domingo, 17 de abril de 2011

UNIVERSAL ORLANDO

Nossa viagem foi assim:
Época: janeiro ****
Faixa etária das crianças: 1-3 anos **; 3-5 anos **; 5-7 anos ***; 7-9 anos ***


O Universal é um dos dois parques do complexo maior chamado Universal Orlando. O complexo engloba também o parque Islands of Adventure, onde recentemente foi inaugurada a nova terra do Harry Potter, e o Citywalk, um "centrinho" com restaurantes, lojas e bares, que tem mais vida à noite do que de dia. Se você quiser ler nossa postagem sobre o Islands of Adventure, clique aqui. Temos também 3 posts bem detalhados sobre o Wizarding World of Harry Potter, que você pode acessar clicando aqui.

O complexo do Universal Orlando, ao contrário do Walt Disney World, é pequeno e bem fácil de explorar a pé, uma vez que não há ruas ligando os parques e carros não são permitidos além do estacionamento. O edifício garagem é único para todo o complexo, então você deixa seu carro e, com a ajuda de uma série de esteiras rolantes, chega até o Universal propriamente dito.

Em primeiro lugar, você encontrará o Citywalk, um centrinho com vários restaurantes, lojas e bares. A frequência é bem jovem e animada, com destaque especial para a quantidade de brasileiros, que parecem até gostar mais daqui do que de Downtown Disney. A comparação é inevitável, uma vez que a atmosfera dos dois lugares é muito parecida. A diferença é que o centro da Disney é muito maior e mais voltado para a família.

No Citywalk, há vários restaurantes e fast foods. Você pode inclusive sair do parque no meio do dia, almoçar neles, e voltar para brincar mais. Assim, evita as longas filas que se formam nos restaurantes dentro dos parques. Nós jantamos no Emeril´s, do chef-celebridade Emeril Lagasse. O restaurante é interessante e a comida, razoável, mas tudo ficou um pouco aquém da nossa expectativa. Além, é claro, de não ser barato. Talvez o Bubba Gump Shrimp Co seja uma melhor pedida, já que trata-se de uma rede de restaurantes espalhada pelos EUA, onde o padrão é mais uniforme e os preços, melhores (leia nossa avaliação do Bubba Gump de NY clicando aqui).

Depois de atravessar o Citywalk - uma caminhada de 5 minutos - você estará de frente a um lago. Se contornar o lago pela esquerda, chegará primeiro ao Islands of Adventure. Se contorná-lo pela direita, chegará ao Universal.

Entrada do teatro.
Em qualquer uma das direções, se passar a entrada dos parques, encontrará o grande teatro onde é feito o show do Blue Man Group, que fica exatamente entre os dois parques. Nós assistimos ao show dos homens azuis, e achamos muito divertido, principalmente para as crianças maiores de 6, 7 anos. Já tínhamos assistido uma vez em Las Vegas, e nosso filho quis ir de novo, de tanto que gostou! Para os pequenos, pode ser muito barulhento, escuro e um pouco assustador. Quanto aos adultos, quem nunca assistiu o Blue Man vai achar muito instigante e diferente - e um pouco nojento. Aviso: não compre ingresso na área do "poncho", pois, além de ser muito perto do palco e dificultar a captação de todos os movimentos, molha e meleca de verdade. Tanto que a organização do show literalmente dá um poncho de plástico para cada visitante que se senta nessa região!

Jantamos no Emeril´s e assistimos ao Blue Man em uma noite, e visitamos os parques num dia separado. É muito cansativo querer emendar visita aos 2 parques e show numa estirada só, então aconselhamos todos que estiverem de carro alugado que façam o mesmo. É vantajoso até pelo estacionamento: para quem chega depois das 6 da tarde, o preço é bem baratinho.

Melhor idade.

Hollywood Rip Ride Rockit.
Quanto ao Universal em si, acabamos deixando esse post por último, pois, em nossa opinião, de todos os parques de Orlando é o que tem menos personalidade e deixa um pouco a desejar. Os adolescentes e jovens são os que mais apreciam o parque, por causa das atrações radicais como o Hollywood Rip Ride Rockit ou Revenge of the Mummy. Quando tentamos ficar nesse parque com as crianças, a certa altura elas pediram para ir para o Magic Kingdom, pois acharam o parque da Disney mais interessante.

Então, se você tiver crianças menores, planeje uma visita curta. Para elas, o Universal não é muito interessante porque o cenário é mais sério que dos parques da Disney - não tem tantos detalhes ou magia quanto o concorrente. Além disso, não tem os personagens queridos que estão por toda Disney. No Universal, Jimmy Neutron, Bob Esponja e Shrek não chegam a arrancar suspiros das crianças. Por último, a quantidade de brinquedos apropriados para os menores de 7 anos pode ser contada nos dedos, podendo ser visitada rapidamente.

Quanto tempo reservar?

Como há poucas atrações para crianças pequenas, 3 ou 4 horas serão suficientes para conhecê-las. Então, se você quiser ir ao Universal com as crianças, pode aproveitar o mesmo dia em que for ao Islands of Adventure (IOA). Comece o dia no IOA, e passe para o Universal na parte da tarde.

The Simpsons Ride.
Se estiver com adolescentes, a quantidade de brinquedos realmente radicais não é muito grande, mas eles podem querer conhecer alguns velhos ícones do Universal, como Terminator 3D, Jaws e Simpsons. Além disso, para os viciados em adrenalina será necessário repetir a Hollywood Rip Ride Rockit pelo menos três vezes. Portanto, a visita certamente será mais longa, apesar de que dificilmente levará um dia inteiro; meio período pode ser suficiente.

Dicas para visitar.

Para sermos honestos, das duas vezes em que estivemos no Universal o parque estava tão vazio, que achamos difícil recomendar alguma estratégia para visitação. Nenhuma fila que pegamos durou mais que 20 ou 30 minutos, e algumas atrações estavam literalmente vazias - nós saíamos do brinquedo e retornávamos imediatamente para uma nova volta, sem esperar.

Looping em espiral da Hollywood
Rip Ride Rockit.
A única atração em que você poderá encontrar alguma espera será a Hollywood Rip Ride Rockit, pois é novinha em folha e todos os fãs de montanha-russa vão querer experimentar. No entanto, o trajeto dela é tão radical - bem no começo tem uma queda de quase 90 graus - que nem todo mundo tem coragem de encará-la (nós não tivemos!). Portanto, por maior que seja a espera, dificilmente chegará a mais de 60 minutos.

Uma dica importante é sobre o uso dos lockers na entrada das atrações. Em algumas delas, não sabemos bem por quê, é proibido entrar com volumes, portanto se você estiver de mochila terá que guardá-la no locker gratuito. Só que o tempo de utilização desses armários é limitado. No dia em que visitamos, o MIB estava tão vazio que as crianças quiseram ir 3 vezes em seguida. Quando fomos tirar nossa mochila do armário, o tempo havia se esgotado e tivemos que pagar para resgatá-la. Então, se quiser ir várias vezes em algum brinquedo, saia, troque a mochila de armário, e só então volte para a atração. Assim, evita ter que pagar por um serviço que você foi obrigado a utilizar.

Atrações do Universal (as poucas que conhecemos).

Um dos maiores defeitos do Universal é que os temas das atrações estão ficando desatualizados. A maioria dos brinquedos é baseada em filmes dos anos 80 e 90 (do século passado, gostaríamos de frisar), e, apesar de uma atualizaçãozinha aqui, outra acolá, permanecem praticamente os mesmos há 20 anos. Por isso, quando fomos ao Universal há 14 anos, antes do nosso filho nascer, achamos o parque incrível. Em nossa última visita, pudemos constatar que ele não mudou quase nada em mais de uma década.

1. The Simpsons Ride *****: não precisa gostar dos Simpsons para curtir esse simulador, mas avisamos que o espírito de porco que permeia a série está presente aqui também. Você se senta em um carro que parece estar em uma pequena sala, e de repente ele sobe, simultaneamente a vários outros em salas adjacentes. Você percebe então que estão todos dentro de um grande (enorme) cinema tipo IMAX, onde o filme é projetado enquanto todos os carros se movem em sincronia com as imagens. O filme é completamente maluco: você vai descer numa montanha russa, sobrevoar o Magic Kingdom, cair na vertical e seu carro vai ser sugado pela irmãzinha do Bart como se fosse uma chupeta. É também hilário, debochado e politicamente incorreto, como tudo que é Simpson. Se tiver estômago fraco, evite, pois chacoalha bastante.

2. Men in Black Alien Attack ***: já ouvimos amigos falarem muito mal dessa atração, mas quando estivemos lá nossas crianças adoraram. O princípio é o mesmo do Toy Story Mania: você embarca num veículo munido de armas "laser", e depois de um pequeno treino tem que ajudar os MIB a derrotarem os alienígenas. O passeio é feito por cenários imitando ruas, e todo mundo fica tentando abater o maior número possível de aliens, para aumentar a pontuação, que é individual e por carrinho. Desnecessário dizer que há todo tipo de criatura esquisita, e até mesmo uma parte em que seu carro é "engolido" por uma boca gigante. Há alguns macetes que os aficionados usam para aumentar exponencialmente a pontuação, mas não chegamos a conhecer nenhum deles. O único macete que usamos foi atirar nos carros vizinhos, expediente que faz com que eles girem descontroladamente. Obviamente, quando eles atiram no seu carro, quem roda (literalmente) é você. Esse brinquedo é altamente desaconselhável para quem sofre de enjoos, pois há visitantes que se concentram muito mais em atirar no seu carro, do que nos aliens.

3. Shrek 4D ***: depois da popularização do cinema 3D, essa atração perdeu um pouco de sua graça. Não ajuda nada o fato de que a história não tem pé nem cabeça: para você ter uma ideia, o falecido Lorde Faarquard ressuscita nesse filme. Se tiver pouca fila, entre, para alguns minutos de diversão. Uma das boas tiradas do filme são as piadinhas sobre a Disney.

4. E.T. Adventure ***: um "dark ride" em que os visitantes embarcam em bicicletas, para viver uma aventura com o ET. Para quem viu o filme, até que é legal. O maior problema é que poucas pessoas com menos de 30 anos já ouviram falar no ET. Bom, pelo menos não tem nada que dê medo ou enjoos.

Woody Woodpecker´s Coaster.
5. Woody Woodpecker´s Nuthouse Coaster ***: uma montanha-russa infantil, com tema do Pica-Pau. Ainda bem que o personagem voltou à TV recentemente, caso contrário o público-alvo dessa atração não teria a mais vaga ideia de onde saiu esse tema... Bem, não só o Pica-Pau agrada à maioria das crianças, como a montanha-russa é bem divertidinha para os pequenos, então será hit certeiro entre os menores de 6 anos. Ela é mais leve do que o Voo do Hipogrifo (IOA) e Goofy´s Barnstormer (Magic Kingdom), sendo uma boa opção para levar os bem pequenininhos no primeiro test-drive em brinquedinhos mais radicais.

Fievel´s Playground.
6. Fievel´s Playground ***: como quase todo parque que se preze, o Universal também tem seu playground superelaborado. Não é tão bom quanto o Boneyard do Animal Kingdom, mas cumpre bem o papel de prover um espaço para as crianças correrem, brincarem e ficarem à vontade, enquanto os pais relaxam um pouco. Para quem tem menos de 30 anos e nunca ouviu falar de Fievel, saiba que ele é um ratinho, então esse playground é todo feito de objetos "gigantes", que fazem a gente se sentir pequenininho.

7. Hollywood Rip Ride Rockit (sem avaliação): é a mais nova montanha-russa dos parques do Universal, e que montanha-russa! Começa logo de cara com uma subida de 90 graus e uma descida quase tão íngreme, um looping em espiral, e continua com tantas reviravoltas, serpenteando através do parque, que é até difícil acompanhar todos os movimentos olhando de fora. Os assentos têm sistemas de som individual, em que música toca no último volume durante todo o trajeto. Não tivemos coragem de experimentar, então se você já foi, ajude o FR postando sua opinião nos comentários.

No geral, o Universal é um ótimo complemento de final de tarde para um dia iniciado no IOA. Escolha apenas aqueles brinquedos que mais apetecem à sua família, e relaxe num dos únicos parques de Orlando em que, se deixar algumas atrações para trás, não vai precisar ficar com peso na consciência.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

DICAS PARA VIAJAR DE AVIÃO.

Começamos esse blog porque notamos como é difícil obter informações específicas para famílias com crianças nos guias e sites normais. E, no caso de viagem com crianças, ao contrário de quando se viaja só entre adultos, é necessário fazer um pouco de pesquisa e planejamento, antes de por o pé na estrada, para que todo mundo aproveite ao máximo o passeio, e para que seja uma experiência prazerosa ao invés de uma sucessão de brigas intermináveis...

Nossas postagens são sobre lugares que já visitamos, dicas de passeios e lugares, mas notamos também que há uma grande carência de informações sobre aspectos "mundanos": viagem de avião, alimentação, transporte, horários e fuso horário, entre outros aspectos práticos - que, é preciso dizer, podem arruinar um planejamento bem feito, quando se viaja com os pequenos.

Criamos uma página onde procuramos compartilhar os macetes e ferramentas que usamos, para fazer as viagens de nossa família mais agradáveis e menos "micadas". Depois da receptividade que tivemos com nosso post sobre planejamento de viagens em grandes cidades, decidimos fazer uma série de posts com o mesmo conteúdo dessa página, pois percebemos que muitos visitantes não chegam a acessar as abas do blog, atendo-se somente aos posts (clique aqui para ler a página inteira).

Nesse primeiro post, falaremos um pouco sobre uma das partes que mais aterroriza os pais de primeira viagem (em família, pelo menos!): o avião. Só de pensar em longos voos sem distração, esperas intermináveis em aeroportos, e conexões em lugares distantes, muitos já tremem, e nem sequer começam a tentar. Esperamos que, com essas dicas, possamos encorajar os que estão indecisos a fazerem sua primeira viagem de avião, ou até mesmo melhorar a viagem daqueles que já têm quilometragem (ou milhagem).

Veja mais dicas sobre viagem de avião, vacinas, tipos de viagens adequadas para os pequenos, entre outras no site Family Vacation Critic (em inglês). Para um relato bem humorado sobre viajar com suas crianças, leia o texto do Helio de la Peña (isso mesmo, aquele do Casseta & Planeta), publicado na Folha de SP, clicando aqui.

VIAJANDO DE AVIÃO

A viagem de avião é um dos fatores que mais intimida os pais que nunca levaram seus filhos para viajar. Ele vai ficar com medo? Vai passar mal? Vai conseguir dormir? Vai chorar e atrapalhar todo mundo? São perguntas como essas que inquietam os pais e muitas vezes os impedem de levar seus filhos na primeira viagem de avião.

Conhecemos crianças que não deram um pingo de trabalho na sua primeira vez, assim como outras que não pararam de chorar e reclamar um só minuto. Não dá para saber de antemão como vai ser a reação dos seus filhos. De qualquer forma, a experiência de aeroporto e vôo é uma coisa indimidante. Passar por filas no check-in e segurança, lidando com lugares cheios e pessoas desconhecidas, entrar num lugar claustrofóbico e barulhento como o avião, ficar preso pelo cinto de segurança, chacoalhar na decolagem, sentir os ouvidos estalando... Colocando-nos no lugar da criança, viagem de avião deve ser mesmo ruim! Mas algumas pequenas providências podem fazer sua viagem muito melhor:

1. Viaje de avião! Muitas vezes não percebemos o óbvio - que quanto mais a criança viajar, mais vai se acostumar com o avião. Claro que nem sempre é possível, do ponto de vista financeiro, viajar com a frequência desejada. Mas suponhamos que vocês tenham intenção de ir à Disney, ou outro lugar cujo voo seja longo (mais de 5 horas), daqui a 1 ou 2 anos. Antes dessa viagem, é aconselhável fazer umas duas viagens curtas de avião, escolhendo destinos próximos, para ir acostumando a criança com a rotina de aeroporto. Assim, quando chegar o grande dia daquele longo voo, ela não vai estranhar o ambiente, tornando a viagem muito menos estressante para ela. Além disso, ela vai associar avião a diversão - toda vez que pega avião, acaba indo parar em um lugar muito mais legal que a casa dela, e ainda por cima podendo passear o dia todo com papai e mamãe. Que sonho!

2. Leve distrações para os pequenos: a primeira coisa que os pais aconselham nos foruns da internet é "leve seu dvd portátil!" Em primeiro lugar, nem todo mundo tem dvd portátil. Em segundo lugar, se você levar o dvd, a tentação de usá-lo mais do que o necessário numa viagem é muito grande, e em nossa opinião gastamos dinheiro demais para desperdiçar o tempo com uma atividade que a criança pode fazer em casa! (Em tempo: quando dá aquela síndrome de abstinência de TV, nosso filho já assistiu desenhos em espanhol, inglês, catalão e até francês e se divertiu muito) No entanto, para algumas crianças mais sensíveis a novos ambientes realmente o dvd é quase imprescindível. Se esse não é o seu caso, ou se você não tem o aparelho, existem outras opções. Quase todos os aviões de longa distância agora têm sistema de entretenimento individual nas poltronas, sempre com opções infantis incluídas. Se você quiser saber se o seu voo terá, pergunte ao seu agente de viagens, à companhia aérea, ou entre no site http://www.seatguru.com/ (em inglês), que você poderá encontrar todos os detalhes sobre a aeronave da maioria dos voos internacionais. Atenção: dentro de uma mesma companhia, há aviões que têm o sistema individual, e outros que não, portanto não caia na conversa de "tal companhia tem". Por exemplo, o voo da Delta para Atlanta tem TV individual, enquanto que pra NY, não.

Fora os dvds do avião, você deve levar para seu filho pequeno alguns brinquedos favoritos, bem como um animal de pelúcia ou boneca preferidos, e até mesmo um cobertor ou travesseiro familiar, para ajudá-lo a pegar no sono num lugar completamente estranho. Se seu filho for maior, peça para ele mesmo escolher os brinquedos, livros, game ou ipod se ele tiver. Cuidado para não levar nada líquido (brinquedos com aquela aguinha dentro), pastoso (massinha, geleca) nem pontiagudo (nem mesmo tesourinha sem ponta é permitida no avião).

3. Leve um lanche: comida de avião é horrível até para os adultos. Sem contar que ultimamente as companhias estão começando a cobrar pelas refeições. Então, se seu filho não é muito aventureiro no quesito alimentação, leve um lanche para o caso dele não gostar da comida que for servida. Geralmente se você optar pela alimentação infantil nas companhias aéreas, seu filho receberá um macarrãozinho ou nuggets de frango. Como não dá pra ter certeza do que virá, especialmente nesses tempos de crise em que até o menu infantil foi abolido de algumas companhias, leve algum lanche, de preferência industrializado. Isso porque se você levar uma fruta, por exemplo, não poderá entrar em país estrangeiro com ela, por questões sanitárias. E, é claro, nada líquido, pastoso, nem pontiagudo (ops! Por enquanto ainda não existe lanche pontiagudo...). Se precisar levar mamadeira para o bebê, leve a mamadeira vazia, o leite em pó em outro recipiente, e peça água quente para a comissária de bordo. Para as crianças maiores, leve uma bala ou chiclete para a hora da decolagem, vai ajudá-la a equalizar os ouvidos.

4. Macetes para marcar assentos: se você for viajar nas férias, não tem jeito, seu avião provavelmente decolará lotado. Por isso, é essencial marcar os assentos o quanto antes, assim que comprar a passagem - se for viajar com uma agência, pode pedir para o agente marcar para você, ou peça para ele o código localizador da reserva, e entre no site da companhia para marcar você mesmo. Não deixe de entrar novamente, cerca de uma semana antes da viagem, para confirmar se o voo e os assentos não foram alterados pela empresa. Esse cuidado é especialmente importante se você for viajar com a American (leia aqui nosso post sobre a aventura de uma família extremamente prejudicada pela empresa, ou clique aqui se quiser ver nossa própria experiência e algumas dicas).

Se você for fora de época, tente marcar assentos que deixarão um lugar vazio no meio. Quando entrar no site da companhia para fazer a marcação, procure a região do avião com mais assentos vazios, mas longe de banheiros, cozinha e saída de emergência (crianças não podem sentar nesse lugar). Escolha uma fileira de três, e marque dois assentos deixando um vazio no meio. Coloque por exemplo papai e um filho em uma fileira, mamãe e o outro filho na outra fileira. Entre no site mais umas duas ou três vezes antes da viagem, para ver se o voo está lotando ou se vai decolar meio vazio. Se estiver quase lotado, mude suas marcações de assento para ficarem um ao lado do outro. Se estiver vazio, deixe como está. De qualquer modo, não precisa se preocupar muito. Se uma pessoa acabar sentando bem no meio de vocês dois, basta pedir para trocar de poltrona. Ninguém em sã consciência vai teimar em sentar entre uma mãe e sua filha!

Uma alternativa ainda melhor é marcar os assentos na primeira fileira do avião, onde há mais espaço no chão. Só que esses assentos são obviamente concorridíssimos, então a chance de consegui-los é pequena, a não ser que você os marque com quase um ano de antecedência. Tem até companhias que cobram um valor a mais para você se sentar nesses locais, apesar de que agora a cobrança está sendo questionada nos órgãos governamentais. Novamente no caso da escolha do lugar no avião, o site http://www.seatguru.com/ é muito útil.

Uma opção diferente que as companhias aéreas começaram a disponibilizar ultimamente é uma classe intermediária, entre a econômica e a executiva. Normalmente é uma econômica com um pouco mais de espaço para as pernas, e custa um pouco mais cara. É uma boa opção para quem quer viajar com mais conforto, sem pagar o triplo da tarifa. O truque é que, em algumas companhias como a Delta, essa tarifa não está disponível quando você compra a passagem, mas sim na hora de marcar os assentos. Nesse momento, você escolhe o assento da classe mais confortável, e é direcionado a um link para pagar a diferença de preço.

5. Converse com a criança: vá explicando a ela tudo que está acontecendo durante a viagem. "A fila vai demorar porque todos querem ir para a Disney como a gente!"; "Esse aparelho é para tirar uma foto do que tem dentro da sua mochila"; "O cinto de segurança é para a gente não se machucar"; "Agora o avião vai correr bastante e fazer um barulho alto, mas não precisa se preocupar", e assim por diante. As pequenas explicações vão ajudando a criança a saber o que esperar, diminuindo sua ansiedade.

6. Lidando com os outros passageiros: não pense nem por um momento na preocupação com o que os outros passageiros vão pensar da sua família se seu filho começar a chorar ou fizer barulho. É claro que você deve fazer tudo que estiver ao seu alcance para impedir que isso ocorra. Devido a alguns pais que não sabem ensinar o mínimo de civilidade a seus filhos, nos EUA agora há um movimento para banir crianças de determinados voos. Não seja um desses pais; educação se aprende em casa e nossa função é ensinar algumas regras de etiqueta a nossos filhos. Não há nada mais irritante, por exemplo, do que sentar na frente de uma criança que não pára de chutar a sua poltrona. Não deixe seu filho fazer isso com os outros. Mas se ele sentir que você está com vergonha dele, seu comportamento pode se tornar ainda pior, com birra ou choro.

Passageiros em um avião, principalmente nas férias, têm que assumir que correm um risco de se sentar perto de famílias com crianças. Na grande maioria das vezes, se os vizinhos de poltrona percebem que você está se esforçando para controlar e acalmar seu filho, não vão reclamar do choro ou do barulho dele. Se você cruzar com um dos raríssimos passageiros que não entendem uma situação difícil, não tenha dúvida, defenda seu filho! Não deixe as pessoas fazerem reclamações injustas, mesmo que no fundo você esteja com um pouquinho de vergonha...

7. Planejando a bagagem de mão: é algo que pode ser fonte de muito stress, principalmente se você tiver que carregar, além de crianças, mala de mão e um carrinho. O carrinho é muito útil se você tiver que fazer uma conexão em aeroporto grande, pois é quase impossível ficar carregando um bebê dorminhoco de um lado para outro naquela imensidão. Agora, sabe aquela sacola de bebê maravilhosa, toda colorida e acolchoada? Ou ainda aquela de grife, cheia de logos que, vazia, pesa 10 kg, com uma alça bem curtinha (afinal, agora é moda)? Deixe-as em casa! Carregue uma mochila resistente de nylon, dessas de caminhada ou de escola mesmo, se você for sozinho com as crianças, ou uma mala de rodinhas, de preferência aquelas que giram 360 graus, se forem dois ou mais adultos (um para empurrar o carrinho, outro para puxar a mala). Dá até dó daquelas pessoas que carregam sua bagagem de mão em sacolas desajeitadas, uma criança num dos braços, empurrando o carrinho com o outro, e chutando a última sacola com o pé... Evite se puder!

Se seus filhos forem maiores (a partir de 5, 6 anos), é uma bela lição de autonomia estimulá-los a arrumar e carregar sua própria mala de rodinhas. Explique para eles como será a viagem, que haverá esperas longas, e combine o que pode e o que não pode colocar na mochila. Deixe-os escolher um animal de pelúcia ou uma boneca, um ou dois livros, gibis, um game ou o ipod. Não deixe que eles encham muito a mala, pois ficará difícil para carregar e manusear. E faça com que carreguem sua própria mochila de rodinhas pelos aeroportos do mundo. Eles vão adorar, vão se sentir grandes e importantes, e, melhor ainda, você não tem que ficar carregando os brinquedos deles na SUA mala. Para os momentos de cansaço, carregue uma fita resistente ou uma correia com fivela, e afivele a mala do seu filho à sua própria mala de mão; assim você poderá carregar a dele sem esforço. Mas, como a ideia é que ele exercite a autonomia, evite levar a mala do seu filho a não ser que seja estritamente necessário.

Uma outra dica para a bagagem de mão é sempre levar um agasalho, mesmo no verão. O ambiente do avião pode se tornar bem frio, principalmente à noite, por causa do ar condicionado. Então, procure levar um cardigan ou moleton para cada membro da família. Além disso, vista-se confortavelmente: jeans com elastano, tecidos de algodão leves, nada de roupas sintéticas ou apertadas. E não se esqueça daquele casaco mais grosso, se no seu destino for estar um tempo frio. Consulte o http://www.weather.com/ ou o http://www.accuweather.com/ para ver a previsão do tempo em cidades do exterior.

8. Passando pela segurança: especialmente se você for viajar para os EUA, a segurança nos aeroportos está cada vez mais acirrada. É impossível viajar sem passar por ela, então temos algumas dicas para minimizar o trabalho e o incômodo dos viajantes. Chegue com bastante antecedência ao aeroporto, pois a fila pode ser bem longa - às vezes demora mais de uma hora. Não carregue muitos líquidos na bagagem de mão. Nenhum recipiente com mais de 100 ml é permitido, e todos têm que estar acomodados em um zippy bag pequeno. O que não couber, deixe em casa. Leve a mamadeira vazia, e não carregue potes de papinha com mais de 100 ml. Jogue as garrafas de água, sucos e refrigerantes fora antes de entrar na fila. O ideal é que tanto adultos quanto crianças usem sapatos fáceis de colocar e tirar, tipo mocassins, sapatilhas ou Crocs. Todos devem calçar meias - você não vai querer ver seu filho pisando descalço naquele chão onde todo mundo (com ou sem frieira) também acabou de pisar. Se estiver carregando laptops ou tablets, retire-os da mochila ou mala de mão e coloque-os sozinhos na bandeja.

Não use relógios grandes, cintos com fivelas de metal, grandes bijuterias metálicas. Verifique se nos bolsos - seus e das crianças - não há moedas, celulares ou brinquedos metálicos. Se tiver algum desses itens, tire-o e coloque na bandeja plástica fornecida para passar no raio X. Uma outra dica interessante é evitar o uso de botas. Normalmente a sustentação do solado e salto das botas é feita com peças metálicas, que inevitavelmente fazem disparar até os detectores menos sensíveis. Evitando que o detector de metais dispare, você não precisa retornar várias vezes para esvaziar bolsos ou descalçar botas. Evite que as crianças carreguem muitos brinquedos metálicos na mala, e não permita que levem tesourinhas, compassos, estiletes e outros objetos pontiagudos e cortantes.

9. Leve itens de conforto: viajar na econômica pode ser realmente desconfortável se você for despreparado. Além do travesseirinho ou cobertor da criança, é bom levar alguns apetrechos para os adultos também, se o voo for superior a 4 horas. Itens que farão sua viagem muito mais confortável:
- Aquele travesseiro em meia-lua para encaixar no pescoço: de preferência o inflável para reduzir o volume da sua bagagem de mão (apesar que o que já vem "recheado" é mais confortável...). Assim você não fica caindo em cima do vizinho na hora do sono.
- Tapa-olhos: a cabine do avião nunca fica 100% escura, então pode dificultar o seu sono.
- Fones de ouvido: pode ser anti-ruído externo, mas se não for, sendo de boa qualidade já será bem melhor do que os que eles distribuem no avião, e pelo qual às vezes até cobram... Alguns aviões têm uma saída de fone que é dupla, necessitando de um adaptadorzinho. Normalmente esse adaptador acompanha o fone que a companhia dá: guarde o seu para as próximas viagens. Não coloque o volume muito alto, para poder escutar seu filho caso ele chore ou te chame.
- Garrafa de água: quando você acordar no meio da noite com a garganta seca, vai demorar bastaaaante até o comissário vir ao seu assento e depois trazer sua água. Assim que passar pela segurança do aeroporto, compre uma garrafinha e carregue para dentro do avião.
- Cobertor de viagem: nos aeroportos vende um cobertor bem fininho, que dobrado ocupa pouquíssimo espaço, mas que dá de 10 em alguns cobertores de certas companhias.

10. Questão de segurança: seguir as regras de segurança dentro do avião é uma boa oportunidade para ensinar civilidade às crianças, e, é claro, evita que acidentes aconteçam. Cansamos de ver em aviões que acabam de aterrissar, os adultos levantando das poltronas antes da parada completa e dos sinais luminosos se apagarem. Da mesma forma, logo que o avião decola também é perigoso levantar-se. Na verdade, o ideal é que o cinto de segurança permaneça afivelado o tempo todo em que você estiver no avião, exceto os momentos em que se levantar por algum motivo. Caso uma turbulência inesperada apareça, você e sua família não correm o risco de serem arremessados para longe de sua poltrona. Também não use aparelhos eletrônicos nos momentos em que for proibido, ou coloque seus pertences de mão em locais indevidos. Todas as regras de aviação existem por um bom motivo. Não cabe aos passageiros questioná-las ou transgredi-las. Explique ao seu filho todos os motivos, e ele seguirá alegremente as recomendações a bordo.

Uma última dica sobre viagens de avião: se você precisar de uma conexão internacional em qualquer aeroporto, nunca faça uma conexão de menos de 2 horas. O ideal mesmo é 3 horas. Isso porque as filas para imigração e segurança podem ser enormes, e navegar em aeroportos enormes como nos EUA ou Europa é complicado e toma tempo, principalmente com crianças. Se for fazer a reserva por uma agência de viagens, é só pedir para seu agente e ele marcará um voo com conexão mais longa.

Esperamos com essas dicas ter ajudado suas viagens de avião ficarem mais confortáveis e toleráveis. Afinal, elas são um mal necessário se você quiser levar seus pimpolhos para conhecer o mundo!

E você, tem alguma dica ou truque que usa nas suas viagens de avião? Compartilhe conosco através do formulário de comentários abaixo!

terça-feira, 12 de abril de 2011

NORTE DA ITÁLIA COM A FAMÍLIA: VENEZA.

Nossa viagem foi assim:
Época: março ***
Hotel: Luna Baglioni *****
Faixa etária das crianças: 7-9 anos ****; 13-15 anos *****


Eis que chegou a hora, tão esperada pelas crianças, de ir a Veneza: uma cidade sem carros e sem trânsito, uma cidade que vai afundar, uma cidade onde se usam máscaras estranhas no Carnaval... Eram essas as impressões dos meus filhos sobre esta cidade, toda ela patrimônio da humanidade. Para quem não leu nosso post anterior, nossa viagem começou em Milão, onde visitamos Verona e Como. Se você quiser ler o post, clique aqui.

O trem percorre o trecho desde Milão em duas horas e quarenta minutos. Vale o primeiro alerta: há duas estações de trem com o nome Veneza: Veneza Mestre e Veneza Santa Lucia. Veneza Mestre fica no continente, Veneza Santa Lucia é a estação correta para quem pretende se hospedar na própria Veneza – de Mestre a Santa Lucia, o trem percorre 4 km numa ponte sobre a Laguna de Veneza, no mar Adriático.


Descendo em Santa Lucia você estará na Piazzalle Roma, em uma das inúmeras ilhas que compõem este arquipélago conhecido por Veneza. Aqui já não há mais carros ou ônibus. Somente barcos: gôndolas, vaporettos, traghettos.... Tomamos um táxi (aquático) até nosso hotel que ficava às margens do Grand Canal, ao lado da Piazza de San Marco. Mas cuidado: uma simples corrida de táxi de 15 minutos pode custar até 70 euros; negocie antes de embarcar. Havia outras opções: andar cerca de 30 minutos ou pegar o ônibus aquático ou vaporetto. Eles funcionam em itinerários determinados e partem de estações bem sinalizadas, semelhantes às estações de metrô. O custo: cerca de 6,50 euros por pessoa por trecho. Seja qual for o seu orçamento, a dica é usar o Google Maps para determinar a distância até seu hotel e, levando em conta distância, mala, cansaço e condições do tempo, determinar a melhor opção.


Hotel Luna Baglioni.
Para nossa estadia escolhemos o Hotel Luna Baglioni, muito confortável, elegante, e bem localizado: a alguns passos da Piazza de San Marco, por onde começamos nossa visita. Existem inúmeras possibilidades de hospedagem na cidade, incluindo pequenas pousadas e opções mais econômicas no continente (Veneza Mestre).


A cidade estava muito movimentada, afinal era a semana do Carnaval, apesar de a maior parte do agito já ter terminado na quarta-feira de Cinzas. Para quem não sabe, o Carnaval é uma tradição em Veneza, onde até hoje são inúmeras as festas e celebrações em que usam-se as famosas máscaras venezianas, adotadas para manter anônimos os rostos dos foliões.


Piazza San Marco.
Encontramos a Piazza San Marco em obras – estão construindo uma série de comportas submersas para tentar conter a subida da maré, o chamado projeto MOSE. O resultado: buracos e tapumes por todo lado. É sabido que Veneza ameaça afundar sob a “acqua alta”, uma inundação periódica resultante da subida da maré e do afundamento dos alicerces de madeira, mas o projeto está longe de ser unanimidade. Há os que apontam para potenciais e sérios problemas ambientais. O certo é que a “acqua alta” é uma realidade que você pode vivenciar, se optar por visitar Veneza entre outubro e novembro – o nível da água pode aumentar muito e a praça inunda! A prefeitura costuma construir pontes de madeira para permitir o acesso dos turistas...mas a experiência não deve ser das melhores. Você pode consultar este site, que prevê as marés na cidade com cerca de 72 horas de antecedência e providenciar as galochas se necessário.


Basílica di San Marco.
A atração central da praça, a Basílica di San Marco, tem fila para entrar! Lá dentro, um aviso: dizem as estatísticas que é o lugar mais frequente para furtos tipo “bate-carteira” na cidade, atente para seus pertences! E mais um: não se pode entrar com bagagem ou grandes mochilas. A basílica é “antiquiquíssima” e toda decorada em mosaicos com uma rica arquitetura bizantina. Dentro da igreja você pode optar por manter-se nas áreas abertas à visitação gratuita, ou pagar para ver as relíquias aqui guardadas: há três opções com custo adicional – a visita ao “tesouro” ou relíquias, a visita ao museu (que inclui a subida até o balcão superior, loggia) e a visita ao retábulo do altar, conhecido como “Pala d’Oro”. Pulamos o “tesouro”, mas investimos para ver a Pala d’Oro, feita em Constantinopla em cerca de 1105, toda em ouro e pedras preciosas.

Cavalos da Basílica.
Finalmente, visitamos o museu, subindo ao balcão, onde ficam os famosos cavalos de San Marco. Na  verdade, estes cavalos de metal, datados da Antiguidade, foram trazidos pelos cruzados de Constantinopla e estão guardados dentro da igreja/museu – o que se avista no balcão pelo lado externo da basílica são réplicas. A vista da Piazza é impressionante e permite que você observe com cuidado os monumentos à volta: a torre do sino, o relógio de sol, a escultura do leão alado, símbolo de San Marco, o palácio (Pallazo Ducalle), o Grand Canal. Há diversos pontos onde, por uma moeda de 1 ou  2 euros, você pode ouvir uma descrição desses monumentos.


Na saída, paramos para um café na Piazza, em um dos muitos tradicionais estabelecimentos. Como era inverno, não havia música ao vivo, nem muitas mesas ao ar livre ou profusão de gente, mas mesmo assim os preços continuavam abusivos. Pagamos 24 euros por 2 cappuccinos: no preço estava incluso o famoso coperto italiano, que você paga apenas para sentar! Para você ter uma ideia, um cappuccino normal em qualquer lugar fora da Piazza custa cerca de 5 euros, menos da metade do preço... Da Piazza andamos, seguindo as orientações dos pequenos sinais pintados nas fachadas, que indicavam a direção da Ponte da Academia, que cruza o Grand Canal. Se Verona já era um museu a céu aberto, não há mesmo palavras para descrever Veneza.


Cruzando a ponte da Academia, seguimos as orientações para a igreja de Santa Maria della Salute. Trata-se de um maciço de mármore branco, construído pelos venezianos para pedir proteção contra os males e as mortes causadas pela peste que acometia a Europa. Dali avista-se a Piazza de San Marco do outro lado do canal.

Concerto na igreja de San Vidal.
 Na volta, uma parada no interessantíssimo acervo do museu Peggy Guggenheim, localizado na casa (um palazzo) onde Peggy viveu e morreu, deixando para trás sua coleção de arte moderna de valor inestimável. Em seguida, uma corrida de vaporetto até a Piazza de San Marco, examinando os muitos palazzos às margens do canal, vários deles abandonados, todos de uma beleza singular. Caminhamos até a ponte do Rialto, a mais famosa e a primeira de todas a cruzar o Grand Canal. A essa altura já era noite, e aproveitamos um festival de música clássica na igreja de San Vidal, onde uma orquestra de cordas brindou-nos com as Quatro Estações de Vivaldi. As crianças curtiram a atmosfera e a música, surpreendendo-nos com sua capacidade de se concentrar e aproveitar.


Passeio de gôndola.
No dia seguinte resolvemos experimentar o famoso passeio de gôndola, um passeio por roteiros pré-programados. Os gondoleiros, um pouco mais de 400 no total, herdam o título e a gôndola – o nosso era da nona geração de gondoleiros de sua família. O passeio é caro, cerca de 80 euros para o tour mais barato. Você pode acrescentar todo tipo de extra: músicos, prosecco, e o custo vai aumentando. Há vários pontos de parada dos gondoleiros; você negocia e paga antes de embarcar. Se preferir, pode pedir ao concierge do seu hotel uma reserva com o roteiro e os extras que escolher em um horário determinado. Durante o passeio, para um máximo de seis passageiros, os gondoleiros vão atrás, em pé, guiando a gôndola (sempre preta e ricamente adornada) pelos estreitos canais e apontando as principais construções à volta. É o típico passeio bizarro, absolutamente turístico, mas que você sente que precisa tentar, pelo menos uma vez!


Havia ainda tanto a ver, mas o tempo foi pouco... Você consegue facilmente passar uma semana em Veneza, estendendo sua visita às ilhotas mais distantes, como Murano, onde são soprados os objetos de vidro mais espetaculares. Antes de partir, se quiser dispor de 15 euros (cada um), vá saborear o autêntico Bellini do Harry’s Bar, um drink que mistura prosecco com suco natural de pêssegos rosados. O bar de Giuseppe Cipriani, antigo reduto de Ernest Hemingway, está sempre muito lotado de turistas e não serve cerveja ou vinho, apenas drinks, mas, afinal, você não vai ser louco de ir até lá e não pedir um Bellini, combinado? A porção de azeitonas está incluída.


Ponte Rialto.
E, se você se animar com os tais vidros de Murano ou as lojas de grife, saiba que o turista pode receber de volta o imposto sobre vendas, que pode chegar a 20% do valor da compra. Bem ao lado da Piazza de San Marco, na frente da boutique Chanel, há um quiosque de reembolso de imposto. Para ter direito, você precisa pedir ao vendedor que emita um formulário específico discriminando o valor da mercadoria e o valor da taxa. De posse do documento, do cartão de crédito usado na compra e de um documento com foto, você recebe na hora, em cash, o valor integral do imposto. Mas tem uma pegadinha: você recebe também um formulário que precisa ser carimbado no aeroporto no setor específico – para tanto, é necessário estar com os bens adquiridos em mãos, pois o agente pode pedir (e pediu) para vê-los. Assim, nada de despachar a mala antes ou colocar tudo lá no fundo! Uma vez carimbado o formulário, ele precisa ser lacrado no envelope respectivo e depositado em uma caixa de correio específica e sinalizada bem na frente do escritório de inspeção. Se você embarcar sem carimbar ou postar o tal formulário, a empresa cobra seu cartão de crédito pelo valor total pago a você em dinheiro.


Veneza é conhecida como La Sereníssima, mas não tem quase nada de serena se você ficar concentrado nos pontos turísticos apenas. Permita-se explorar sem destino e você vai encontrar as mais inusitadas paisagens nesta cidade única.

Um balanço geral da viagem...

Acredito que Verona é mais interessante como base para explorar a região do que Milão. A cidade é mais típica, menor, mais fácil de andar e a hospedagem, mais barata. Nós ficamos 5 noites em Milão e 2 em Veneza, numa viagem de uma semana. Se pudesse planejar tudo de novo, ficaria apenas duas noites em Milão para ver as atrações mencionadas (no máximo 3, se fosse para ver um jogo de futebol), de lá partiria para Verona para mais 2 noites, e depois direto de Verona a Veneza.

O Lago de Como fica como uma opção para as visitas na primavera ou verão e pode ser um passeio de um dia, tanto de Milão como de Verona, ou uma viagem curta com pernoite, para os que não se incomodam em trocar de hotel mais frequentemente. Há outras cidades que podem completar o roteiro como Bologna e Módena (onde pode ser visitado o museu da Ferrari). Muitas pessoas ainda incluem Florença no roteiro do norte da Itália, apesar de a cidade estar a cerca de 320 km de Milão e apenas 220 km de Roma.

E para os que estiverem se perguntando sobre o tal show que deu origem a toda esta viagem: o grupo Maroon 5 cancelou totalmente sua turnê europeia menos de 48 horas antes de seu início, porque o vocalista resolveu participar de um seriado de TV nos Estados Unidos, num ato de desrespeito aviltante com os fãs, alguns dos quais, como nós, ainda nem conseguiram receber seu dinheiro de volta. Substituímos os Maroons tratantes por um lindo jantar em Veneza, ficando com a certeza de ser o norte da Itália um destino que nossa família, definitivamente, recomenda!

Post gentilmente revisado por A.K.Arahata.


sábado, 9 de abril de 2011

NORTE DA ITÁLIA COM A FAMÍLIA: MILÃO, VERONA E LAGO COMO

Nossa viagem foi assim:
Época: Março ****
Hotel: Hotel de la Ville **
Faixa etária das crianças: 7-9 anos ****; 13-15 anos *****


Lago de Como é uma das surpresas mais agradáveis do Norte da Itália.

Por: M.C.Carvalho.
Fotos: J.A.Carvalho.

A viagem para a Itália surgiu assim, do nada, quando nossa filha demonstrou interesse em assistir a um concerto de rock em Milão que aconteceria exatamente no dia do seu aniversário, que neste ano, novidade, cairia no meio da semana do Carnaval tardio. Na hora aderimos à ideia, meio que por impulso, meio que por uma vontade de voltar ao país onde estivéramos pela primeira vez há exatos vinte anos.

Planejar a viagem para a Itália sem ajuda profissional é factível, mas não é tão simples: muitos sites e consultas pressupõem o conhecimento do italiano; ingressos são normalmente vendidos por “intermediários”, mesmo que comprados, como no nosso caso, com quase quatro meses de antecedência; tarifas de hotel são usualmente caras.

A passagem aérea compramos com a TAM, que tem um voo direto a Milão com saídas diárias. Voo tranquilo, apesar da aeronave estar urgentemente necessitando de uma remodelagem – deve ser um dos primeiros Airbus da TAM! Vários passageiros reclamaram de poltronas que não reclinavam e sistemas de entretenimento que não funcionavam. De Milão, por trem, o norte da Itália é plenamente acessível. Decidimos manter o roteiro pelo norte para evitar grandes deslocamentos, já que tínhamos apenas uma semana.

Catedral de Milão é a maior igreja
gótica da Europa.
De Milão fomos a Verona, Lago de Como e finalmente Veneza. Para adquirir as passagens de trem, consultamos a TT Operadora Lufthansa. Pelo site você verifica os horários e preços dos trens e, depois de confirmar o pré-pedido, é contatado por uma das consultoras que apresenta as opções de pagamento, e depois entrega um pacote em sua residência com os bilhetes, informações, tudo organizado e bem feito (na volta da viagem recebemos inclusive um postal da nossa consultora desejando um bom retorno e agradecendo a preferência).

No caso do Lago Como, optamos por alugar um carro, para podermos percorrer as margens do lago, conhecendo as pequenas cidadezinhas do entorno e sua magnífica paisagem. Fomos diretamente à locadora localizada no centro de Milão e, sem muita burocracia, saímos de lá motorizados.

O primeiro alerta vai aos paulistanos desavisados que resolvem pegar um avião na sexta-feira de Carnaval. Saímos da zona oeste de São Paulo às 18 horas para um voo marcado para as 22:40, ou seja com 4:40 de antecedência. Demoramos, neste dia de chuva e recordes de congestionamento, 3 horas e meia - isso mesmo, 3 horas e meia - para percorrer o trajeto! Não perdemos o avião por dez minutos (o check-in costuma fechar uma hora antes da partida) e porque, com o atraso geral e o excesso de movimento, tudo atrasou. E dizem que teremos o caos nos Jogos Olímpicos, na Copa? Ledo engano, o caos está aqui diariamente, em véspera de Carnaval é caos, caos e caos.

Milão

Galeria Vittorio Emanuele.
Em Milão, a TAM providenciou o serviço de transfer ao hotel – para passageiros viajando em algumas classes de serviço, ou bilhetes emitidos em tarifas específicas – você pode consultar o site da TAM para saber se o serviço está incluído no seu caso, informando o número do bilhete eletrônico. São 45 km até o centro de Milão, um percurso que pode custar até 150 euros. Ficamos hospedados no HOTEL DE LA VILLE. Depois que ler este nome, esqueça-o completamente e nunca fique lá. Claramente bem localizado, recomendado por amigos próximos que já moraram em Milão e visitam-na frequentemente, o hotel nos decepcionou em todos os aspectos, exceto pela localização, a uma quadra das principais atrações turísticas da cidade, da área de compras e do metrô.

Por que não gostamos do hotel? Bem, ele estava lotado, como é frequente em Milão na temporada de feiras. Os quartos são pequenos, antigos e a atmosfera do hotel em geral é escura, taciturna. O café da manhã incluído na diária resume-se a um buffet que nunca é reabastecido e apenas dois garçons mal-humorados entregando, depois de longa espera, cappuccinos frios. O salão é cheio e escuro. O staff está sempre de cara amarrada, e faz uma cara terrível quando você pergunta qualquer coisa que seja. O serviço de quarto é demorado e confuso: pedimos Ceasar Salad, ganhamos Niçoise Salad e quando pedimos a substituição, eles exigiram que devolvêssemos a salada errada primeiro - será que iam comer eles mesmos ou tentar passar adiante? Mas até aí, estávamos sobrevivendo.

Na hora de acertar a conta, eles vieram com uma tarifa diária por quarto 30 euros maior do que a que tínhamos reservado, o que totalizava 300 euros a mais na conta. Sem entender, perguntamos. Eles não sabiam responder. Chamaram gerente, outro atendente, fizeram caras de espanto, e finalmente vieram com a desculpa de que nossos quartos eram conjugados. E daí? Não eram os dois da mesma categoria da reserva? "Sim!" Nós pedimos por esse quarto mais caro? "Não!" Nós fomos informados da nova tarifa? "Não!" Eles continuavam sem respostas, mas conseguiram enrolar 20 minutos, olhando para a tela do computador e resmungando em italiano, tentando nos cansar. Até que o horário apertou; sob ameaça de perder o trem, simplesmente arranquei meu cartão da mão da atendente e fui saindo! Aí eles se mexeram, anotaram o número do cartão e disseram que iam estudar como cobrar o valor correto. Nós retrucamos que contestaríamos quaisquer despesas acima do valor estipulado em nossa reserva e fomos embora.

O pior é que todas as avaliações "ruins" do Tripadvisor batem nesta mesma tecla: boa localização, péssimo serviço. As avaliações melhores parecem ser daqueles que privilegiam apenas a localização e a limpeza (sim, o hotel era limpo, os lençóis, toalhas, tudo ok). Acho que a lição que ficou foi que, independentemente de quem lhe recomende este ou aquele hotel (e como eu disse esse foi muito bem recomendado e por gente bem exigente), você tem que analisar se a viagem e as condições destas pessoas são as mesmas que a sua. Nossos amigos falam italiano fluente e viajam sempre a negócios e sem crianças. Nada a ver conosco...

Milão é uma cidade de hotéis caríssimos, uma vez que é sede de muitas feiras/trade shows, sendo a mais famosa delas a Feira de Móveis e Design em abril, quando é impossível conseguir um quarto. Reserve com a maior antecedência possível e leve consigo sua confirmação de reserva e as tarifas acertadas, para não passar pelos mesmos problemas que nós. Procure por uma localização central, pois os táxis também são caros e precisam ser chamados por rádio. O metrô cobre uma vasta extensão, mas é lotado e o intervalo entre os trens pode chegar a 6, 7 minutos!

Se estiver hospedado centralmente, conseguirá ir a pé até as principais atrações da região:

- O Duomo, a catedral de Milão, é a maior igreja gótica e uma das três maiores igrejas da Europa, e é belíssima. Para entrar não se paga ingresso, mas espere fila e vista-se de modo apropriado – nada de ombros ou “muita” perna à mostra. Essa regra vale para todas as igrejas italianas. A praça ao redor da igreja é repleta de lojas e restaurantes, todos turísticos e caros. Mendigos, ambulantes e sujeira também estão por toda parte: cuidado.

- Da praça avista-se a Galeria Vittorio Emanuele, que é o que o nome diz, uma galeria com lojas (Prada, Gucci, Louis Vuitton inclusive) e restaurantes. Construída entre 1865 e 1877 liga o Duomo à ópera, La Scalla. Uma construção imponente com seus portais monumentais, arcos duplos, teto de vidro e ferro e decoração intrincada.

- Atrás do Duomo, fica o Pallazo Reale onde exposições de arte provisórias são organizadas. Verifique a programação clicando aqui. Tivemos a oportunidade de ver os trabalhos do mestre italiano Arcimboldo.

- Duas quadras mais adiante, está o Teatro Alla Scalla, o “teatro municipal” de Milão, onde óperas atraem turistas do mundo inteiro. Você pode conferir a programação acessando este site e, se conseguir convencer os menores da família, comprar ingressos. Não fomos à opera, mas ouvimos excelentes comentários de amigos que lá estiveram.

- Trocamos este programa por outro: um jogo de futebol - Internazionale x Genoa - no estádio de San Siro ou Giuseppe Meazza. O placar farto em gols (a Inter ganhou por 5x2), a torcida animada, o estádio lotado gritando em coro: Lúcio, Maicon, Julio Cesar... adoramos!

O programa consome todo o domingo, e o metrô é a melhor opção para chegar ao estádio – incluindo bons 25 min de caminhada. Para conseguir os ingressos é uma peripécia, já que é impossível comprá-los diretamente dos organizadores. Alguns sites de compra e venda intermediam o negócio, por um preço premium. O nosso foi adquirido no Sports 365 (clique aqui para acessar o site). O processo é um pouco estranho: como optamos por retirar o ingresso em Milão pessoalmente - com medo de ver o ingresso perdido no correio ou extraviado na portaria do hotel – tivemos que ir a um bar no meio do caminho entre o centro e o estádio, retirar o ingresso com um representante do site cerca de duas horas antes do início do jogo e depois seguir viagem. Tudo correu perfeitamente bem.

Se há fãs de futebol na sua família, não hesite, o programa vale a pena! Lembre-se de que os dois principais times da cidade de Milão, a Internazionale e o Milan, revezam-se no uso do estádio San Siro aos domingos. Além do campeonato italiano, há jogos das ligas europeias, tudo dependendo da época do ano que você escolher para visitar a Itália.

- Mas o programa imperdível de Milão é visitar a igreja de Santa Maria delle Grazie, onde fica o Cenacolo Vinciano e a pintura mundialmente famosa de Leonardo Da Vinci, a Última Ceia, pintada entre 1495 e 1498 na parede do refeitório do convento da igreja. Um dos monumentos tombados pelo patrimônio histórico mundial, o afresco enorme vale a visita – totalmente controlada, apenas 25 pessoas entram em intervalos de 15 minutos. Tudo para proteger a obra, extremamente frágil pela técnica escolhida e pelo descuido ao longo dos anos: as tropas de Napoleão supostamente usavam-na para praticar tiro, e durante a Segunda Guerra Mundial a parede lateral do refeitório onde está localizada foi bombardeada, deixando a pintura ao sabor das intempéries por vários anos.

Para comprar os ingressos, supostamente é necessário acessar o site oficial. Os ingressos começam a ser vendidos com cerca de três meses de antecedência – desde 9 de março último estão à venda os ingressos para o mês de junho. Pela nossa experiência, isto mostrou-se impossível. Mesmo entrando no site no dia seguinte ao da abertura das vendas para março, mês planejado para a visita, já não encontramos praticamente nada disponível. O jeito foi apelar para os intermediários.

No site Select Italy, é possível adquirir ingressos para o dia do seu interesse, com um intervalo de aproximadamente uma hora para mais ou para menos do horário que indicar. Eu queria ingressos para 9 de março às 10 horas, consegui para o mesmo dia às 9:45. O pagamento é assustadoramente mais caro do que o valor de face dos ingressos, mas ainda assim vale a pena! Você recebe uma confirmação por email, junto com os vouchers, que podem ser trocados pelos ingressos até 15 minutos antes do horário da sua visita, diretamente na bilheteria do Cenacolo. A Select Italy oferece ingressos para muitos outros eventos em várias cidades italianas, vale conferir.


Sendo o centro da moda e do design, Milão oferece, sim, muitas oportunidades de compras. Além das dezenas de lojas na Galleria Vittorio Emanuele e arredores, o famoso Quadrilátero D’Oro, localizado entre a Via Montenapoleone, Via Borgospesso, Via Della Spiga e Via Sant'Andrea, inclui todas as lojas de grife que você pode imaginar e outras mais. E se há meninos no grupo, grandes ou pequenos, a mega-store da Ferrari, bem atrás do Duomo, é parada obrigatória. Com dois carros da equipe Ferrari de Fórmula 1 em exposição, e quatro andares de mercadorias, que vão de chaveirinhos a réplicas luxuosas, há escolha para todos os bolsos.

Se o seu tempo na cidade permitir, depois de visitar a Última Ceia, ande até o Castello Sforzesco, uma construção medieval encravada no centro da cidade. O imenso castelo construído pela família Visconti em estilo italiano renascentista foi remodelado pela família Sforza e abriga um amplo acervo de arte, além de ser em si uma atração para os pequenos, com seu fosso (seco), suas muralhas, torres e o desenho típico de um castelo de conto de fadas. Para entrar no pátio não é necessário ingresso, apenas para as áreas das exposições.

Verona

Verona é encantadora, ponto. A cidade de Romeu & Julieta, que recentemente foi cenário do filme “Cartas para Julieta”, fica a uma hora e meia de Milão por trem,  saindo da estação Milano Centrale (há três estações de trem em Milão). Se você não quiser comprar os bilhetes aqui no Brasil, para ter maior flexibilidade você pode adquiri-los diretamente na estação. Há dois serviços, o regular e o trem rápido. Opte pelo segundo, que, como o nome já diz, é mesmo bem mais rápido, com serviço mais eficiente, etc. Cada um tem sua própria bilheteria.

O trem chega a Verona na estação Porta Nuova, onde um táxi para a Piazza Brà (5 a 10 minutos de percurso) leva até a Arena de Verona, uma das principais atrações da cidade. O táxi é a melhor opção, já que no trecho não há nada a ser visto, e poupa seus pezinhos para caminhar da Arena em diante. Para chegar à Piazza Brà, cruza-se um lindo portal antigo, a porta de Brà, que servia de entrada para a cidade medieval de Verona, então totalmente murada.

Arena de Verona.
Passando a porta Brà, a Arena se descortina à sua frente: um anfiteatro romano antigo, que acredita-se ser datado de 290 d.C., muito bem conservado, apesar de apenas 4 dos seus arcos superiores terem sobrevivido. Nos meses de verão são programados concertos de música clássica/óperas e os horários de funcionamento variam. Verifique com antecedência no site oficial do monumento (para acessá-lo basta clicar aqui).

Casa de Julieta.
Da Arena, caminhe em direção à casa de Julieta na via Capello. Na primeira linha de sua obra “Romeu e Julieta”, Shakespeare declara que esta história de amor se passa em Verona, Itália. E como havia por lá os Capuleti, a  casa da família se transformou numa espécie de destino de peregrinação, passando a ser conhecida como a casa de Julieta. As paredes que dão acesso ao pátio são brancas e repintadas duas vezes ao ano (14 de fevereiro, Valentine’s Day e 17 de setembro, aniversário de Julieta), para permitir que se escrevam mensagens de amor ou pedidos à Julieta. No pátio, estão localizados o famoso balcão e uma estátua de bronze da personagem (colocada nos anos 60). Dizem que uma foto com as mãos nos seios de Julieta dá sorte, então se pode imaginar o tamanho da fila.... Os mais fanáticos podem querer também conhecer a casa de Romeu, a uma pequena distância dali, quase um castelinho onde morava a família Montecchi.

Optamos por continuar caminhando a esmo entre as ruas, igrejas, pontes e praças. Verona é um parque arqueológico a céu aberto, e supostamente a segunda cidade em número de relíquias do Império Romano, só perdendo para Roma. Paramos para almoçar na lindíssima Piazza delle Erbe, antigo local do foro romano, e portanto centro da vida econômica da época. Totalmente rodeada por antigos palácios e construções, uma mais interessante que a outra, a praça oferece uma dezena de restaurantes turísticos com menus de pizzas e massas, que degustamos com o leve vinho rosado da região, o Bardolino.

Terminamos o dia caminhando de volta à estação, com a certeza de ser Verona uma excelente opção de hospedagem para explorar o norte da Itália.

Lago de Como

Lago de Como.
O norte da Itália é separado do resto da Europa pelos Alpes, e por isso mesmo a região é farta em lagos de águas de degelo, muito azuis e rodeados por montanhas. O Lago de Como é um deles. Aqui a família se mostrou incerta: destinos típicos de verão costumam ser, no inverno, um desastre - vazios e abandonados. Mas resolvemos fazer a viagem de carro de uma hora (45 km) para conhecer esta paisagem de que amigos tanto falaram. GPS programado, chegamos a Como sem problemas. É certo que as estradas estão em reforma e as filas do pedágio são imensas, mas nada absurdo.

Chegamos e descobrimos que nossa impressão era correta: cara de cidade abandonada, ninguém na rua, um vento frio soprando do lago. Caminhamos até a catedral, bonita, mas fechada à visitação, assim como os pedalinhos e os restaurantes na beira do lago.

Paramos em uma padaria e acabamos por descobrir uma delícia de acompanhamento para o cappuccino nosso de cada dia: chiacchieres, uma massinha frita com açúcar polvilhado; deliciosa. No Brasil, minha avó italiana fazia algo muito semelhante que ela chamava de cróstoli.

Depois de muito chiacchiere, misto-quente italiano e cappuccino, resolvemos sair de Como abandonada para dirigir ao redor do lago em busca de recantos mais agradáveis, e foi aí que a paisagem se revelou. As duas margens do lago, que tem um formato semelhante a um pingo de chuva, são lindas, cheias de casinhas, pequenos hotéis, velhas capelas. A estrada estreita vai serpenteando ao redor da montanha, e de repente se avistam os Alpes e seus picos nevados à distância, num lindo contraste com o azul profundo da água. Em certo ponto (depois de aproximadamente 45 minutos) chega-se à parada do ferry boat, que cruza o Como e permite que você percorra o caminho da volta pela outra margem. Carro embarcado, nosso ferry “Plínio” cruzou o lago em rápidos 15 minutos, deixando-nos na margem oposta, na cidadezinha de Belagio.

Belagio também mostrava sinais do vazio de inverno, mas mantinha alguns restaurantes e lojas abertas e era possível caminhar entre o labirinto de ruas e ladeiras charmosas, fazendo dela parada interessante para um almoço tardio. Voltamos pela margem oposta, mais 45 km até Como, mais casinhas, recantos, despenhadeiros.
Nota do F.R.: essa Belagio parece
muito mais charmosa que a outra!

Resumindo, Como é um destino de verão, ou pelo menos primavera, mas visitando no inverno as paisagens lindas e um pouco de sossego fizeram valer a pena.

Depois de passear muito pelos arredores de Milão, pegamos o trem em direção a Veneza, onde novos e fascinantes lugares nos aguardavam. Mas isso é assunto para o próximo post!

Post gentilmente revisado por A.K.Arahata.