domingo, 31 de outubro de 2010

UM DIA MARAVILHOSO NAS PRAIAS DO CEARÁ


Canoa Quebrada
Se fôssemos escolher uma única palavra para definir as praias do litoral leste do Ceará, escolheríamos esta: imensidão. As praias do Ceará parecem não ter fim, quilômetros e quilômetros de areia branca e mar verdinho se sucedem, ora pontuados por falésias, ora por dunas de areia, ora por enormes restaurantes na orla, que os cearenses singelamente chamam de "barracas". Mas não é só o tamanho que define as praias do estado; a beleza também é absolutamente estonteante, principalmente sob o sol que invariavelmente inunda toda a paisagem cearense.

Nosso passeio pelas praias ao leste de Fortaleza só durou um dia - um longo e intenso dia, das 8:30 da manhã até às 7 da noite - e deixou um gostinho de quero mais! As praias são tão lindas e o cenário tão variado, que pretendemos voltar lá um dia para curtir tudo isso com mais calma. Contratamos nosso tour com a Age Turismo, a agência indicada pelo Beach Park (http://www.ageturismo.com.br/), que foi muito pontual, competente e confiável. Temos certeza de que há várias outras agências em Fortaleza que fazem essse tour, portanto é só procurar.

Falésias de Morro Branco
O roteiro que fizemos incluia 3 praias: Morro Branco em Beberibe, Praia das Fontes e Canoa Quebrada (leia mais sobre o lugar nas reportagens:  http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u591164.shtml e http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=606681). Pelo que nosso motorista nos informou, o tour da CVC leva diretamente a Canoa, que, na nossa opinião, é a menos interessante das 3 praias (já já vamos dizer por que!) Portanto, se você quiser conhecer as demais praias, terá que usar uma das agências locais. É bom lembrar que todas as praias são distantes entre si, pois como dissemos o Ceará é imenso. Para ter uma ideia, Beberibe fica a cerca de 1 hora do Beach Park, e para chegar a Canoa, se for direto numa esticada só, demora 2:30 horas. Portanto, esse passeio que fizemos foi bem cansativo, e se tivéssemos oportunidade dividiríamos em 2, visitando Morro Branco e Praia das Fontes num dia, e Canoa no outro dia.

O motorista nos pegou no hotel às 8:30 da manhã, e seguimos para o posto de gasolina em Beberibe que serve de ponto de encontro e embarque nos bugues da Associação dos Buggys do Litoral Leste. O bugueiro nos deixou no alto das falésias do Morro Branco, para uma curta e linda caminhada pelos "canions" formados pelas areias coloridas, até a praia, onde nosso bugueiro estaria nos esperando. No início da caminhada, há um centrinho com pequenas lojas de artesanato. Algumas das peças feitas com a areia colorida típica do Ceará que encontramos aqui, não conseguimos mais achar em outros locais. Então, se você quiser comprar alguma lembrança, não deixe para depois, mesmo porque os vendedores levam suas compras até a praia, então você não precisa ficar carregando o que comprou.

No centrinho, você pode contratar um guia mirim, que o guiará através das falésias e explicará vários detalhes sobre a curiosa formação, falando um pouco sobre a vegetação, sobre o porque das areias serem coloridas, e até sobre o "Beach Park de pobre"... Os guias prestam serviço gratuitamente, e você é quem decide, ao final do passeio, quanto pagar a eles. Os meninos são bem treinados e versados, e apesar do caminho ser na verdade bem fácil de encontrar, achamos bom ter contratado um guia mirim.

Quanto às falésias em si, a paisagem é absolutamente estonteante. As areias coloridas, mais para o vermelho, em contraste com o mar verdinho ao fundo, salpicadas de mandacarus e outros cactos, formam uma imagem que é difícil esquecer... Pena que a descida acaba rapidinho - dura cerca de 20 minutos. Leve uma garrafa de água porque o sol é escaldante. Chegando à praia, seu buggy e mais 350 outros estarão esperando os respectivos passageiros, então certifique-se de decorar o nome e o rosto do seu motorista para não ter que ficar procurando!

Em seguida andamos um longo trecho pelas praias - Morro Branco primeiro, e em seguida a Praia das Fontes. As tais "fontes" são três bicas de água potável que são chamadas de fonte da juventude. Pra dizer a verdade, achamos meio sem graça, então não paramos nas fontes. Agora o restante da paisagem das praias é de tirar o fôlego! Distâncias enormes e desertas que só podem mesmo ser cobertas com um veículo, e uma sucessão de dunas e falésias aparentemente sem fim. Tivemos a sensação de que esse trecho onde os buggys são permitidos não é seguro para banho devido ao tráfego constante de veículos.

Lagoa de Uruaú
Depois de percorrer ambas as praias, o buggy entrou por um atalho e chegamos a uma área repleta de dunas de areia branca, em meio às quais fica a lagoa de Uruaú. Pertinho dali, há um lugar para praticar "esqui-bunda" na areia, mas, onde antigamente (de acordo com amigos nossos) havia um laguinho onde os "esquiadores" aterrissavam, hoje só ficou um fundo de areia seca. Portanto, o esqui-bunda de Uruaú não é mais o mesmo de antigamente! Como tínhamos um longo dia pela frente, dispensamos o esqui bunda e fomos direto para a lagoa. Demos um mergulho na água gelada, tomamos uma cerveja no barzinho que fica na margem, e pé na estrada de novo.

Uma palavra sobre os buggys: todos já ouviram falar sobre o perigo de se andar de buggy, seja no Ceará, seja em Natal, ou em outros lugares. De tempos em tempos ouve-se falar de acidentes com o veículo, alguns até fatais. No Ceará, esses acidentes são mais comuns na praia de Cumbuco, onde os passeios de buggy são feitos nos mesmos moldes de Natal (com "emoção"). No nosso passeio, pedimos para o motorista que dirigisse com cuidado, e a maior parte do tempo nosso filho passou sentado no banco do bugggy, ao invés de sentar na parte traseira, onde vão a maioria dos turistas. Se o condutor for cuidadoso, não há muito perigo em adultos andarem na parte superior, desde que se segurem o tempo todo. As crianças não devem sentar-se aí se o percurso for acidentado.

Contrate sempre um bugueiro filiado às associações, que supostamente são treinados e mais cautelosos. No percurso de Morro Branco e Praia das Fontes não há subidas nem descidas íngremes, e os bugueiros não fazem manobras radicais como em Cumbuco. De qualquer modo, se você achar inseguro ou que não vai se sentir bem, dispense o buggy. Nosso motorista disse que, se você alugar um carro ou contratar um motorista, é possível ir "pingando" de praia em praia e visitar todos os locais descritos aqui.

No final de nossa volta de buggy, reencontramos o motorista da agência mais à frente na estrada, e continuamos nosso caminho em direção a Canoa Quebrada. Dentro de uma hora, aproximadamente, chegamos à famosa cidade. Fomos recepcionados por ruas estreitas, construções aglutinadas e sem acabamento, em meio a outras coloridas e charmosas. Em todos os lugares, evidências de que o poder público não está conseguindo conter ou regular de alguma maneira as construções da cidade. Fizemos até uma pequena parada no centrinho (na rua conhecida como "Broadway"), para tentar comprar alguma lembrança para nossos familiares, mas na cidade praticamente não há artesanato autêntico.

"Barracas" de praia com até
três andares e dezenas de mesas
Depois de atravessar esse labirinto de ruazinhas, chegamos à praia propriamente dita. A chegada a Canoa é feita pelo alto, e a vista é maravilhosa. A praia, como as demais, é enorme, larga, com uma grande faixa de areia. Desde o primeiro momento pudemos ver que o lugar ferve: sobre nossas cabeças, parapentes passavam lançando sombras no chão; ao longe, inúmeras jangadas com as velas infladas atravessavam a água; debaixo de nós, subia um burburinho de música e vozes das imensas barracas de praia com dezenas de mesas; vendedores com seus mostruários e jegues atravessavam a areia de um lado para o outro apregoando mercadorias. Apesar de tão cheia de gente e de atividades, em Canoa você não tem a sensação de estar numa praia lotada, pois ela é simplesmente gigantesca.

Descemos a escadaria até a areia, onde almoçamos numa das barracas e ficamos curtindo a praia, cujas águas são mornas e mais mansas do que as outras praias do Ceará que frequentamos. O almoço estava muito bom (peixe frito), e a praia é realmente muito bonita, com seu mar esverdeado e as falésias avermelhadas elevando-se às nossas costas. No entanto, sentados na areia de Canoa Quebrada, observando o vaivem de turistas, vendedores e jegues, ouvindo várias músicas diferentes disputando o espaço aéreo, e vendo uma quantidade insana de barracas de praia enormes (até 3 andares) cobrindo as lindas falésias, não conseguimos deixar de pensar em... Porto Seguro!

Não que Canoa não tenha seus méritos e sua beleza, mas saímos de lá com a sensação de que o excesso de exploração e a falta de regulamentação pelo governo estão começando a ameaçar a autenticidade e a beleza do lugar. Os rumores de que a CVC vai começar a usar o aeroporto local para levar fretamentos a Canoa também ajuda a reforçar essa impressão. Talvez daqui a alguns anos essa seja a Porto Seguro do Ceará! Enquanto isso não acontece, corra para lá - ainda dá tempo de ver um pouco da beleza que fez essa praia ficar tão famosa.

Uma observação importante: se na sua família tem alguém com dificuldade de locomoção, enfrentará um certo problema em Canoa, pois o acesso à praia é feito por uma longa escadaria de madeira, que depois vocês terão que subir de volta na saída.

No fim da tarde, depois de curtir um pouco de sol e mar, nosso motorista nos levou de volta para o hotel. Na estrada que leva a Canoa, há um centro de artesanato que vende basicamente as famosas rendas do Ceará (vale a visita) e uma série de engenhos de rapadura, onde você pode parar para comprar o doce típico da região.

Esse passeio que fizemos foi cansativo, mas muito bom para termos um panorama de tudo que o Ceará tem de mais bonito. Mas pelo que ouvimos dizer, dá para ficar na região por pelo menos uma semana e não ter que repetir nenhuma praia... um ótimo plano para nossa próxima viagem a Fortaleza!

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