quarta-feira, 6 de abril de 2011

PLANEJANDO VIAGENS URBANAS

Se você fizer uma enquete rápida entre as crianças que você conhece, perguntando qual o tipo de viagem preferida por elas, terá como respostas 50% "praia" e 50% "Disney". Talvez a proporção entre praia e Disney varie um pouco, mas basicamente essas 2 opções cobrirão a opinião de quase todas as crianças.

Por outro lado, se você parar para conversar sobre viagens com os pais durante alguns minutos (como costumamos fazer com frequência cada vez maior, agora que nossos amigos sabem que temos um blog sobre o assunto), vai perceber que a maioria, salvo exceções, já está cansado de resorts e hotéis de praia, e os que já estiveram na Disney duas, três vezes, também já estão buscando outras alternativas.

Procure os playgrounds da cidade
(Central Park, NY).
Uma alternativa "natural" para levar as crianças, que agrada tanto a elas quanto a seus pais, é passar férias em cidades famosas do mundo, como Buenos Aires, Santiago, Paris, Nova York, Londres ou Barcelona. A maioria das grandes capitais têm um equilíbrio entre atrações infantis e passeios turísticos consagrados. Afinal, nesses lugares também moram crianças que se divertem em suas cidades como qualquer outra criança do mundo. Basta saber procurar as atrações infantis.

Transbordador Aerì,
Barcelona.
Por exemplo, quando fomos a Barcelona, não nos limitamos somente a visitar as obras de Gaudí e os museus. Conhecemos também o estádio do Barcelona (tudo bem, essa não é uma atração só pras crianças pequenas...), o teleférico que passa por cima da Barceloneta (Transbordador Aerì), e fomos, não uma, mas DUAS vezes ao aquário (clique aqui para ler nossos posts sobre a cidade). Em Paris, a mesma coisa. Passamos duas noites na Disney, e quatro na cidade-luz. E mesmo lá, além de visitar o Louvre, o D´Orsay e o Museu Rodin, passeamos no parque de diversões da Tuilleries (todos os dias!) e fizemos um passeio de barco interessantíssimo pelos canais da cidade (clique aqui para ler mais sobre Paris).

Os pais costumam ter muitas dúvidas sobre se levam ou não suas crianças para esses lugares. Prova disso é a grande quantidade de livros e guias com títulos como Las Vegas com Crianças, Buenos Aires com Crianças, Paris com Crianças. O grande segredo para organizar viagens a cidades que, de outra maneira, só agradariam aos adultos, é incluir alguns programas tipicamente infantis, de preferência um por dia, para divertir as crianças também.

Nossa inspiração para escrever esse post veio de uma publicação do blog Have Family Will Travel sobre viagens a cidades (leia o post em inglês clicando aqui). As 10 dicas que aparecem lá coincidem totalmente com nossa própria experiência, então decidimos dar nossa perspectiva sobre cada uma delas.

Cité des Sciences, no Parc La Villette.
1. A localização importa: especificamente no caso dos hotéis. Nas cidades, é importante minimizar os deslocamentos, não só por causa do tempo e cansaço envolvidos, mas também por causa do custo. Até mesmo uma passagem de metrô, se multiplicada por quatro pessoas, duas vezes por dia, durante seis ou sete dias, pode representar uma despesa considerável, cuja economia muitas vezes ajudará a compensar o preço um pouco mais caro que você paga para ficar em hotéis mais centrais. Então é imprescindível escolher um hotel numa localização boa, para que você não tenha que tomar várias conduções cada vez que for passear.

Um detalhe é que, em muitas cidades, locais muito perto do centro são mais degradados. É o caso de Barcelona, em que a zona mais central, a cidade velha (próximo ao bairro gótico), é mal iluminada e frequentada por mendigos e trombadinhas em algumas áreas. Uma zona igualmente bem localizada, só que mais nova e menos perigosa, é o Eixample, nas ruas paralelas ao Passeig de Gracia. A maioria das cidades tem um centro mais "decadente" (como Les Halles em Paris, zona Centro em Buenos Aires ou Santiago), e outro mais moderno e/ou seguro (como Opera em Paris, Recoleta em Buenos Aires, e Providencia em Santiago). Se não for uma cidade em que o aluguel de um carro seja imprescindível, é importante também ficar numa área com restaurantes por perto, e em que não seja perigoso andar à noite.

2. Espere que os hotéis sejam amigáveis com crianças, mas que não girem em torno delas. Ao contrário dos resorts de praia e da Disney, em que o entretenimento infantil é crucial, nas cidades você deve procurar apenas por um quarto em que caiba uma cama extra, e um staff simpático e receptivo às crianças. Acredite, é muito mais difícil do que você imagina. Alguns hotéis em cidades literalmente proíbem a hospedagem de crianças, enquanto que outros só têm quartos duplos com cama de casal. Informe-se bem antes de reservar o seu.

Sorveteria em Paris.
3. Alterne passeios turísticos com brincadeiras. Não planeje fazer passeios e tours um atrás do outro. Deixe sempre uma ou duas horas por dia entre as saídas para tomar um sorvete, ir a um playground, ou até mesmo voltar para o quarto e deixar as crianças assistirem um pouco de desenho na TV. Tem até sites na internet que mostram a localização dos playgrounds das grandes cidades, de modo que você pode reservar um hotel próximo a um parquinho, onde seu filho poderá brincar diariamente.

Além dessas paradinhas estratégicas, é bom incluir no roteiro o aquário, zoo ou museu de ciências da cidade visitada. Já vimos pais reclamando de ter que conhecer "mais um zoo", afinal de contas são todos iguais. Mas para as crianças são todos igualmente fascinantes, então não custa nada incluir naquele 2 ou 3 passeios especialmente para as crianças, naquele seu roteiro de 10 dias. Você pode dar preferência ao zoo quando houver algum animal raro (urso polar em NY, urso panda em San Diego, e assim por diante), ou ao aquário quando ele for especialmente bom (em Atlanta e Barcelona, por exemplo), ou ainda visitar o museu de ciências quando a cidade não tiver um zoo ou um aquário suficientemente bons (em Paris, por exemplo, não deixe de ir ao Parc La Villette).

4. Uma piscina no hotel é uma vantagem enorme. Temos uma tendência natural de ir viajar para as cidades no verão, mas elas podem ser incrivelmente quentes nessa época. Nesse caso, ter uma piscina - nem que seja uma bem pequena, como a que havia no nosso hotel em Barcelona - é muito bom, para a criança poder nadar e relaxar depois de um dia de passeios. Depois da piscina, um banho, um pouco de TV, e ela estará renovada para dar uma saidinha no fim da tarde. Se a cidade for fria, uma piscina aquecida é uma vantagem maior ainda!

5. Crie uma estratégia para o jantar. Essa dica serve mais para americanos, que têm costume de jantar cedo. Se sua família é dessas, siga as dicas do autor, pedindo comida no quarto ou contratando uma babá para ficar com as crianças enquanto os adultos saem. Saiba que o serviço de quarto da maioria dos hotéis é muito caro, então cuidado com o rombo na conta!

Nossa estratégia para cidades onde se janta muito tarde é tomar um lanche reforçado depois do almoço. Um muffin ou sanduíche fazem toda a diferença, para que seu filho não chegue ao horário do jantar desabando de fome, cansaço e choro. A mesma dica - tomar um lanche - vale para lugares em que o fuso fará você atrasar suas refeições. Por exemplo: se no local da viagem ainda são 10 da manhã, e em casa já são duas da tarde, considere parar para um lanche nesse momento.

Uma extensão dessa dica sobre o jantar pode ser feita para abarcar todas as refeições do dia. Não deixe os horários corridos de uma viagem atrapalhar as refeições: é muito fácil perder-se num turbilhão de atividades . Trate-as como sagradas, não deixando que atrasem mais do que uns 30 minutos. Se estiver num lugar com restaurantes interessantes, e for se locomover para outro em que você não tem certeza das opções de alimentação, é melhor almoçar ou jantar cedo.

Um dos erros comuns que cometemos em nossas primeiras viagens a cidades foi pensar: encontraremos algo para comer quando chegarmos à nossa próxima parada. Só que, entre se deslocar, reconhecer o lugar, escolher um restaurante (às vezes temos que descartar os 2 ou 3 primeiros porque não têm nenhuma opção para crianças), até duas horas podem se passar, e a essa altura as crianças certamente já estarão aos prantos.

6. Confirme as baby sitters antes da viagem. Cansamos de ver, no exterior, famílias viajando com a própria babá. Às vezes, até uma babá para cada criança. E invariavelmente eram famílias brasileiras. Respeitamos a decisão de cada família quanto a como gastar seu dinheiro, mas, no nosso caso, como viajamos com as crianças para passar tempo juntos, não vemos motivo para carregar uma babá a tiracolo. Isso não quer dizer que os adultos não possam passar um tempo sozinhos, num jantar ou numa balada.

Para isso, os bons hotéis normalmente trabalham com uma agência de babás, ou indicam as profissionais. Na maioria das vezes, elas não saem com as crianças, e nem dão banho ou levam à piscina, por questões de segurança. Então, marque aquele jantar especial para as 9 ou 10 da noite, e deixe as crianças dormindo no quarto, acompanhadas por uma dessas baby sitters. Deixe seu número de celular e, se alguma emergência ocorrer, elas são perfeitamente treinadas para resolvê-la e chamar você imediatamente. Obviamente essa opção não serve se você ficar num hotel que não indica um serviço de babás, ou em alguma cidade que não seja muito segura. Para Europa e Estados Unidos em geral, você não terá problemas com essa estratégia.

Sagrada Família,
Barcelona.
7. Crie uma lista das coisas que você quer ver... e corte pela metade. Essa é uma queixa comum dos pais que preferem deixar as crianças em casa quando viajam às grandes cidades do mundo: que não conseguem visitar nem a metade do que conseguiriam se estivessem sem as crianças. A essa afirmação, nós respondemos: se as crianças estiverem junto, vocês viverão o dobro de momentos memoráveis do que se estivessem sozinhos. Então, diminuir a quantidade de lugares não significa diminuir a qualidade da viagem!

Para acomodar bem pais e filhos, em nossas viagens costumamos pesquisar TUDO (ou quase tudo...) que há no lugar. No começo da pesquisa, dá vontade de visitar tudo mesmo! Mas com um pouco mais de atenção, lendo opiniões em guias e na internet, você conseguirá priorizar as coisas que quer ver. Algumas que no começo lhe pareceram muito boas, ao avaliar mais de perto você descobrirá que não valem a pena. Então, primeiro crie uma lista com tudo, e depois priorize. No dia tal, vamos visitar tal e tal lugar, e, se der tempo, veremos também esse aqui. E se não der tempo? Paciência, fica como desculpa para voltar àquela cidade de novo! Se você fizer um itinerário factível, geralmente dá tempo de fazer uma visita prioritária por dia. E tenha muito jogo de cintura, pois bem no dia em que você tinha planejado visitar o Museu de L´Orangerie, seu filho acorda de ovo virado e não aceitará outro passeio que não o parque de diversões em frente ao Louvre. Ceda, e amanhã você tenta de novo. Afinal, férias são para relaxar, não para brigar.

8. Faça excursões guiadas amigáveis para crianças. Para nós, brasileiros, essa dica esbarra no problema do idioma. Enquanto há tours guiados em inglês na maioria das cidades, no caso do português já é bem mais difícil encontrar. Então, ao invés de utilizar um tour guiado, você mesmo pode fazer seu itinerário, pesquisando um pouco antes de sair de casa sobre os lugares a serem visitados. De guia em punho, vá andando e explicando para o seu filho o que ele está vendo. Até os adultos vão aprender!

9. Tome um ônibus "hop-on-hop-off". Toda grande cidade tem um ônibus desse tipo agora. Os turistas descolados têm verdadeira alergia desse meio de transporte. Associam-no imediatamente a um monte de aposentados americanos, de óculos de sol, tirando fotos sem parar e exclamando "oh, my God!". Para famílias com crianças, é uma verdadeira bênção. Os ônibus têm itinerários cuidadosamente estudados para cobrir as principais áreas turísticas das cidades, então com apenas uma volta em um deles você tem uma boa ideia da distribuição geográfica dos lugares, e pode dar uma olhadinha - de fora - em cada um, ajudando na sua decisão de visitá-los ou não. Nas cidades da Europa, os audioguias desses ônibus normalmente têm opção de idioma português.

Além disso, permitem que você suba e desça nos pontos de parada - geralmente perto dos pontos turísticos - quantas vezes quiser, pelo mesmo preço. Para famílias que às vezes têm que voltar para o hotel no meio do dia, e depois continuar o tour à tarde, é uma mão na roda. E com a vantagem de ter um itinerário bem definido, convenientemente marcado num mapinha que você pode levar e estudar à vontade. Muito melhor do que ficar se perdendo no sistema de transporte público da cidade, entre miríades de números de ônibus, linhas, direções... Claro que o metrô não entra nessa categoria de transportes confusos, mas, apesar de ser um meio de transporte interessante, não permite que você veja a cidade pelo caminho, sendo às vezes até meio desorientador.

Museu Rodin, Paris.
10. Recorra a opiniões de sites e outras famílias que viajam, para buscar informações. Hoje em dia, há muitos sites especializados em viagens em família, principalmente em inglês. Invariavelmente, as informações que eles prestam são muito diferentes das informações dadas por outros tipos de site. Por exemplo, um resort ou uma estação de esqui podem ser lindos e maravilhosos, mas se ficarem a quatro horas de ônibus do aeroporto mais próximo não servirão para famílias com crianças pequenas. Perder-se por ruelas medievais de uma cidadezinha na Europa pode ser muito romântico quando se está a dois, mas pode tornar-se um pesadelo com duas ou três crianças cansadas e famintas a tiracolo.

Como diz o blog Have Family Will Travel, você não precisa se ater somente às soluções testadas e aprovadas por outras famílias. Mas, quando fraldas e mamadeiras passam a fazer parte da sua bagagem, um pouco de informação prévia e algum planejamento podem ser a diferença entre uma viagem incrível e um fiasco mais incrível ainda...

É claro que, além dessas 10 dicas, há muitos outros detalhes dos quais você precisará cuidar ao planejar uma viagem assim. Mas seguir essas recomendações do Have Family Will Travel já é um ótimo começo. Esperamos que você possa recorrer sempre às dicas que damos aqui no Família Recomenda, para fazer suas viagens em família ficarem cada vez mais emocionantes e gratificantes. Consulte nossa página sobre planejamento de viagens clicando aqui. Em nossa opinião, todo sacrifício de itinerário, tempo ou quantidade de lugares visitados é válido, para ter as crianças a bordo e compartilhar com elas todas as coisas fascinantes que existem pelo mundo afora!

P.S. (18/5/2011): lendo um post de uma blogueira do Fodors (clique aqui para ler), lembramo-nos de mais um truque que usamos sempre em nossas viagens:

11. Dividir para conquistar. Quando a família inteira não quer ir para um determinado lugar, nós nos dividimos e nos divertimos! Por exemplo, em Barcelona um dia o pai estava cansado e tinha alguns assuntos de trabalho urgentes para resolver. Então ele voltou para o hotel, enquanto os demais foram para o aquário. Nosso filho gostou tanto do aquário, que no dia seguinte quis voltar lá. Dessa vez, quem o levou foi o pai, que ainda não tinha tido oportunidade de conhecer o lugar. Enquanto isso, a mãe aproveitou para visitar o museu Miró, já que o resto da família não estava com a menor vontade de encarar um programa artístico naquele dia...

E você, o que acha? Poste um comentário sobre esse assunto! (obs: todos os comentários são moderados, então não aparecerão imediatamente após a postagem, ok?)

Post gentilmente revisado por A.K.Arahata.

4 comentários:

  1. Adriana Paulino07 abril, 2011

    Nossa, muito bom o post.
    A nossa família agradece.
    Parabéns!
    Adriana

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  2. Olha, por experiência própria eu sempre priorizo uma atividade infantil no dia para que o tédio não estrague o dia de criança.Seja qual for o destino eu procuro pesquisar um restaurante com playground, ou um shopping, ou um parquinho mesmo.
    E aí com a criança satisfeita é bem mais fácil partir pra próxima atividade.
    O site continua muito bom ( fiquei triste com o ocorrido no Fantasmic)Mas ainda bem que compensaram. Abs

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  3. Adriana & Simone,
    Agradecemos as palavras.
    Continuem postando e compartilhando suas experiências!

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  4. Esse post é atual até hoje!! Somos uma família que viaja com crianças e estamos desbravando Santa Catarina. Acompanhe nossas histórias no blog emanarsa.wordpress.com e viaje conosco!

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