segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PORTOS DO ALASCA: SKAGWAY, SITKA E ANCHORAGE

Por M.C.Carvalho
Fotos J.A.Carvalho


Skagway: cidadezinha estranhamente
parecida com a Disney...



Hoje publicamos o último post sobre essa incrível viagem ao Alasca. Você vai conhecer os demais portos de parada do cruzeiro: Skagway, Sitka e Seward (próximo a Achorage). Veja todas as dicas do que fazer em cada um deles!

Skagway:

Era ainda madrugada quando aportamos nesta cidade de 800 habitantes ao norte da Inside Passage. Skagway é conhecida como a porta de entrada para o Yukon, no Canadá, onde foram descobertas grandes quantidades de ouro no final do século XIX e para onde fluíram exploradores em busca de fortuna no local que ficou conhecido como o Vale do Klondike. O ouro estava distante, neste vale acima das montanhas e muitos pereceram tentando chegar até lá. Hoje, uma estrada de ferro construída em 1898, e preservada, parte do porto bem na frente do seu navio e leva turistas para conhecer o percurso original com sua vista deslumbrante (a estrada de ferro em apenas 20 milhas ou 32 km sobe cerca de 1000 m de altitude, um feito de engenharia para a época). No menu de excursões da Regent há duas opções que incluem o passeio ferroviário – a excursão de ida e volta no trem que chega até o topo do White Pass e retorna, e a excursão que vai de trem, chega ao White Pass, cruza a fronteira com o Canadá e de ônibus segue até a ponte suspensa de Yukon, onde você desembarca e se aventura pela ponte e o centro de visitantes e depois continua para Skagway em ônibus por um percurso distinto. Esta segunda opção implica passaporte com visto para o Canadá.

Depois de muita discussão familiar, acabamos não fazendo nenhuma das duas, mas lamentamos nossa escolha posteriormente em conversas com outros passageiros. Ficou claro que era mesmo uma excelente opção para este porto, até porque ambas retornam com tempo suficiente para se fazer bastante coisa na cidade. De qualquer forma, estávamos procurando por uma atividade mais aeróbica e escolhemos o passeio de bicicleta pela cidade morta de Dyea. Dyea, assim como Skagaway , era ponto de partida dos exploradores, mas acabou preterida por Skagway e desapareceu do mapa. O passeio de bicicleta de aproximadamente 8 km leva você por trilhas na floresta, beirando o mar e por áreas com vestígios da então cidade. O guia para constantemente para dar explicações, e o passeio acabou por não ser assim tão aeróbico, mas muito cênico e agradável (a bicicleta e todo o equipamento de segurança são providenciados e as crianças precisam ter um mínimo de 1,37 m de altura).

Na volta ainda deu tempo de lanchar na cidadezinha, que mais parece um trecho de Main Street, USA no Magic Kingdom da Disney em Orlando, para quem já foi. Ruazinhas e ruazinhas com casas e lojas com frentes de madeira pintadas em mil cores. O excelente café da ferrovia White Pass & Yukon Route oferece cappuccinos e rosquinhas; para um lanche mais completo o Red Onion Saloon provê a atmosfera turística reminiscente dos antigos saloons. Há walk tours oferecidos pela Regent para explorar a pé a cidadezinha e conhecer seus marcos e prédios históricos.

Peneirando ouro (de verdade!)
em Skagway
Fizemos também o passeio do Klondike Gold Mining, uma pequena excursão de van até uma área ao norte da cidade onde existe uma réplica de uma máquina (gold dredge) usada para extrair pedras dos rios onde posteriormente se peneirava ouro. A instalação lembra uma atração de parque temático, com monitores vestidos a caráter e instalações montadas para recriar o clima da exploração do ouro nos idos de 1898. Ao final, cada convidado recebe uma bateia com pedriscos e águaonde – após uma orientação dos monitores – se prospecta ouro (que obviamente havia sido previamente colocado em cada uma em pequenas quantidades). Pequenos vasilhames são distribuídos para que cada um coloque o ouro obtido – as quantidades variam de acordo com a habilidade. Nós conseguimos 2,4 g de ouro, o recorde do grupo foi 3,1g. O ouro é pesado e valorizado. Nossas parcas 2,4 g valiam aproximadamente R$ 30 para deleite das crianças. O ouro porém não pode ser vendido ali (há restrições para o comércio do ouro), você o traz de volta para o Brasil como souvenir. Tudo soa muito turístico demais, e mesmo com todas as explicações em inglês, para espanto geral, meu garoto de 8 anos adorou.

Outras opções oferecidas pela Regent neste porto incluem escaladas em rocha, passeios de helicóptero, roteiros de arborismo/tirolesa erafting.

Sitka:

A antiga capital do Alasca nos decepcionou à primeira vista. Nada das casinhas coloridas dos portos anteriores. Uma cidade cinza e deserta. Soubemos depois que vários negócios vinham sendo descontinuados na cidade, que tem sido preterida dos roteiros dos grandes cruzeiros. Visitamos a catedral e suas torres típicas das construções russas e ficamos a espera dos passeios no porto (que não doca os grandes navios, que ficam ancorados ao largo – todo transporte é feito nos tenders, os barcos salva-vidas dos cruzeiros).

Sitka Sound
No momento em que embarcamos para os passeios no Sitka Sound, a área de baías e ilhotas ao redor da cidade, a impressão inicial se foi. A beleza natural da área é incomparável, a vida animal riquíssima. Em nosso pequeno barco da excursão chamada “Captain’s Choice”, uma tripulação de biólogos marinhos e um capitão/professor aposentado de história. Binóculos a mão e logo na saída uma baleia cinza, rara, nadando paralela à embarcação. Depois vieram as baleias jubarte, as lontras (dezenas delas em bandos), os leões marinhos, as focas, as águias, os salmões pulando. O barco ancora então numa praia isolada, toda de pedra cinza, permitindo que cada um explore a área a gosto. O biólogo aponta um ninho com águias –bebês. Sentados em uma rocha avistamos submersos estrelas do mar, kelps, pepinos do mar, que um a um são trazidos com cuidado a superfície pelo biólogo para serem observados. Um passeio curto pela floresta revela uma vegetação rica e explicações sobre os hábitos dos ursos e outros animais que vivem por aqui. Na volta, uma paisagem deslumbrante, montanhas, glaciares, ilhas e mais ilhas remotas.

Enquanto isso, a outra metade da família se aventurava num passeio de kayak pelos canais internos da baía, passeio que rendeu a observação de uma família de ursos se alimentando na praia. Fomos novamente premiados com um lindo dia de sol e ficamos com muito gosto de quero mais e a promessa de voltar. No momento em que o cruzeiro zarpava, o Monte Edgecombe, um magnífico vulcão a apenas 30 km do centro de Sitka, tornou-se visível, assim como o pico nevado das montanhas que abraçam a cidade.

Aqui a Regent também oferece um leque de opções como a visita ao Raptor Center , um centro de proteção às águias, rafting, passeios a pé, de bicicleta e de veículos off-road.

Anchorage (Seward):

Glaciar Hubbard
Saindo de Sitka temos pela frente um dia inteiro de navegação que começa com o grandioso Glaciar Hubbard. O navio começa a navegar na direção do Hubbard bem cedo pela manhã e o vento parece que vai carregar os hóspedes amontoados no deque superior. O glaciar estava em grande atividade, sons agudos como tiros de canhão anunciavam mais uma parede mergulhando em direção às águas geladas. Com grande habilidade o capitão aproxima o Seven Seas Navigator do glaciar permitindo inúmeras oportunidades fotográficas.

No dia seguinte chegamos ao destino final, Seward. Apesar de parecer charmosa, não ficamos para conhecê-la, desembarcando e partindo logo ao amanhecer para Anchorage no “Grand Train View”. A Regent oferece esse translado cênico a Anchorage por uma tarifa extra, mas que recomendamos. Além do visual, o trem é muito confortável e oferece uma oportunidade para as crianças experimentarem um pouco deste meio de transporte tão interessante: há serviço de café e almoço, no próprio assento ou no “carro-restaurante”. Chegando em Anchorage, os procedimentos são minuciosos: para os que escolhem partir de avião no mesmo dia, a Regent oferece um lounge no aeroporto e assistência para o embarque. Para aqueles cujo voo parte à noite, o lounge é montado no Hotel Hilton em Anchorage, onde também ficam hospedados os passageiros que optarem por uma das excursões pós-cruzeiro ou que simplesmente, como nós, optaram por desfrutar de alguns dias nesta que é a maior cidade do estado.

Urso em Silver Salmon river
Importante ressaltar que Anchorage é uma cidade pacata e “industrial”, sem paisagens deslumbrantes na região central. De qualquer forma, é ponto de partida para várias excursões, desde passeios de um dia, até programas mais longos ao Denali e Fairbanks. Nós escolhemos um passeio de observação de ursos em Silver Salmon Creek, dentro da área do Lake Clarke National Park a uma hora de voo de Anchorage. O avião parte de Anchorage e pousa em uma praia remota onde um quadriciclo nos esperava para percorrer a área costeira onde vivem aproximadamente trinta ursos “Brown Bears”.

Durante o restante da nossa estadia em Anchorage aproveitamos para fazer uma visita ao museu local, que além de excelente mostra de arte e história do Alasca, ainda oferece uma área interativa de ciências muito interessante.


Família Recomenda: foi realmente um relato sensacional, de uma viagem maravilhosa! Esperamos que tenha ajudado quem pensa um dia em ir para o Alasca com suas dicas práticas e precisas. E esperamos que tenha ajudado quem não pensa em ir para lá, a se transportar e fazer uma viagem virtual sem sair do sofá!



8 comentários:

  1. Que roupa levar em junho num cruzeiro pelo alasca?

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    1. Aspectos práticos da viagem são abordados nesse post:
      http://familiarecomenda.blogspot.com.br/2010/10/cruzeiro-no-alasca.html

      Basta acessá-lo e lá tem as dicas de roupas apropriadas!

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  2. Olá, boa tarde! Nossa! muito interessante o post viu?
    Há pouco tempo, despertou em mim o sonho de conhecer o Alaska, principalmente a cidade de Sitka, mas eu imaginava as casinhas coloridas e lindas tal como vi nas fotos, mas como li, vocês relataram que não é bem assim né?
    Poderia esclarecer algo a mais a respeito da cidade?

    agradeço desde já, abraços.

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    1. Sitka é apenas um dos portos de parada do cruzeiro. Nas outras cidades você encontrará as tais casinhas coloridas que procura, vá sem medo!

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  3. Muito obrigado pelas dicas.Estaremos embarcando em maio para o mesmo percurso.
    Como ja temos mais idade,acreditamos que iremos aproveitar bastante suas observações.
    grato.castelo

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    1. Boa tarde,
      Gostaria de saber qual e o nome dessa excursao de trem de Skagway que vai ate White Pass e vai para o Canada. Parando na ponte suspensa. Qual e a duracao do passeio todo? Sera que eu posso comprar direto pela internet fora do navio?
      Obrigada!

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    2. Olá, segue a resposta da responsável pela postagem: "pelo que eu me lembro tem um site sim da excursao e eles vendem pacotes, mas devido ao horario restrito de ancoragem dos cruzeiros, eles não recomendam que passageiros dos cruzeiros comprem "avulso", pois as excursões são sob medida para cada navio. O trem passa ali no terminal de navios mesmo e sai e chega de acordo com os horarios de cada cruzeiro! O site é: http://wpyr.com/excursions/product/ticket/bennett-scenic-journey/. Não esquecendo que o trem cruza a fronteira e é preciso visto p o Canada e passaporte!

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  4. Obrigada pela resposta, mas ainda pergunto, onde q fica essa ponte suspensa, o train passa e para? qual foi a duracao da excursao q vc fez trem e bus?e qual exatamente foi a excursao?
    obrigada aguardo sua resposta

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