quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SOS! CADÊ OS FINS-DE-SEMANA PROLONGADOS?


Se você, como nós, é viciado em viagens - qualquer tipo de viagem, desde uma volta pela Europa até aquela escapadinha de fim-de-semana para a praia - já está olhando decepcionado o calendário do segundo semestre desse ano. Os "viajaholics" acabaram de voltar das férias de julho e, esperançosos, começaram a perscrutar os meses: setembro, outubro, novembro... Passaram as páginas do bendito calendário para a frente, para trás, e nada. No final, a triste conclusão: o segundo semestre só tem UM feriado emendável, o do dia 15 de novembro, exceto para aqueles felizardos cujos filhos têm a semana do saco cheio. Todos os outros feriados cairão às quartas-feiras.

O pensamento se esgueira pelo seu cérebro, logo depois da decepção... Você tenta evitá-lo, mas, com um brilho nos olhos, não pode ignorar aquela ideiazinha que teima em dominar seus pensamentos: "e se as crianças faltarem à escola?"

A maioria dos pais sente um misto de "eureka!" e culpa diante dessa ideia. "Eureka!" porque, se as crianças faltarem à escola, você poderá dar uma escapadinha no segundo semestre, e ainda por cima pagar mais barato pela viagem. Afinal, enquanto todo mundo estiver ralando (de trabalhar ou de estudar), vocês estarão em Buenos Aires ou Campos do Jordão curtindo a primavera numa cidade vazia de turistas. Mas junto vem sempre a culpa. Afinal de contas, muito poucas pessoas poderão dizer que faltar à escola é 100% correto e isento de consequências - algumas das quais bem nefastas, e que serão suportadas quase sempre por seus filhos, não por você...

Por isso, aproveitamos esse segundo semestre "árido", em que poucos feriados serão emendáveis, para levantar a discussão sobre esse assunto. Tentamos colher argumentos a favor e contra, bem como recomendações úteis, no caso da família optar por tirar as crianças da escola.

Obviamente, nós do FR também temos nossa opinião. Vamos compartilhá-la logo de cara, assim poupamos ao leitor o trabalho de ficar tentando ler nas entrelinhas. Na grande maioria dos casos, somos contra as crianças faltarem na escola para ir viajar. Para isso, já existem longos períodos de férias duas vezes ao ano. Nos prós e contras a seguir, explicaremos os motivos para nossa resistência (pessoal) a tirar as crianças da escola. Mas também colocaremos o "outro lado", para que os leitores possam pesar os dois e formar sua própria opinião. Com isso, esperamos ser úteis e iniciar uma discussão, principalmente entre a escola e os pais, para que as crianças jamais sejam prejudicadas.

Antes de qualquer decisão, nunca deixe de perguntar aos seus filhos como eles se sentirão ao faltarem à escola em determinado período. Algumas crianças, principalmente da faixa etária dos 6 aos 10 anos, se sentem muito mal ao quebrarem regras estabelecidas pela professora. Ou então seus filhos podem ter algum evento ou projeto na escola para o qual estão especialmente empolgados. Não tire deles a oportunidade de participar! Se acreditamos que a viagem é para benefício principalmente da família, então não podemos deixar de lado a opinião das crianças.

Pró: viajar fora de época é mais barato.

Essa é a primeira e indiscutível vantagem de viajar enquanto todo o resto da classe, da escola e do País estão comportadamente sentados nas carteiras. Quem já cotou viagens dentro e fora da temporada, principalmente se for Réveillon ou Carnaval, já caiu da cadeira ao ver a diferença de preços entre elas. Uma viagem para a virada do ano pode custar até quatro ou cinco vezes mais caro do que em época de aula. Por isso, algumas famílias argumentam que essa é a única forma de terem poder aquisitivo para realizar determinada viagem.

Contra: ensinar seus filhos a viver dentro das possibilidades.

Por outro lado, conhecemos várias famílias que, com muita disciplina, luta, economia e maturidade, conseguiram juntar dinheiro para ir até mesmo aos destinos mais caros, como no caso da Disney, em pleno mês de julho. A outra alternativa é seguir a dica de nosso post "Como Sabotamos Nossas Viagens", e fazer a conta ao contrário: veja quanto conseguirão pagar na viagem, e saiam à cata de destinos que caibam no orçamento.
É claro que não poder viajar como quisermos, na época em que quisermos, e ainda tendo que economizar e abrir mão de alguns passeios para poder ir nas férias é chato, ninguém gosta. Mas pense no valor educativo que uma medida dessas pode ter para seus filhos. Você está mostrando a eles que, mesmo abrindo mão de certas coisas, vocês batalharam juntos e conquistaram uma viagem muito especial.

Uma família amiga nossa convocou as crianças para ajudar a poupar para pagar a viagem -economizando luz e água, abrindo mão de algum mimo para ajudar a pagar as prestações, abrindo mão de presentes luxuosos e caros em troca de dinheiro dos tios e avós no aniversário, e assim por diante. Dessa maneira, juntos conseguiram pagar a viagem dos sonhos à Disney, ficando lá por 10 dias e hospedados dentro do complexo. Um luxo!

Temos certeza de que as crianças que colaboraram com as viagens dessa maneira levarão consigo um aprendizado incomparável, que as acompanhará pela vida toda. Então, conquistar uma desejada viagem em plenas férias pode ser uma das primeiras lições de vida que você ensinará aos seus filhos!

Pró: meu filho vai estar aprendendo muito mais numa viagem do que fechado numa sala.

Verdade. Ninguém em sã consciência pode questionar o valor educativo de uma viagem. Viajando, as crianças conhecem novos lugares e culturas, aprendem alguns detalhes práticos como calcular o tempo para pegar um avião ou lidar com dinheiro estrangeiro, aprendem a esperar e ter paciência, comem comidas diferentes, têm contato com outros idiomas. Isso tudo sem contar a diversão e as memórias maravilhosas que as viagens ajudam a formar!

A viagem pode ser o primeiro estímulo para seu filho se interessar profundamente sobre algum assunto, e acabar "entendido" naquilo - para o resto da vida! Foi em Barcelona, por exemplo, que, visitando o aquário, não uma, mas duas vezes em uma semana, nosso filho começou a se interessar por peixes. Agora sabe de cor o nome da maioria dos peixes e criaturas do mar, e está aprendendo sobre o relevo marinho e o ecossistema, através de livros e DVDs.

Ao contrário, algum assunto de muito interesse aprendido na escola pode ser a desculpa perfeita para escolher aquela próxima viagem. Para nós, foi Barcelona de novo! Depois de ter aprendido um pouco sobre a obra de Gaudí, nosso filho demonstrou interesse pela cidade, principalmente depois que um de seus melhores amigos foi passear lá. Quando estivemos em Paris, fizemos questão de visitar o Museu D´Orsay, pois sabíamos que nosso filho havia visto algumas das pinturas expressionistas na escola. Foi tiro e queda: ao ver as pinturas ao vivo e a cores, reconheceu na hora e pediu até para tirarmos fotos dele na frente dos quadros.

Contra: o valor educativo da viagem é o mesmo, nas férias ou fora delas.

Isso também é indiscutível: o mesmo aprendizado que seu filho tem viajando no período escolar, ele pode obter viajando... nas férias. Se viajar durante as aulas, pode até aprender na viagem, mas seu filho vai estar perdendo o valor educativo da escola. Por mais que tentemos justificar, é claro que dias de ausência significam perda de conteúdo escolar.

Pró: alguns dias de aula não vão fazer muita diferença.

Seu filho já vai à escola cerca de 200 dias por ano, então dois ou três dias a menos não farão diferença.

Antes de mais nada, é preciso tomar um certo cuidado com isso: dependendo da criança, até uma semana em seguida poderá ser facilmente recuperável. Mas se seu filho já tem alguma dificuldade na escola, ainda que amena, faltar por vários dias pode aprofundar a diferença entre ele e o restante da classe, tornando bastante difícil o acompanhamento sem um esforço extra.

Se decidir deixar seu filho faltar, então escolha bem os dias em que isso vai acontecer. Converse com a escola ANTES de agendar a viagem, para fugir de épocas de prova, ensaios para grandes eventos da escola, períodos em que um novo assunto estará sendo iniciado. Normalmente, se a criança perder esses momentos, não conseguirá recuperar mais tarde. Coloque-se no lugar da criança: se você faltasse ao serviço durante 5 dias em que uma reunião ou projeto importante para sua promoção estivesse acontecendo, não se sentiria prejudicado? Pois bem, para a criança a escola é seu trabalho, então evite viajar em épocas críticas!

De qualquer modo, evite viagens muito longas no período letivo. Seu filho pode ser inteligente e esperto, e tirar de letra uma ausência de uma semana. Mas se ele ficar fora da escola três semanas, tenha certeza de que ele terá dificuldades na volta, não importa quão bom aluno ele seja!

Contra: para algumas crianças, um ou dois dias de aula já fazem muita diferença

Para algumas crianças - e não são poucas! - viajar em qualquer época escolar será prejudicial. Novamente, é importante conversar com a escola e ver em qual tipo seu filho se encaixa. Obviamente tendemos a acreditar que nosso filho é um bom aluno, muito inteligente, mas às vezes a orientadora ou a professora têm uma opinião diferente. Se seu filho tem alguma dificuldade, ainda que pequena, é de bom tom evitar faltas na escola.

Além disso, a frequência à escola está longe de ser uma questão "matemática". Se a escola deixar faltar 10 vezes, então devemos "aproveitar" para faltar o máximo possível? Em nossa opinião, não. Acreditamos que ensinar as crianças a comparecer a todos os dias de aula - exceto quando for impossível, como em doenças ou eventos inadiáveis - é, em última análise, ensinar a elas o valor dos compromissos. A escola é um compromisso seríssimo, e é praticamente a única grande obrigação das crianças. Então, desde cedo gostaríamos de ensinar a elas que faltas indiscriminadas equivalem a descumprir esse compromisso. É uma coisa pequena, mas que, acreditamos, ajuda a construir um senso de responsabilidade e respeito.

Se você decidiu tirar seus filhos da escola para uma viagem, veja algumas dicas:

Quando ir:

- Quando as crianças ainda forem pequenas - até 5 anos de idade - a escola ainda não tem "conteúdo" propriamente dito. Então, alguns dias provavelmente não farão diferença. Quando entrar na época da alfabetização, a partir do pré, já não é aconselhável faltar por longos períodos. Quanto mais velha a criança, maior o conteúdo e a variedade de matérias na escola, portanto mais e mais prejudiciais as faltas.
- Quando a data da viagem não for flexível e houver um bom motivo. Por exemplo, a família de imigrantes, que ainda vive na terra natal, decide fazer um grande evento para reunir todas as gerações em um lugar distante. Ou ainda uma celebração, como o casamento de um tio que mora longe. E assim por diante.
- Quando a escola não tiver nenhuma restrição. Há escolas que não se opõem às viagens em época de aula. Se você já conversou com os educadores, e seu filho não for daqueles que terá dificuldades maiores, arrume as malas e boa viagem!

Quando não ir:

- Quando a escola do seu filho der demonstrações de que é contra faltas por motivo de viagem. Se a escola do seu filho é contra saídas para viajar, é melhor não faltar. A escola deve ter bons motivos para isso. Se você não concorda de jeito nenhum com isso, e quer faltar uma semana em cada semestre todos os anos, então é melhor pensar em procurar outra escola, cuja filosofia combine melhor com a sua.
- Quando seu filho tiver alguma dificuldade, ainda que pequena. Ele pode acabar ficando bem para trás, se faltar quando já tem algum assunto que ainda não domina muito bem.
- Quando for a enésima vez que seu filho falta 3 dias para ir viajar no mesmo ano letivo. As ausências devem ser a exceção, não a regra.

Lidando com a escola:

- Seja um pai participativo SEMPRE. Não deixe para aparecer na escola pela primeira vez na véspera da viagem, avisando a professora que seu filho faltará à aula a partir do dia seguinte. Compareça às reuniões, converse com a professora ou a orientadora regularmente, verifique as lições de casa do seu filho todos os dias... Se você já tiver um relacionamento construtivo com a escola, no dia em que seu filho precisar faltar terá muito mais acesso e facilidade para lidar com isso.

- Não aborde os educadores como se fosse seu direito sair para viajar, e a obrigação da escola ajudar seu filho a alcançar os colegas na volta. Há poucas coisas mais irritantes do que isso. Ao contrário, procure ouvir a opinião dos educadores, pergunte como pode fazer para mitigar os efeitos indesejáveis da ausência, e prontifique-se a ajudar em casa, no que for preciso.

- Consulte a escola antes de marcar a viagem, se a data for flexível. Se a data não for flexível, então converse com os educadores pelo menos duas semanas antes. Assim, você ficará sabendo o que seu filho estará perdendo e pode até mesmo ajudar a escola, antecipando um pouco do conteúdo através de exercícios extra em casa, antes de embarcar.

- Pegue material com a escola, para trabalhar durante o período de ausência. Obviamente isso não pode ser feito na véspera do passeio. Novamente, é preciso conversar com antecedência para que a professora tenha tempo de preparar o material. E nunca se esqueça de que, caso a escola concorde em fornecer o material, a professora estará fazendo um favor a vocês, portanto, sinta-se agradecido e valorize o esforço que está sendo feito por seu filho.

- Tenha sempre "bala na agulha". Ou seja, evite ficar tirando seu filho da escola o tempo todo, para ir ao teatro ou ao Hopi Hari durante a semana, ou toda sexta-feira para chegar à praia sem trânsito. Reserve as faltas para aquela viagem realmente importante, necessária, ou especial. Ou, melhor ainda, deixe para viajar nas férias mesmo!

Por outro lado, você também pode exigir da escola algumas atitudes coerentes. Por exemplo, suponhamos que a escola é do tipo que não gosta que os alunos faltem ou emendem dias como a semana do Carnaval. Se seu filho for um dos poucos alunos presentes naquele dia, e a professora resolver passar um filme, daqueles que não têm nada a ver com o conteúdo do semestre, só para matar o tempo, a escola não estará sendo justa com aqueles alunos que compareceram. Portanto, coerência tem que existir de ambos os lados!

É claro que todas as opiniões dadas aqui são nossas, pessoais. Para algumas famílias, outros valores são mais importantes do que esses que colocamos aqui. Nos posts abaixo, há até um relato de uma família que tirou os filhos da escola por um ano inteiro. Então, cabe a cada família avaliar seus próprios valores e ver a decisão que os refletirá melhor, e assumir a responsabilidade pelas consequências depois.

Gostaríamos de deixar apenas dois alertas sobre situações que vemos com certa frequência:

1. Não use os "prós" acima como justificativa para uma decisão. Não adianta dar um milhão de desculpas pela opção feita, se depois você vai dar bronca no seu filho porque tirou uma nota vermelha no boletim. A ambiguidade é a coisa mais prejudicial na hora dessas decisões, e pode prejudicar sua família e seu filho mais do que você gostaria.

2. Nunca, em hipótese alguma, esqueça de considerar o lado da criança. É claro que, se você oferecer a ela a possibilidade de matar aula para viajar, a maioria aceitará alegremente. Mas cabe a nós, pais e adultos responsáveis, pesar todos os prós e os contras, e tomar uma decisão que não prejudique nossos filhos. Eles são pequenos e não podem tomar a decisão por si mesmos, então nós é que temos que ser os adultos nessa hora!

E, caso você esteja imaginando, os autores desse blog não são professores, apesar de termos professores na família. Mas valorizamos disciplina, compromisso e a educação de nossas crianças acima de tudo! As viagens, em nossa opinião, devem ajudar no seu desenvolvimento, não atrapalhar.

E você, o que pensa sobre o assunto? Poste sua opinião!

Leia outras opiniões em:
http://www.fodors.com/news/story_3260.html
http://www.familyvacationcritic.com/taking-your-kids-out-of-school-to-travel/art/

Post gentilmente revisado por A.K.Arahata.