sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A NETA DA MAHARANI: UMA VIAGEM ÀS NOSSAS ORIGENS

  



Você já parou para revisitar sua história? Quer dizer, revisitar mesmo, pesquisar quem são seus pais, como eles se conheceram e se casaram. Quem são seus avós, de quais países vieram, como tiveram seus pais, quais aventuras viveram? E, antes deles, seus bisavós?

Poucas pessoas que vivem no Brasil têm raízes antigas em nosso país. A maioria é filho ou neto de imigrantes, e geralmente nas nossas famílias há 4 ou 5 nacionalidades diferentes, com raízes dispersas por lugares longínquos e fascinantes, como Itália, Japão, Líbano, Portugal, China, África, Armênia, Coreia... Para sabermos quem realmente somos, às vezes temos que visitar ou revisitar os mais diferentes lugares. No livro A Neta da Maharani, da Primavera Editorial, é o que a autora e narradora, Maha Akhtar, procura fazer (clique aqui para ler uma resenha da imprensa sobre o livro).

No início da história verídica contada no livro, Maha vive uma vida perfeitamente cosmopolita em Nova York, trabalhando num grande canal de TV. Um dia, por causa de uma exigência burocrática, ela é obrigada a procurar sua certidão de nascimento. Crente que havia nascido em Sidney, na Austrália, contata o hospital e os serviços de registro do país, e, depois de extensiva pesquisa, descobre que seu nascimento não havia sido documentado lá. Assim, inicia uma busca para saber quem ela realmente é, e no caminho se depara com a incrível e tortuosa história de sua família: desde a vida de  sua bisavó espanhola e de seu bisavô, um verdadeiro maharaja indiano, até os sonhos destruídos e a vida alquebrada de sua própria mãe.

No processo, Maha compreende muitas coisas sobre si mesma, que a deixavam confusa e intrigada pelo simples motivo de nunca ter sabido a verdade sobre suas origens. Compreende também atitudes inexplicáveis de sua própria mãe, que, em certo momento, haviam provocado revolta nela, mas que depois se tranformaram em compreensão e até gratidão.

Place des Vosges
(foto do site www.conexaoparis.com.br)
A história da família de Maha nos leva por muitas viagens literárias. Através dessa história, através dos olhos da mãe de Maha, por exemplo, sentimos como é ser jovem e inocente, e estar em Paris pela primeira vez ao lado de seu amado: tinham "alugado uma casinha na Rue de Bearn, ao lado da Place des Vosges, no Marais. Zahra estava encantada com ela, com Paris." Ficaram na cidade por algumas semanas, fazendo compras nos mercados, vivendo num apartamento parisiense, curtindo a cidade-luz sem pressa, como deveriam ser todas as viagens a Paris...

Desfile da Semana Santa em Sevilha.
(foto do site
espanhaquiaolado.wordpress.com)
Mais tarde, ele a leva a Sevilha, onde ela "presenciou sua primeira procissão da Semana Santa, sentiu-se envolvida ao ver a banda de música que ia na frente, seguida pelos penitentes, os nazarenos e depois a passagem de Cristo, antecedendo a Virgem, em todo seu esplendor." "Quando Jesus passou em frente a eles, Zahra reparou que as pessoas choravam ao se lembrar de sua crucificação." A certa altura, um homem começou a cantar, e ela "entendeu que a emoção transbordante que se sente ao contemplar esses lindos carros só pode ser expressa pelo canto." Zahra, apesar de muçulmana, não pôde deixar de se emocionar com a procissão.

Em outro momento da história, quando a bisavó de Maha chega à Índia pela primeira vez, encontra uma Bombaim "enorme e extensa que, para seus olhos pouco acostumados, lhe pareceu muito estranha. No píer viu vacas, cabras, cachorros e galinhas. Reparou que as pessoas tinham a pele muito escura, quase negra." "Viu choças feitas com um pedaço de pano e quatro paus; as pessoas se sentavam ali embaixo, era seu lar." Para uma mulher nascida e criada na Espanha, foi uma visão bizarra e chocante.

Alhambra. (foto do site
http://www.alicante-costablanca-spain.com/)
A história nos leva ainda a costumes antigos dos povos que estão nas origens da autora: um passeio por um mercado ao ar livre em Beirute, uma lauta e autêntica refeição árabe em Damasco, um casamento indiano com toda pompa e tradição, e a uma viagem que a própria autora fez a Granada na sua adolescência. Nessa viagem, Maha ficou fascinada com a vista de seu quarto, de onde conseguia ver a lua brilhando sobre o famoso palácio de Alhambra com suas filigranas, janelas, arcos, pátios...

Maha narra a visita de suas antepassadas a esses fascinantes lugares, e também como sua avó, sua mãe e ela própria revisitaram alguns deles anos depois, muitas vezes sem sequer terem conhecimento de que suas ancestrais haviam estado nas mesmas cidades, passado pelas mesmas ruas... De várias maneiras, através de várias gerações, esses lugares estão conectados, emaranhados, embaralhados na mente, no coração e nas origens da autora. O livro inspira a conhecê-los: Granada, Sevilha, Paris, Beirute, Madri, Nova York.

No entanto, mais do que conhecer lugares fascinantes, a história de Maha nos inspira a conhecer aqueles que têm relação com a nossa história, onde estiveram nossos antepassados; os lugares onde se passaram as histórias de nossos pais e nossos avós; os lugares que os povos aos quais pertencemos construíram com tanto sacrifício e arte.

E você, se tivesse que escolher um lugar, ligado ao seu passado e da sua família, para visitar, qual seria? Qual país, cidade ou bairro você visitaria se fosse buscar suas raízes e a origem da sua história? Até sexta-feira, dia 2/3/2012, clique nesse link para preencher o formulário e responder à pergunta, e estará automaticamente concorrendo a um exemplar do livro "A Neta da Maharani".

No dia 7/3, publicaremos os resultados da enquete com todos os lugares mencionados por nossos leitores, e os ganhadores do sorteio.

Mecânica do sorteio: cada formulário preenchido recebe um número automático atribuído pelo Survey Monkey. No dia do sorteio, utilizaremos o site random.org para escolher aleatoriamente os números de questionários que ganharão os exemplares do livro. Boa sorte!

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