quarta-feira, 31 de julho de 2013

VANCOUVER NO INVERNO... VALE A PENA?

Nossa viagem foi assim:
Época: Janeiro *****
Hotel: Fairmont Vancouver *****; Crystal Lodge *****
Faixa etária das crianças: 9-11 anos *****
 



Whistler não tem aeroporto. Mesmo tendo sido sede das Olimpíadas de Inverno, os canadenses chegaram à conclusão de que construir um aeroporto na cidade seria jogar dinheiro fora e, principalmente, muito antiecológico. Então, aumentaram e modernizaram o aeroporto de Vancouver, duplicaram a estrada que liga as duas cidades, e foi dessa forma que economizaram alguns milhões de dólares e ainda receberam com toda comodidade as milhares de pessoas que foram até lá participar das Olimpíadas. Isso significa que você será "obrigado" a passar por Vancouver em seu caminho até Whistler. Aproveite e faça alguns passeios também na cidade, que é muito acolhedora e divertida - mesmo no inverno!


Não deixe de levar ou comprar casacos e calçados impermeáveis para a família, pois uma chuvinha fria e constante é a marca do inverno de Vancouver. Isso não intimida os canadenses, que saem para os parques e restaurantes com chuva e tudo. Faça o mesmo você também! Apesar de Vancouver ser um destino de verão, se a intenção é curtir a neve você terá que passar por aqui no inverno, e tem bastante coisa pra aproveitar.

Um dos aspectos mais encantadores da viagem, sem dúvida alguma, são os canadenses. Em todos os lugares onde você for, será tratado com muita simpatia, cortesia, respeito e profissionalismo. Mas não aquela eficiência fria que existe em alguns lugares nos EUA, e sim uma verdadeira acolhida de um povo que tem orgulho de seu país. Tanto em Vancouver quanto em Whistler, a impressão que se tem é de que as pessoas adoram seu trabalho e sua cidade. Nem é preciso dizer que isso torna a viagem ainda mais agradável e fácil.

Veja os passeios que fizemos em Vancouver:

1. Aquário de Vancouver *****: com certeza está entre os melhores que já vimos. Grande, com muitos e variados peixes e criaturas marinhas, algumas raras de se ver (águas vivas exóticas, toninhas, belugas, entre outros) organizado, limpo, e tem até uma lanchonete lá dentro que serve sanduíches gostosos de verdade, por um preço honesto. O principal diferencial do aquário são as belugas, doces baleias brancas do ártico, que dificilmente são encontradas em cativeiro. Como nosso filho é fanático por criaturas marinhas, não podíamos deixar de participar do Beluga Encounter. A reserva tem que ser feita antecipadamente, o preço é bem salgado, mas o encontro é inesquecível e, para nós, valeu cada centavo! Os visitantes separam a refeição das belugas (lulas, peixinhos, tudo pesado e controlado), e depois seguem para uma interação com uma delas. Ela fez acrobacias simples só para nós, a guia explicou detalhes anatômicos e dos hábitos das belugas, e tivemos a oportunidade de acariciá-las e brincar um pouco com elas. Apesar da água gelada, foi muito divertido e aprendemos muito. Ficamos surpresos com a textura da pele da beluga, que é como a de uma clara de ovo cozida ou tofu! Durante toda a interação, o respeito e o carinho da treinadora pela beluga é evidente, e, caso a baleinha decida sair nadando e não participar da interação com os visitantes, paciência...








2. Stanley Park *****: para aproveitar a neve em Whistler, é preciso visitar Vancouver em pleno inverno. Bem que tentamos ao máximo fazer como os canadenses e aproveitar ao ar livre mesmo com tempo ruim, mas não conseguimos andar muito no famoso parque de Vancouver, pois o frio estava de rachar! Apesar disso, foi o suficiente para vermos o quanto é bonito, preservado e majestoso, com árvores centenárias e lindas paisagens. Se você já assistiu Arquivo X, andando de carro por esse parque vai se lembrar imediatamente de estradinhas sinuosas no meio de florestas temperadas e enevoadas, onde inevitavelmente se escondia um corpo com mutilações inexplicáveis... Mas não é preciso ter medo, pois esse parque é muito seguro e bonito mesmo no inverno.



3. Bright Nights ****: aproveitamos a época de Natal para conhecer um dos shows de luzes de Natal de Vancouver, no Stanley Park. É uma exposição tradicional de enfeites e luzes de Natal, montada pelos voluntários de uma instituição ligada ao Corpo de Bombeiros, que ajuda as pessoas com queimaduras. A entrada é sua doação para a causa beneficente, e todo o trabalho lá dentro é feito por voluntários. São milhares de lâmpadas de Natal formando bonitas exposições e cenários por vezes ingênuos e até engraçados. Não se trata de uma decoração profissional como você encontra em shoppings aqui do Brasil ou na Disney, por exemplo, e sim um trabalho da comunidade, com um toque caseiro e muito bom humor. Além de ver as luzes, você pode dar uma volta no trenzinho de Natal, passando pelo meio da mata onde mais cenários iluminados e até uma rena dançante (um ator de verdade, em pernas de pau e fantasia de rena!) te esperam.




Compre o ingresso com hora marcada para o trenzinho antecipadamente, pois, principalmente aos finais de semana, ele lota e você pode não conseguir lugar. Não compre o ingresso para muito tarde da noite, pois o frio é mais intenso e as crianças estarão com sono por causa do fuso horário. Lembre-se que a partir das 4h da tarde já estará escuro! Não deixe de usar suas botas impermeáveis, pois o piso é de terra, e traga um guarda-chuva. É uma ótima oportunidade para sentir o clima do Natal canadense, vendo a alegria das crianças e das famílias, com um verdadeiro espírito de comunidade. Em nossa opinião, a única coisa em que o Bright Nights deixou a desejar foi no quesito comidinhas. Não havia muitas opções e o chocolate quente que experimentamos não estava lá grande coisa... Se você prefere decorações sofisticadas e produzidas, conforto e aquecimento, não vai achar muita graça no Bright Nights.

4. Granville Island *****: pegue um táxi e peça pra ele te deixar bem na entrada dessa ilha deliciosa logo de manhã. Aqui você terá opções para passar quase o dia inteiro, sem dúvida alguma. Em nossa opinião, os pontos altos de Granville Island para as famílias são o Kids Market e o Public Market.

O Public Market **** é um mercado gourmet onde você vai encontrar vários produtos, principalmente comida de todo tipo! É certo que esperávamos um pouco mais de produtos in natura, peixes, crustáceos, verduras, frutas, etc. Também tem, mas em pouca quantidade. O mercado é mais rico em padarias, cafés, lojinhas de produtos gourmet (salmão defumado, flor de sal, temperos variados), e até algumas banquinhas de artesanato e presentes. Aproveite para comprar o famoso salmão defumado para levar para casa. Pergunte se é do tipo que pode ficar fora da geladeira antes de fechar negócio! Existem vários tipos de salmão, mas o mais gostoso, bem vermelho e de sabor acentuado, e que não temos aqui no Brasil, é o sockeye salmon. Leia a embalagem com atenção para não errar. Aproveite a volta pelo mercado para parar em uma padaria, comer um doce ou um pãozinho diferente com um bom café. Se estiver hospedado em algum lugar com cozinha, compre os ingredientes para preparar você mesmo o jantar. Não tem como não ficar gostoso! Saindo pela porta dos fundos, você chega a um delicioso terraço com vista para a água de False Creek. Um ótimo lugar para tirar lindas fotos e deixar as crianças correrem, enquanto observam as aves aquáticas e até peixes que habitam a baía...





A parada obrigatória para quem tem criança de qualquer idade é o Kids Market ***** (*****). É praticamente um mini shopping de dois andares, com várias lojas vendendo tudo que você imaginar para crianças. Tem lojas de brinquedos diferentes, curiosos e educativos (mas sem serem chatos, é claro!), roupas diferentes ou comuns, fantasias, e até uma área com brinquedos e jogos eletrônicos. É um ótimo lugar para você comprar as roupas de esqui das crianças e muitos brinquedos diferentes. Reserve umas duas horas para ficar no Kids Market se quiser dar uma boa olhada em todas as lojas. Atenção, pois aqui também tem algumas lojas de brinquedos de baixa qualidade. Se quiser escolher bem, dê uma volta em todas antes de decidir onde comprar!


Se o tempo estiver ajudando, não deixe de dar uma volta também nas ruas ao redor de Granville Island. Há muitos ateliês, lojinhas de coisas únicas e diferentes, instrumentos musicais, artesanato e até coisas mais prosaicas como artigos esportivos. Explorar a ilha e descobrir coisas novas é uma delícia! E durante nosso passeio, paramos para almoçar num restaurante chamado The Sand Bar. O ambiente é muito gostoso e a comida, mais ainda! Recomendamos!

5. Canada Place ***: no verão, temos certeza de que deve ser um lugar delicioso para andar e ver gente, com eventos acontecendo e navios indo e vindo o tempo todo. No inverno, quando os navios de cruzeiro não atracam aqui, é meio vazio e bastante frio! Vale pela vista, que rende fotos maravilhosas, mas não vai tomar mais do que 30 minutos do seu tempo.


6. Cirque du Soleil *****: nossa família é fã do Cirque du Soleil e, sempre que temos oportunidade, assistimos aos espetáculos do Cirque pelo mundo. O Canadá é o país onde a empresa foi fundada, e é onde os shows inauguram suas turnês, então vale a pena verificar se há algum espetáculo em cartaz durante sua estadia. Assistimos Amaluna, um show novinho em folha que acabava de estrear. Uma outra vantagem de ver shows do Cirque fora do Brasil é que, por incrível que pareça, pode sair mais barato do que por aqui...

Queríamos ter ido à Capilano Bridge, uma ponte suspensa bem comprida e que parece emocionante. Mas o tempo esteve bem fechado enquanto estivemos em Vancouver, e, com os dias curtos do inverno, não tivemos tempo para uma excursão assim.

Comida gourmet... sem precisar deixar as crianças no hotel!

Uma das coisas mais gostosas de British Columbia em geral, e de Vancouver em particular, é a comida. Basta simpatizar com um café ou restaurante e entrar, pois em praticamente todos os lugares a comida é gostosa. Desde sanduíches em padarias até pratos sofisticados em alguns dos melhores restaurantes, em todos os lugares comemos muito bem. E uma grande vantagem para os foodies de plantão é que as crianças não precisam ser excluídas do programa. Mesmo em restaurantes mais sofisticados, onde os chefs desfilam suas criações elaboradas e cheias de sabores exóticos, há sempre uma opção ou um menu para as crianças. Então, aqui em Vancouver não é preciso recorrer ao McDonald´s antes do jantar dos adultos, ou deixar as crianças no hotel com a baby sitter!

Para ser bem honestos, a única refeição que tivemos durante toda a viagem, e que deixou a desejar, foi no Old Spaghetti Factory. Pode ser muito barato e famoso, mas a comida estava praticamente intragável! A unidade que visitamos foi a de Whistler, e pode até ser que em outras a comida seja melhor, mas com certeza não voltaríamos lá.

Eis alguns restaurantes recomendados, cuja comida realmente se destacou, desde os pratos principais feitos com ingredientes frescos e deliciosos (a maior parte da própria região), até as sobremesas divinas, que dão vontade de lamber o prato!

Em Vancouver, nosso preferido foi o Blue Water. Comida deliciosa e muito bem executada, e sobremesas que estão entre as melhores que já comemos na vida, sem dúvida alguma. Peça uma mesa perto do balcão da cozinha, de onde você poderá observar o belíssimo balé da cozinha executando e montando os pratos com concentração e competência, e dos garçons se enfileirando para levar tudo às mesas no momento certo. Para o tipo de comida, o ambiente até que não é formal ou "engomado", e sim alegre e descontraído. Mas não exagere: deixe o tênis, o chinelo e a bermuda para outro dia.

Também jantamos no Coast, bem no centro de Vancouver. O ambiente é mais jovem, um pouco escuro e com música alta, e as mesas estavam cheias de gente jovem e bonita curtindo e  mas nosso filho foi muito bem vindo e bem servido, e a comida também estava deliciosa.


Outro lugar no centro, com menu mais casual e porções maiores, bom para levar a família, foi o Joey Burrard Grill. Almoçamos lá por indicação da recepção do hotel, e não nos arrependemos! O menu é casual, incluindo algumas opções diferentes, e a execução e apresentação dos pratos é muito bem feita.


Em Whistler, nosso restaurante favorito sem dúvida foi o Araxi. O fato de ser da mesma rede do Blue Water já diz muito. A comida é tão boa quanto, apesar de termos sentado no bar (estávamos sem reserva) e o serviço ter sido um pouco atrapalhado por causa disso. Os donuts que comemos na sobremesa são simplesmente inesquecíveis.


Outro restaurante delicioso de Whistler, onde jantamos no Réveillon, é o Il Caminetto di Umberto. No dia, o menu era fixo por ser Ano Novo, mas tudo que comemos estava delicioso. Temos certeza de que a qualidade se mantém no menu normal também.


Um lugar bem informal, mas que tinha uma comida deliciosa era o Caramba. Um ótimo lugar para você parar para um almoço rápido durante suas compras na vila de Whistler.

Comemos também em outros restaurantes e cafés, onde simplesmente simpatizamos com o menu e decidimos entrar. Nenhum deles nos decepcionou. Uma curiosidade: em Whistler esses lugares mais informais têm a tendência de serem mais alternativos, com opções vegetarianas e ingredientes orgânicos. Às vezes nos sentíamos em plena Vila Madalena!

Bem, se você estiver disposto a superar a grande distância que nos separa de British Columbia, no Canadá, saiba que encontrará do outro lado um destino único, que vale a pena sem dúvida alguma. No inverno, uma das melhores estações de esqui do mundo. E no verão Vancouver ganha ainda mais vida e opções de lazer. Além da cidade propriamente dita, há dezenas de opções divertidas como trekking, cruzeiros para avistar baleias, esportes aquáticos, cruzeiros de duração mais longa até o Alasca, ou talvez um passeio até as Rochosas Canadenses a bordo do trem Rocky Mountaineer... São tantas opções diferentes, que já está nos nossos planos voltar lá um dia para aproveitar a região também no verão. Quando fizermos essa viagem, contaremos tudo pra vocês aqui no blog!

domingo, 14 de julho de 2013

WHISTLER: ESQUI É SÓ A CEREJA DO BOLO!

Nossa viagem foi assim:
Época: Janeiro *****
Hotel: Fairmont Vancouver *****; Crystal Lodge *****
Faixa etária das crianças: 9-11 anos *****
 


Quando pensamos em esquiar ou levar nossos filhos para conhecer a neve, as primeiras opções que vêm à mente são Argentina, Chile ou EUA. Como já estivéramos em estações de esqui nos três países, e conhecer Whistler, no Canadá, estava em nossos planos desde as Olimpíadas de inverno de 2010, não foi difícil chegar a um consenso sobre onde ir nas férias de janeiro...

Podemos dizer que Whistler superou todas as nossas expectativas, tanto nas pistas de esqui (do qual não somos lá grandes conhecedores, é preciso dizer), quanto fora delas. Uma combinação perfeita de esqui e passeios que exploram todas as oportunidades e a beleza natural do local, além de uma vila deliciosa e simpática, fazem da cidade um programa imperdível para quem gosta de neve.

A variedade de passeios e a estrutura são especialmente boas para famílias em que algumas pessoas esquiam e outras, não. Além disso, o lugar não é tão frio quanto outras estações: a temperatura chega a ser positiva durante o dia, e em nossa estadia não esteve abaixo dos -10oC em momento algum. A proximidade com Vancouver - onde passamos alguns dias para conhecer um pouco a cidade e acostumar com o fuso horário - é mais uma grande vantagem de Whistler.


Se há alguma desvantagem em escolher Whistler ao invés de outras estações, com certeza é a distância. De São Paulo, o voo mais fácil é com conexão em Toronto, o que significa que você levará quase 18 horas para chegar a Vancouver. De lá, mais 2h de ônibus ou carro até a estação. Assim, Whistler é ideal para uma viagem de, no mínimo, 12 dias: um para ir, um para voltar, 3 dias em Vancouver e 7 na montanha.

Nenhuma viagem de esqui é barata, pois, se somarmos hotel, aluguel de equipamento, aulas, e lift ticket, geralmente o valor fica bem alto. Uma viagem a Whistler tem os custos adicionais da passagem aérea (como dissemos, é longe!). Ficamos também um pouco surpresos com o valor do lift - U$1400 para 4 pessoas durante 4 dias - mas não chegamos a comparar com outras estações. Outro gasto adicional a ser considerado são os passeios - em Whistler há várias opções além do esqui e são todas bem caras. Tudo isso somado faz desse destino uma viagem particularmente cara.


Para economizar um pouco, há hotéis, restaurantes e lojas de aluguel de equipamentos que não têm acesso direto pela via de pedestres da vila (veja explicação abaixo). Esses são mais em conta, e valem a pena se não houver crianças muito pequenas na família, pois as distâncias geralmente são curtas e dá para andar sem problema nenhum.

"Twin peaks"

A estação de esqui de Whistler é formada, na verdade, por duas montanhas diferentes: Whistler e Blackcomb. Ao contrário de lugares como Aspen, por exemplo, em que a base das montanhas está separada por distâncias razoáveis, em Whistler as gôndolas que levam a uma e a outra saem praticamente do mesmo lugar, com poucos metros de distância entre elas.

Ao embarcar nas gôndolas, tanto de um lado quanto do outro, um universo de pistas de todos os níveis, teleféricos, cadeirinhas, parques de manobras radicais e até um parque de tobogãs (tube park) esperam por você. Basta abrir o mapa, escolher para onde quer ir, e subir no teleférico correspondente.


O sistema de transporte na montanha é muito amplo e impressionante. O mais interessante é que pedestres podem subir até o topo de Whistler sem precisar esquiar. Os dois picos são ligados por um bondinho grande, o Peak2Peak, com capacidade para 25 pessoas por carro, que cobre a distância de 4 quilômetros que as separa em pouco mais de 10 minutos. O bondinho é novinho em folha, muito moderno e suave. A vista lá de cima é impressionante, e o ticket diário para os lifts dá direito a andar no Peak2Peak também. Um passeio fantástico e imperdível, incluso no valor do ticket e que dá para fazer sem esquis... Não há desculpas para não fazê-lo!

O único senão das montanhas de Whistler e Blackcomb é que, no pico da estação, as gôndolas fecham entre 15 e 16h. O motivo é que após as 16:30 o sol se põe e tudo fica escuro. Para nós, iniciantes, algumas horas a mais não seriam grande vantagem, pois na hora do fechamento já estávamos cansados e com vontade de ir para um café tomar uma bebida quente... Para os esquiadores mais avançados, contudo, o período pode ser muito curto. Além disso, às 3 da tarde uma horda de esquiadores desce das pistas e invade a vila, especialmente as lojas de aluguel de equipamentos, para devolver os esquis. Tente sair da pista um pouco antes desse horário.

A simpática vila de Whistler.

Chegamos a Whistler de ônibus e fomos deixados na entrada "de trás" do hotel, onde há acesso de veículos. Whistler Village é uma ruazinha só de pedestres que serpenteia alegremente entre lojinhas e restaurantes. Quase todos os hotéis que têm acesso dessa vila são também acessíveis de carro, por ruas que correm paralelamente a ela dos dois lados. Nessas ruas "de trás" da vila propriamente dita, há hotéis mais em conta que não têm saída direto para a rua de pedestres, mas basta atravessar alguma passagem para chegar a ela.


A rua de pedestres é relativamente comprida e é perpendicular às duas montanhas. Pode-se dizer que ela começa ao pé das montanhas, em Skiers´ Plaza, e vai se afastando até desembocar na Olympic Plaza. Isso significa que alguns hotéis, localizados mais perto de Olympic Plaza, estarão a cerca de 15 minutos de (lenta) caminhada das pistas de esqui.


Se você não está acostumado a andar em botas de esqui, sugerimos se hospedar próximo a Skiers´ Plaza, ou alugar um armário no subsolo do Carlton Lodge, onde está localizado o centro operacional da estação de esqui, para guardar seu equipamento e não ter que andar grandes distâncias com as botas, que são extremamente duras e desconfortáveis.

Ficar hospedado em um hotel na vila é muito gostoso e conveniente. Você sai do hotel e todos os cafés, restaurantes e lojas estão ao seu alcance, além de ser muito seguro para passear com as crianças e deixá-las brincar na neve que se acumula nos canteiros laterais.

Aprendendo (enfim!) a esquiar.

Aproveitando nossa estadia em Whistler, queríamos que nosso filho pudesse realmente aprender a esquiar, coisa que em nossa breve passagem por El Colorado, no Chile, não havia acontecido. A qualidade das instalações para iniciantes e das escolas de esqui que visitamos abaixo do Equador deixou um pouco a desejar. Em algumas das estações em que estivemos na América do Sul e EUA, também sentimos uma pontinha de preconceito dos locais contra iniciantes meio atrapalhados como nós.

Em Whistler, as instalações para iniciantes são as melhores que já vimos, e, apesar de ser uma estação de nível profissional onde os maiores campeões do mundo treinam, os novatos são muito bem-vindos e bem tratados, de maneira muito profissional, sem nenhum preconceito.


A pista utilizada para as primeiras deslizadas dos novatos é larga, comprida e bem lisinha. A neve é impecável, pois, ao contrário de outras estações em que a área de ensino fica no sopé da montanha, a de Whistler é acessada após uma longa subida por uma gôndola, e portanto está localizada numa altitude maior. Além da neve excelente, o maior trunfo da pista de iniciantes de Whistler é o Magic Carpet. Imagine uma esteira rolante, como essas de supermercado, só que bem comprida. É ela que leva os esquiadores para o topo da pista, com muita facilidade e segurança.



Se você já fez uma aula de esqui, deve se lembrar das vezes sem conta em que teve que subir a pista apoiando-se de lado nos esquis, com toda aquela roupa, botas e pesados esquis nos pés. Em Whistler, graças ao Magic Carpet, isso não é necessário, e você pode gastar todas as suas energias aprendendo a descer a montanha esquiando, ao invés de subindo.

O resultado não podia ser melhor. Depois de apenas 3 manhãs de aulas de esqui, adultos e crianças da família que nunca tinham esquiado utilizavam a cadeirinha com desenvoltura, e no último dia descemos quase metade da montanha esquiando, até chegar à vila de Whistler. Nas subidas de gôndola, frequentemente compartilhávamos espaço com esquiadores de alta performance, totalmente equipados, e podíamos vê-los descendo por pistas vermelhas e pretas a toda velocidade. Whistler é um lugar privilegiado, em que você pode ser um iniciante e estar bem lá, no meio de toda a ação, e ter oportunidade de realmente aprender a esquiar.



Muito além do esqui

Nosso objetivo ao ir para Whistler foi aprender a esquiar, mas ao pesquisar a cidade descobrimos muito mais que isso. Com a ajuda dos agentes do www.whistler.com, escolhemos e reservamos vários passeios, antes mesmo de sair de casa.

Como estávamos indo no pico da alta estação, bem no Réveillon, ficamos temerosos de que não conseguiríamos fazer as reservas ao chegar à cidade. No final, a reserva antecipada para a maioria dos passeios não teria sido necessária, pois, apesar de estar com sua lotação máxima, Whistler administra muito bem suas multidões e nenhum passeio esteve lotado, atrasado ou mal organizado. Mas, fazendo as reservas com antecedência, pudemos utilizar nosso tempo por lá apenas passeando e nos divertindo, sem ter que nos preocupar em parar para montar nossa programação no meio da viagem. Além disso, respeitando a política de cancelamento (geralmente 24 horas de antecedência), pudemos até desistir de um dos programas e recebemos reembolso integral.

Para programar seus dias na cidade, tenha em mente alguns fatores:

1. O sol se põe às 16h. Portanto, se agendar um passeio de trenó de cachorros, por exemplo, após as 15h, tenha certeza de que voltará no escuro e no frio congelante!

2. Os meios de elevação das pistas de esqui abrem mais ou menos às 9:00 e fecham por volta das 15:00. Portanto, se esquiar está nos seus planos, leve isso em consideração. Não só é um período curto, como requer algum planejamento caso você esteja querendo subir até o topo da montanha e descer esquiando. O trajeto todo, para iniciantes como nós, pode demorar quase 2h, portanto não deixe para fazer isso no final do dia.

3. Enquanto estivemos lá, os dias estavam ensolarados e lindos. Não perdemos nenhum passeio ou passamos por desconforto algum, mas a possibilidade de enfrentar dias de nevasca é grande. A maioria dos passeios não é cancelada se houver a mínima condição e segurança para acontecerem, mas, para criaturas tropicais que nem nós, será um dia miserável e gelado com toda certeza. Sempre acompanhe a previsão do tempo dia a dia, e cancele os passeios se achar necessário.

4. O fuso horário de 5 ou 6 horas não está pra brincadeira! Alguns podem se adaptar mais rápido, mas o mais certo é que no início da viagem todo mundo caia duro na cama às 9 ou 9:30 da noite. Assim, não agende nada importante nas primeiras noites.

Seguem os passeios que fizemos em Whistler e nossa opinião sobre cada um:

1. Dogsledding *****: andar num trenó puxado por cachorros - e se você quiser, pode até mesmo guiar seu próprio trenó! - é uma coisa tão fora da nossa realidade que parece um sonho. A paisagem é de tirar o fôlego, os cachorros são muito alegres e mansos, e a experiência é de uma rusticidade e encantamento difíceis de descrever. Em inglês existe uma expressão - winter wonderland - e depois de fazer esse passeio você entenderá exatamente o que significa.


Prepare-se para um frio de rachar, pois o trajeto é no fundo de um vale gelado. Os passageiros ajudam a colocar as correias nos cachorros, segurar as rédeas e podem até mesmo guiar o trenó. Vale muito a pena! Só não deixe para ir depois das 3 da tarde, pois fica escuro e frio de verdade. Uma dica: não deixe de comprar as fotos oferecidas no passeio, são realmente bonitas e profissionais.


2. Ziptrek Ecotours *****: uma série de tirolesas atravessa ziguezagueando o vale do rio que divide as duas montanhas - Whistler e Blackcomb. Os guias que levam os pequenos grupos nesse passeio são muito animados e prestativos, e têm bastante paciência com aqueles que têm medo de altura, etc, além de darem muitas explicações sobre a flora, a preservação da natureza... Um belo exemplo da consciência ecológica dos canadenses. Tudo é muito organizado e seguro, e exige um pouco de disposição física, pois é preciso andar com o equipamento, subir e descer escadas, andar por pontes pênseis...


Tudo começa com um pequeno treinamento em uma tirolesa pequena na própria estação de esqui. Depois, o grupo embarca numa van e vai até a floresta, onde fará 5 tirolesas sobre o rio. Existem tours maiores ainda, com 7 ou mais tirolesas, mas para nós já seria um pouco demais... Se você tiver muito medo de altura, evite. Se tiver pouco medo, é capaz até de superá-lo depois dessa experiência incrível. Passar voando por cima de um riacho semicongelado a 30 metros de altura, cercado por duas montanhas lindas acaba com qualquer trauma de infância! Apesar de ter que andar um pouco, agasalhe-se bem, pois faz frio mesmo com sol.



3. Sleigh Ride *** e Fondue *****: fomos levados de van até a sede do clube de golfe Nicklaus North, onde embarcamos em charretes com esquis no lugar das rodas, puxadas por cavalos. Demos uma volta no campo coberto de neve, mas estava muito escuro e não dava pra ver nada! A voltinha dura uns 30 minutos, e, apesar de escuro, é divertido. Depois, de volta à sede do clube, uma fondue deliciosa é servida no restaurante. A de queijo é um capítulo à parte, uma delícia. Mas a novidade mesmo foi a fondue de carne, que, ao invés de frita no óleo, é cozida em um caldo aromático. Além de alguns tipos de carne, salmão fresquinho e camarões gorduchos estão no menu... Delicioso!

4. Peak 2 Peak *****: Whistler é formada na verdade por duas montanhas quase gêmeas, separadas por um vale cinematográfico. Unindo os dois picos, há o Peak 2 Peak, um bondinho aéreo que vence o vão de 4 quilômetros com muita tecnologia e diversão. Cabem cerca de 20 a 25 pessoas em cada bonde. Alguns deles, de cor vermelha, têm o fundo de vidro no meio: olhando para baixo, você verá a neve, o riacho, as pessoas e as árvores passando láááá longe. Para pegar os de fundo de vidro, a fila é maior e separada. Se não fizer questão do fundo, pode embarcar em qualquer um.


A vista é impressionante, montanhas cobertas de neve, árvores a perder de vista, esquiadores passando para todos os lados. E, como dissemos, está incluso no preço do ski lift. A vista do topo das duas montanhas é maravilhosa, mas nossa preferida é a de Blackcomb. Portanto, não deixe de reservar alguns minutos para apreciar a vista lá de cima antes de voltar!




5. Coca Cola Tube Park *****: uma ótima opção para depois que as pistas fecharem, pois fica aberto até um pouco mais tarde. Você paga um valor fixo e pode descer durante uma hora, duas horas ou mais. Uma hora é suficiente para descer umas 5 vezes. É proibido ir com botas de esqui, portanto não adianta querer descer direto da pista de esqui para o Tube Park. Prepare-se para subir bastante, pois o acesso ao parque é feito por escadas no meio da mata (nada do outro mundo, mas é preciso um pouco de disposição). Você paga o ticket e pega uma boia, sobe na esteira rolante e deixa a vida te levar! A descida é muito mais rápida do que parece, e muito divertida! Não deixe de vestir roupas quentes e calças impermeáveis, pois o bumbum fica gelado rapidinho! A família inteira pode descer junta, bastando um segurar na boia do outro. Os funcionários no início da pista são muito prestativos e ajudam você a se acomodar e começar a descida sem stress.



E já que veio até aqui...

Whistler não tem aeroporto. Mesmo tendo sido sede das Olimpíadas de Inverno, os canadenses chegaram à conclusão de que construir um aeroporto na cidade seria jogar dinheiro fora e, principalmente, muito antiecológico. Então, aumentaram e modernizaram o aeroporto de Vancouver, duplicaram a estrada que liga as duas cidades, e foi dessa forma que economizaram alguns milhões de dólares e ainda receberam com toda comodidade as milhares de pessoas que foram até lá participar das Olimpíadas. Isso significa que você será "obrigado" a passar por Vancouver em seu caminho até Whistler. Aproveite e faça alguns passeios também na cidade, que é muito acolhedora e divertida - mesmo no inverno!

Conheça na nossa próxima postagem alguns dos programas que fizemos em Vancouver, e alguns restaurantes que experimentamos no Canadá!