quinta-feira, 17 de março de 2011

DESCASCANDO A AMERICAN


Após perder uma conexão em Miami, várias famílias viajando juntas passaram por todo tipo de problema com a American, decorrentes das dificuldades pelas quais a empresa vem passando nos últimos meses. Desde serem mandados a um hotel que oferecia risco à segurança das famílias, até mãe e filho (de 4 anos!) sendo colocados em voos separados... Se continuar desse jeito, não falta muito para a empresa fechar de vez!

Se você acompanha nosso blog, já deve ter lido nosso relato sobre os voos horríveis que fizemos com a American. Ficamos sentados por duas horas dentro das aeronaves, aguardando reparos de última hora; nossas malas chegaram ao destino dois dias depois de nós, e nesse meio tempo a American não fazia a menor ideia de onde estavam; antes do embarque, a companhia trocou nossos voos por outros com conexões impossíveis de cumprir... Por tudo isso, achávamos que nossa experiência tinha sido ruim, mas até a semana passada não sabíamos do que a companhia realmente é capaz.

Um grupo grande de amigos e conhecidos nossos decidiram usar a American para chegar a Nassau, nas Bahamas, com conexão em Miami. Na ida, a costumeira espera dentro da aeronave, após o embarque, para os técnicos consertarem os banheiros que não estavam funcionando. Fora isso, poucos problemas.

Na volta dessas famílias, na sexta-feira, a situação ficou totalmente fora de controle. Tudo começou com um atraso, em Nassau, do voo da American Eagle, a afiliada da empresa que faz essa rota. Um dos dois aviões que fazem o trajeto entre Nassau e Miami quebrou, e apenas uma aeronave permaneceu funcionando. Isso provocou um atraso de 3 horas no voo entre Nassau e Miami. Obviamente, o grupo perdeu sua conexão para o Brasil, por uma questão de minutos. Foi nesse momento que o verdadeiro suplício começou.

No balcão da American em Miami, todas as famílias tentavam remarcar seus voos. Sendo a volta do Carnaval, todas as saídas para o Brasil estavam lotadas. Ficaram no aeroporto das 11 da noite às 3 da manhã, até que todos conseguiram remarcar suas passagens. Algumas famílias tiveram que se separar: o pai embarcaria com um dos filhos e a mãe, com o outro. Outros tiveram que pegar voos com conexões absurdas, como por exemplo ir de Miami a Santiago ou a Buenos Aires, e daí a São Paulo. Passageiros que deveriam ter saído de Miami na sexta acabaram remarcando suas passagens para segunda-feira. Isso tudo após muita briga, pois a empresa queria colocar as pessoas para retornar ao Brasil na quarta, cinco dias mais tarde, como se as pessoas não tivessem outro compromisso que não ficar em Miami esperando a boa vontade da companhia.

Voos remarcados (ou pelo menos assim pensaram), seguiram para o hotel que a American havia designado para eles. Do lado de fora, até que o hotel não parecia ruim. Ao entrarem, perceberam que se tratava de um hotel de quinta categoria, com um cassino no andar térreo, repleto de bêbados e com forte odor de cigarro. No quarto, nada muito diferente: carpete todo coberto por manchas escuras, mobília velha e puída, pó e sujeira por todos os lados, e o mesmo cheiro de cigarro. Se você tiver curiosidade, dê uma olhada no que os viajantes do Trip Advisor falam sobre o hotel, clicando aqui. Para dar uma ideia, o hotel está na classificação 157, entre 188 hotéis de Miami com opiniões cadastradas no TA.
Não puderam nem tomar banho, pois o comércio já estava fechado e a American não se dignou sequer a fornecer itens de higiene para os passageiros. De qualquer forma, não teriam tido coragem de tomar banho num lugar tão sujo. A maior surpresa do quarto, no entanto, estava dentro do cofre: um pacote suspeito havia sido deixado lá. Cuidadosamente inspecionaram o pacote, e dentro dele havia... uma fralda descartável usada!

Como já eram 4 da manhã, ninguém teve mais forças para sair imediatamente e ir procurar outro lugar. Mas no dia seguinte, acordaram de manhã e mudaram de hotel, dessa vez pagando do próprio bolso. Eles estavam tão longe do centro que a corrida de táxi custou 70 dólares. Ficava localizado ao lado de uma reserva indígena! (Você sabia que em Miami tem uma reserva indígena?)

Depois de pagarem do próprio bolso produtos de higiene, roupas para 5 pessoas usarem durante 2 dias, todas as refeições e o hotel, finalmente chegou o dia de ir embora, domingo. O voo que pegariam, ainda que 2 dias depois, teria conexão em Buenos Aires, pois voos diretos para o Brasil estavam absolutamente tomados. Por precaução, chegaram ao aeroporto de Miami com 4 horas de antecedência. No check-in, a primeira surpresa do dia: a atendente informou que não poderia emitir os cartões de embarque porque o voo já estava cheio. Eles deveriam se dirigir ao balcão no portão de embarque para "tentar" entrar no voo.

Já na sala de embarque, a confusão estava instalada: várias pessoas sem cartão de embarque procuravam um lugar no avião, os atendentes anunciavam bônus e hotel (ruim) de graça para quem desistisse de voar naquele dia, passageiros nervosos... Overbooking é eufemismo para o que a American anda fazendo com seus voos nos dias mais cheios. Over over over overbooking seria mais preciso.

Nossos amigos aguardaram com muito nervosismo uma quantidade suficiente de passageiros desistir, para eles poderem embarcar. Faltavam poucos minutos para fecharem os portões na hora que conseguiram o último assento. Cada membro da família foi parar num canto do avião. Após trocar com passageiros de boa vontade, conseguiram se sentar, a mãe com um filho, e o pai com os outros dois. Dessa forma, conseguiram chegar a Buenos Aires e, finalmente, a São Paulo.

A família estava se achando muito azarada, até contatar os outros amigos do grupo e ouvir suas histórias. Uma família com 2 filhos havia conseguido remarcar seu voo para o dia seguinte, sábado, direto para São Paulo. Para isso, haviam se dividido: o pai com um filho e a mãe com o outro. Quando chegaram ao aeroporto para o embarque, descobriram que o funcionário da American, para se livrar deles na madrugada de sábado, havia colocado o pai com um filho num voo, mas havia colocado a mãe e o filho, que deveriam ir juntos no outro avião, em voos separados. O filho, pasmem, tem apenas 4 anos de idade. Isso mesmo, o funcionário colocou a mãe num voo, e o filho de 4 anos em outro, sozinho. Após muita briga e uma longa espera no aeroporto, foram colocados num voo com 2 conexões para o Brasil.

As outras famílias também enfrentaram problemas do mesmo tipo. Um casal recebeu os dois cartões de embarque grampeados, para um voo às 23h. Chegaram ao aeroporto às 19h, e, ao separarem os cartões, perceberam que o voo do cartão de baixo era, na verdade, às 20:30! O funcionário havia colocado esse casal, também, em voos separados, sem informar a eles que o fizera. Passageiros que compraram passagens na executiva tiveram que se resignar a pegar voos em econômica, e ainda por cima com 2 ou 3 conexões, para conseguir voltar.

Uma das famílias pegaria um voo com conexão em Santiago. Quando chegaram à cidade, descobriram que seu voo para São Paulo não havia sido reservado. Não havia lugar para eles no avião. Tiveram que pegar um voo para Buenos Aires, de lá para Porto Alegre, e finalmente outro voo para São Paulo. American patrocina sua volta ao continente se você der sorte!

Bem, com tantos exemplos de trapalhadas e atendimentos mal feitos, atingindo várias pessoas diferentes, de várias formas diferentes, podemos, enfim, dizer que temos uma amostra significativa de passageiros que comeram o pão que o diabo amassou com a American. Por isso, recomendamos que, em sua próxima viagem aos EUA, pense muito antes de comprar uma passagem com a empresa. Ousamos até sugerir que troque de companhia, se estiver planejando viajar num período de grande demanda. Depois de ler essas histórias, fica difícil defender a empresa ou discordar daqueles que reclamam.

14 comentários:

  1. Poxa...fiquei ainda mais preocupada... Comprei minha passagem para EUA pela AA na promoção, mas so depois fui procurar informações sobre a companhia e, apesar de terem falado mal, n sabia q estava tao mal assim. Fiquei tao preocupada q ja liguei pra AA pra saber se meus assentos estao marcados e eles confirmaram, mas isto tbm n eh nenhuma garantia de q n vai haver overbooking. So nos resta torcer... A proposito, tenho uma duvida (so vcs mesmos pra me salvar rsrsrs): tanto no voo da ida qnt no da volta, antes de chegarmos em orlando, faremos conexao em miami, vcs sabem dizer se sera necessario pegar a bagagem ou eh a propria AA q se encarrega disso?! Na ida ficaremos umas 4hs na conexao em miami (tempo suficiente pra pegar a bagagem), mas na volta a conexao eh de apenas 1 h (n sei se dara tempo de pegar as malas e despacha-las novamente). To morrendo de medo, pois n quero perder o voo e ser direcionada aos "maravilhosos hoteis" conveniados a AA. Abs, Erika

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  2. Se você está decidida a ir de American mesmo, aí sim vai precisar marcar sua passagem um dia antes da saída do cruzeiro. O risco é MUITO grande, principalmente em voos com conexão. Esses costumam dar mais problemas porque, se o primeiro voo atrasar, você não chega a tempo de pegar o segundo. Quatro horas é suficiente (desde que a empresa não atrase muito), mas 1 hora com certeza não é. Remarque esse voo para dar um intervalo maior, ainda mais na volta, que o voo é internacional e tem poucas saídas diárias.

    Qualquer multa que você tenha que pagar para fazer essa mudança vai valer a pena. É melhor do que chegar atrasada e perder um cruzeiro em que você gastou muito dinheiro.

    Se você tiver o número localizador da sua passagem, entre no site da American com frequência até a data da viagem, para certificar-se de que eles não mudaram seu voo sem seu conhecimento. Já deixe seus assentos marcados e verifique-os também com frequência. No dia da viagem, chegue ao aeroporto com 4h de antecedência, e não entre para o embarque sem que a empresa tenha emitido seus cartões no balcão do check-in, em hipótese alguma.

    Quanto à bagagem, é necessário retirá-las na conexão da ida, em Miami. Isso porque nos EUA é obrigatório fazer alfândega no primeiro aeroporto em que você chega. O processo é bem simples e rápido, e você devolve as malas num lugar de fácil acesso e bem sinalizado. Na volta, não precisa retirar a bagagem, mas 1 hora de conexão não é suficiente.

    Uma alternativa que uma família amiga nossa encontrou para evitar longas esperas no aeroporto de Miami: pegar avião só até Miami, ao invés de Orlando. Chegando à cidade, alugaram um carro e dirigiram até Orlando. O trajeto demora cerca de 3 a 4 horas, que é praticamente o mesmo tempo que você levaria esperando sua conexão e voando para Orlando. A estrada para Port Canaveral, saindo de Miami, é outra, mas o tempo do trajeto deve ser bem semelhante. E nesse caso você não fica dependendo tanto da pontualidade da American para chegar ao seu destino final.

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  3. Mais uma vez obrigada pelas dicas!!! Mas deixa eu te contar... realmente ja compramos as passagens pela AA, mas chegaremos em Orlando e la ficaremos 12 dias antes de ir pro Cruzeiro, ou seja, seguindo a sua dica, decidimos que iremos pra Port Canaveral de carro, o mesmo q alugaremos para passar os dias em Orlando e ja reservei tbm a volta, td pela Hertz! Na volta do cruzeiro é que iremos direto para o aeroporto, pois nosso voo sai as 18:30h. To pensando em sair de Port Canaveral la pras 12h, acha q da tempo suficiente? A q hs devo começar o meu check out no navio? Abs, Erika

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  4. Erika,

    A saída do navio é feita imediatamente após o café-da-manhã. O primeiro grupo sai primeiro, e o segundo sai logo na sequência. Você desce para o café já de mala e cuia, portanto deve sair do navio por volta das 9 horas. Até você sair (a fila é grande e meio bagunçada), pegar a bagagem, passar pela imigração, pegar o shuttle da locadora e retirar seu carro, já serão umas 11 da manhã.

    O caminho até o aeroporto de Orlando leva cerca de 1 hora. É mais perto ir para o aeroporto do que ir para a Disney, por exemplo. Conforme nossas dicas, se seu voo é às 18:30 você deve chegar ao aeroporto até as 14:30, para evitar ficar de fora do voo caso a empresa tenha feito overbooking. Portanto, o ideal é ir o quanto antes para o aeroporto, fazer o check-in e ficar por lá mesmo, comendo alguma coisa e dando uma sapeada nas lojas para matar o tempo.

    Mais uma dica: na volta, não use a opção de combustível da locadora. Pode chegar a dobrar o preço do seu aluguel. Como você vai fazer um trajeto muito curto, vale mais a pena dar uma paradinha num posto perto do aeroporto e encher o tanque antes de devolver o carro. Você não vai gastar mais do que 10, 12 dólares de combustível.

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  5. É... depois de contar o nosso drama da AA para as Bahamas, muita gente repete a mesma frase para mim (seja em inglês ou em português): American Airlines nunca mais... Por isso, pensem bem antes de viajar pela AA, pois pode parecer sedutor à primeira vista e podemos pensar (foi o que pensei após já ter comprado as passagens e ter ouvido falar sobre como essa emrpesa é ruim): "Tudo bem, se acontecer algo, depois a gente dá um jeito..." Mas, principalmente, se for viajar com crianças, não se arrisque. Não vale a pena. Depois só resta acionar os advogados...

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  6. Oi pessoal, eu fugi a regra. Minha primeira viagem aos EUA foi com a AA e excelente. Não tenho reclamações, e fui em janeiro que é alta temporada. Estou indo novamente em outubro pela mesma AA e espero não ter problemas!!! Orem por mim, rsrs
    Abs

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  7. Olá. Infelizmente concordo com todas as reclamações referentes a AA. Ela é desorganizada, mal educada e outras coisas. De Orlando p/ Miami, a conecção da própria AA atrasou, resultado perdemos o voo p/ Brasil. A confusão foi tão grande, q/ o voo retornou p/ nos pegar, eles alegaram defeito por isso conseguimos embarcar. Fomos muito mal tratados pela AA. Quando perguntávamos da bagagem, eles falavem q/ no Brasil iriamos descobrir. Nunca mais viajo pela AA. Na outra viagem fui pela Copa, foi ótima. Peguei um over maravilhoso, ficamos num hotel 5 star. Maravilhoso... ABS

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  8. Olá pessoal. Acabei de chegar da Disney e vamos voltar ano que vem para fazer o cruzeiro, vcs acham que é preciso fazer os parques novamento ou só o cruzeiro é suficiente para alegrar a criançada. O blog é maravilhoso...

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  9. O cruzeiro é maravilhoso, mas é totalmente diferente dos parques, então se der pra ir em pelo menos uns dois seria bem mais legal!!

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  10. Todo ano viajo para os EUA, Orlando e Miami, as vezes direto, as vezes com conexão em Miami, sempre de AA, gente...to estranhando muito esses comentários, eu NUNCA tive problemas com eles, muito pelo contrário! Tô até com medo agora porque estou inso de novo amanhã e fiquei insegura..rs

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  11. Se você reparar, nosso post foi escrito pouco antes do pedido de concordata da American. Não nos surpreendemos em nada quando a empresa anunciou seu plano de reestruturação.

    Esperamos sinceramente que a American se recupere, pois, em se tratando de cias aéreas, quanto maior a concorrência, melhor para nós, passageiros. Mas, enquanto isso não acontece, nossa opção é não voar de American, e recomendamos o mesmo a todos que conhecemos.

    Se, ao voltar de sua viagem, puder passar por aqui para deixar seu comentário sobre a empresa, agradeceremos muito!

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  12. bru.bertolli@hotmail.com03 março, 2012

    colocaram meu primo de 6 anos na poltrona 10 meu tio na 16 minha tia na 28 e minha prima de 4 na 42 e nenhum passageiro quis trocar e os comissários falaram que não poderiam fazer nada e que teriam de sentar onde a aa os designou e falaram que se não resolvessem sentar iriam retirar eles do avião por que estavam perdendo a permissão de decolar e que só poderiam decolar 12 horas depois ai algumas pessoas começaram a gritar que no dia seguinte teriam que trabalhar e quando finalmente pudemos decolar o avião inteiro vaiou!

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    1. Infelizmente esse tipo de coisa a American faz. Fizeram o mesmo com uma família amiga, colocaram as crianças de 3, 5 e 7 anos todas espalhadas pelo avião, separadas dos pais. A sorte foi que, na hora, encontraram passageiros que concordaram em trocar de lugar. Se eles são capazes de colocar mãe e filho em AVIÕES diferentes, que dirá em assentos!

      Por isso que, ao viajar de American, é preciso tomar todas as precauções: marcar assentos com a máxima antecedência, checar constantemente o site para ver se não trocaram seu voo ou seus assentos, e chegar ao aeroporto com 4 horas de antecedência.

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