de cada tour.

Resolvemos recuperar nossas malas e conhecer nosso quarto. Nova fila na recepção e uma atendente que não conseguia precisar por onde andavam nossas coisas. Depois de idas e vindas, chegaram à conclusão de que estavam no quarto, então fomos para lá. O resort não é um prédio, são vários pequenos prédios de dois andares espalhados por uma vasta área (caminha-se muito por corredores ao ar livre sob um sol inclemente). Nossa chave não funcionava, pedimos a ajuda de um camareiro que passava, já chorando com a possibilidade de ter que voltar por todo o caminho até a recepção. Descobrimos que nosso quarto havia sido trancado por dentro com uma chave de segurança! Foram mais de vinte minutos até que alguém teve a brilhante idéia de “arrombar” a varanda e entrar por lá.

Dentro do quarto, surpresa: recentemente renovado, camas confortáveis, ar-condicionado funcionando perfeitamente, banheiro moderno. A varanda ampla, mas suja de poeira vermelha do deserto e “mobiliada” com um par de cadeiras velhas.

Havia tempo para um mergulho. Na piscina, o mesmo sinal de abandono: mais cadeiras velhas, azulejos quebrados, zero de manutenção e cuidado. Mas com um calor de rachar coquinho, qualquer piscina teria servido.

No horário previsto estávamos a postos na recepção para o jantar no deserto. Algumas pessoas exageram e se vestem como se estivessem indo a um casamento, mas em geral todos aparecem bem arrumados. Partimos em dois ônibus rumo ao local escolhido para o jantar. Entendemos que há diversos locais pré-preparados para o Sounds of Silence, todos com vista para o Uluru, mas em diferentes pontos. Cada ônibus com aproximadamente 40 pessoas é deixado em um destes locais, para que não haja excesso de pessoas que estrague a essência da experiência.

Enquanto o sol se põe, todos são acomodados em uma pequena área onde são servidos aperitivos, espumantes e sucos. Não há cadeiras ou mesas, apenas alguns bancos espalhados. O foco fica no Uluru, que, conforme o sol vai baixando, assume colorações diversas, do vermelho intenso ao alaranjado.  O pôr-do-sol é realmente muito bonito e inspirador: muitos tons no céu, estrelas despontando, um solo árido com uma vegetação de arbustos e pequenas florzinhas amarelas. Sabe-se que o Uluru, além de seus 348 m de altura continua abaixo da terra por tantas outras centenas de metros, como um grande iceberg marrom!

Uma vez terminado o pôr-do-sol, o zum-zum-zum recomeça e todos são direcionados por um caminho iluminado por pequenas velas ao local do jantar, a algumas dezenas de metros. Grandes mesas redondas que acomodam de oito a dez pessoas estão prontas para a ceia, com bonitas cerâmicas e cristais. Ao lado, um buffet com iguarias típicas e acompanhamentos e algumas seleções doces. O maitre dá as boas-vindas aos comensais, repassa a seleção de vinhos (australianos) e convida as mesas ao buffet, uma a uma. Os vinhos estavam excelentes, a comida honesta. Não achamos nenhuma das iguarias dignas de elogios rasgados: a carne de canguru é muito dura, o churrasco australiano interessante.

Nosso grupo era formado por mais de 30 italianos viajando em grupo. Nós, os “não-italianos”, sentamos juntos em uma mesa: um casal de americanos, duas amigas universitárias americanas, um casal de britânicos e os quatro brasileiros. Foi interessante conversar e entender a perspectiva de cada um ao vir para este lugar tão remoto. Não houve muito do “silêncio” prometido, até porque, 30 italianos...

De qualquer forma, enquanto voltávamos ao buffet para os doces, chá e café, um astrônomo surgiu para guiar-nos por uma exploração das estrelas no céu australiano. Para nossa alegria, os italianos saíram para uma área lateral para serem atendidos por um outro astrônomo e seu tradutor, enquanto nossa mesa ficou para uma exposição mais intimista. Muita ênfase foi dada ao fato de estarmos vendo o céu do hemisfério sul e nossas constelações como o cruzeiro do sul e as três-marias foram apontadas no céu para deleite dos americanos/britânicos acostumados a uma diferente paisagem celestial. Posteriormente, fomos convidados a observar algumas estrelas e a lua no telescópio ali montado.

Ao todo, são quatro horas, da saída do hotel ao retorno. E qual o veredito? É sim, programa feito para gringo, longe de ter um apelo que remeta a tradições aborígenes. Mas o pôr-do-sol é lindo, o jantar é agradável.  Se todos na sua família falam e entendem inglês, aproveita-se muito mais, desde as explanações feitas, até trocando ideias e fazendo amigos durante a refeição. Mas não diria que é imperdível.

Noite curta de sono. O programa do dia seguinte incluía o nascer do sol no Uluru. Como você percebeu, todos os programas em torno das rochas envolvem o nascer e o pôr-do-sol. Primeiro que por ser verão, as temperaturas são altíssimas e atividades ao ar livre entre 12 e 16 horas, um desafio e, segundo, por serem as pedras famosas pela mudança de cores que acontece nestes momentos. Assim, sem muita animação, despertamos às 4:15 da madrugada para encontrar nosso grupo. O hotel provê um lanchinho em uma caixa para aqueles que têm o café-da-manhã incluso e não poderão desfrutar do benefício por conta do passeio (deve ser solicitado com antecedência).

O ônibus estaciona numa área previamente preparada para que se aprecie o nascer do sol (Talinguru Nyakunytjaku). É tudo muito rápido, e no dia em questão havia nuvens, então não houve uma mudança dramática de cores. Vimos o sol nascer, comemos nosso lanchinho e em menos de meia-hora estávamos de volta ao ônibus para o trajeto até a base do Uluru em Kuniya Piti.
A caminhada completa em torno da rocha de aproximadamente 9 km inclui percorrer a “Base Walk” mais a “Lungkata Walk” e a “Mala Walk”. Nosso tour percorreu a pé parte da Base Walk no trecho entre Kuniya Piti e Mutitjulu - reservatório de água da chuva (waterhole) onde estão as rochas com pinturas rupestres e a Mala Walk até Kantju Gorge (cachoeira de 90 metros). Os demais trechos foram percorridos em ônibus.

Os guias distribuem garrafas de água mineral, protetor solar e insistem para que todos usem bonés e/ou chapéus – o calor é intenso e o trajeto, sem sombras. A caminhada é interessante e a todo momento os guias param para explicar o significado daquele ponto em particular no misticismo anangu. Em vários locais a fotografia é proibida.  Pede-se também que não se fotografe os anangus , eles acreditam em honrar os mortos não pronunciando seus nomes ou vendo suas imagens por algum tempo, o que fica impossível se estranhos capturarem tais imagens e levarem-nas mundo afora.

Os anangus atribuem uma significância espiritual ao Uluru e Kata Tjuta. Acreditam ser os descendentes de seres míticos que criaram toda a terra  durante a “Tjukurpa” ou época dos sonhos, o período da criação, e como tal aceitam que nós visitantes sejamos recebidos como seus convidados, pedindo que respeitemos sua fé e costumes.

Estes seres míticos incluem cobras, um emu, um lagarto. Várias lendas são narradas pelos guias nas paradas ao longo da caminhada, assim como os hábitos deste povo: alimentação, comunicação, rituais de passagem.  Sabe-se que muitas outras lendas existem, mas estas são segredos passados apenas aos anangus “iniciados” na religião e permanecem um mistério.

Se ver o Uluru de longe é mágico, vê-lo de perto é instigante: a rocha é cheia de saliências e reentrâncias, poços de água, cascatas, refúgios, pinturas rupestres. Tocar na pedra é possível em alguns locais, mas levar pedaços para casa é considerado mau-agouro e várias histórias existem de turistas que foram amaldiçoados pelo Uluru ao exibirem pedaços da pedra como souvenir.

É possível também escalar o Uluru, mas este tema é extremamente controverso. Os anangus consideram o Uluru sagrado e escalar a montanha, um sacrilégio. Assim, na base da escalada há um pedido formal dos anangus para que você não o faça. Eles não proíbem a subida, apenas pedem que você “escolha” respeitar suas tradições. A maioria respeita, mas muitos ignoram, principalmente os orientais.

A subida só é liberada se o clima estiver estável, sem chuvas ou ventos fortes e a temperatura abaixo dos 36°C – assim, se você pretender subir nos meses de verão, deve ir bem cedo pois quase sempre por volta das 9 horas a escalada já está fechada.

Uma corda fixa foi instalada para ajudar na subida a partir de um certo ponto. A subida é extenuante e perigosa, alguns já morreram pelo caminho.  Demora-se praticamente 3 horas ida e volta. Não preciso dizer que não fomos, não parecia fazer sentido vir até este lugar remoto para conhecer as tradições anangu e de cara desrespeitá-las. De qualquer forma, é uma opção de cada um, só leve em consideração suas condições físicas e as recomendações dos guias locais.

Depois de completarmos o roteiro fomos de ônibus até o Centro Cultural (você também pode fazer a caminhada a pé – a Luru Walk é uma caminhada tranqüila que se completa em 1 hora e meia aproximadamente).
O Centro Cultural é uma obra arquitetônica premiada. Dois prédios construídos em forma de serpentina para lembrar a historia das cobras ancestrais “Kuniya” e “Liru”. As exposições ilustram os mitos da Tjukurpa, falam sobre as tradições e costumes dos anangus e eventualmente alguns deles aparecem para contar histórias e observar os visitantes. Há algumas lojas no local vendendo arte aborígene e souvenires.

A brochura do Centro Cultural é primorosa, ilustra todas as lendas que você já ouviu a esta altura, as caminhadas e trilhas do parque, a fauna e flora da região, ensina algum vocabulário anangu e dá até explicações sobre a geologia do local, não deixe de pedir uma na entrada.  O tempo reservado pela ATT Kings para explorar o Centro Cultural era absolutamente insuficiente.  Teríamos ficado muito mais.

De volta ao hotel, desfrutamos de um almoço rápido no Gecko’s e uma bela “siesta” para nos recuperarmos do despertar tão cedo e da caminhada sob o sol.

Encontramos nosso grupo para a visita à Kata Tjuta por volta das 15:30. O ônibus parte diretamente para a base da rocha onde percorremos sozinhos (eles chamam de “self-guided tour”) os 2 km até a base do Walpa Gorge – uma caminhada de uma hora, ida e volta.

Kata Tjuta é um conjunto de domos (cerca de 36) dos mais variados formatos e alturas (kata tjuta em anangu significa “muitas cabeças”). Sua composição e origem geológica diferem daquela do Uluru.

Para algumas pessoas, Kata Tjuta é ainda mais impressionante que o Uluru, pelas inúmeras reentrâncias, “gorges” e nichos que podem ser explorados. Há ainda uma caminhada que não fizemos – a caminhada do vale do vento, “Valley of the Winds Walk”, um tanto quanto mais complexa com seus cerca de 7,5 km normalmente percorridos em 3 horas. Tal qual a subida do Uluru, ela está aberta apenas nas primeiras horas da manhã e fecha assim que as temperaturas atingem 36°C ou no caso de chuva e/ou fortes ventos.

Apreciamos muito a caminhada, o sol já estava mais brando, há sombras durante todo o trajeto. Logo no início, nos deparamos com pequenos cangurus alimentando-se livremente. E na volta....bem na volta avistamos camelos por todos os lados. Isso mesmo, camelos.... Já tínhamos ficado intrigados quando soubemos que passeios a camelo ao redor do Uluru eram oferecidos, mas finalmente entendemos o porquê.

Ao que parece, camelos foram primordiais ao permitir que os desbravadores cruzassem os lagos de sal que isolam o deserto australiano - os cavalos padeciam com o sol e a escassez de água. Assim, os ingleses “importaram” alguns camelos do Oriente Médio e finalmente completaram a travessia, encontraram o que é hoje o parque nacional e estabeleceram estradas, linhas telegráficas, pistas de pouso.

Mais de 10.000 camelos foram importados para o outback. Fazendas de criação foram estabelecidas. Mas, uma vez completos os projetos, os camelos perderam sua utilidade. Diz a lenda que resolveram então “se livrar” dos camelos e simplesmente os liberaram no deserto australiano a sua própria sorte. E contra todas as expectativas, eles não só sobreviveram, como  triunfaram. Há hoje mais camelos no deserto australiano do que no próprio Oriente Médio, estima-se uma população de quase um milhão deles!

Saímos de Kata Tjuta diretamente para uma das áreas de observação do pôr-do-sol no Uluru. Para nossa surpresa, estávamos muito mais próximos da pedra do que no Sounds of Silence e assim o espetáculo fica muito mais bonito. O pessoal da ATT King monta uma fila de cadeiras de frente para a pedra e serve espumantes, sucos e aperitivos para celebrar o final de mais um dia de explorações no deserto. Adoramos!

Voltamos para o hotel – mergulho na piscina, minutos de relaxamento e fomos em busca de um lugar para jantar – 21 horas e tudo absolutamente fechado. Até o supermercado estava fechado. Um absurdo tão grande que não há palavras...O jeito foi dormir de barriga vazia!

Partida: finalmente experimentamos o café da manhã do Deserts – totalmente dispensável. Não pague um tostão a mais em sua diária por ele. Nenhum atendente, um buffet esvaziado, poucas opções, nada gostoso.

Fizemos o check-out e partimos com nosso motorista da SEIT para o aeroporto, novamente driblando a fila dos muitos que chegaram alguns minutos depois no ônibus gratuito. O aeroporto é pequeno, mas é lá que fica a melhor loja de souvenires que tínhamos visto até então. Produtos locais, ótimas opções... Em poucos minutos estávamos novamente a bordo de um voo da Qantas, desta vez rumo ao norte, para Cairns, no estado de Queensland.

Se vale a pena ir até o outback? Para nós, não há dúvidas. É diferente de tudo o que você possa ter visto antes, o povo tem uma sabedoria e resiliência admiráveis. As pedras são lindas, inspiradoras. As caminhadas enriquecem e fazem refletir. Só não espere que sua experiência de hospedagem e alimentação seja excelente, pelo menos enquanto as coisas não mudarem, você “sobrevive”ao resort.






[1] Soubemos de uma família que conseguiu hospedar-se no hotel com crianças de 12 e 15 anos – segundo eles o hotel pode abrir exceções em época de baixa-temporada. Se você se interessou pelo local, vale confirmar.
[2] Reservas podem ser feitas no site do resort (http://www.ayersrockresort.com.au/sounds-of-silence/).