ALGUNS DIAS EM NOVA YORK SEM MUITO DINHEIRO PRA GASTAR - O QUE APRENDEMOS

Nossa viagem foi assim:
Época: julho 2018****
Hotel: Candlewood Suites Times Square****

Uma das regras de ouro que sempre usamos para planejar nossas viagens é: veja primeiro quanto tem para gastar, depois escolha um destino que caiba nesse orçamento para não passar aperto. Mas nem sempre é possível seguir essa regra à risca.

Nas férias de julho de 2018, por exemplo, tínhamos compromissos acadêmicos em Long Island, pertinho de NYC. Então, é claro, aproveitamos o custo da passagem para passar uns dias na cidade e visitar lugares diferentes que não conhecíamos antes! Mas com o dólar a quase R$4,00 e a crise brasileira que não passa de jeito nenhum, dessa vez não tivemos opção: tivemos que fazer Nova York caber no bolso.

Eis algumas coisas que aprendemos com a experiência:

1. Pesquise, pesquise, pesquise

Nos EUA, especialmente no verão, tem muitas coisas bem legais que dá pra fazer totalmente de graça! Mas não é algo assim que você vai chegando e fazendo. Algumas requerem que você se inteire dos calendários de eventos com algumas semanas de antecedência, algumas requerem sorteio ou retirada de ingressos antecipados, outras que você simplesmente esteja no lugar certo, na hora certa. Para todas, é preciso pesquisar bastante e escolher os programas que interessam durante sua estadia. Caso contrário, corre o risco de chegar naquele parque super agitado e cheio de atividades num dia em que não tem nada acontecendo!

Quarteto de jazz nas quintas de verão da Union Square. Mas só às quintas!

Às segundas no Bryant Park tem filme ao ar livre, barracas de comida,
e, se você der sorte, até picolé grátis e sorteio para jogo de baseball.
Mas traga sua canga e chegue cedo pra não ficar sem lugar!

2. Viajar sem dinheiro é possível, mas é muito mais cansativo!

Não tem aquela história: "começou a chover, vamos entrar num táxi e voltar para o hotel ao invés de pegar o metrô"; ou então "vamos aproveitar o almoço para sentar num lugar gostoso, com ar condicionado, e descansar os pés"; ou ainda escolher a localização do hotel de acordo com os lugares que você quer visitar.
Com o dólar a quase 4 reais, entrar num táxi no fim do dia pra poupar
uma caminhada pode sair de R$60 a R$100!

Para viajar sem dinheiro é preciso escolher a opção de hospedagem mais barata e que vai impactar menos nos custos de transporte (i.e., perto do metrô); é preciso economizar na comida de todo dia (segundo nosso filho, "pegue uma comida em algum lugar e vá se sentar num lugar bem desconfortável para comer") para poder ir a uns dois ou três restaurantes preferidos e gastar um pouco mais nesses dias especiais; é preciso caminhar, caminhar, caminhar, e dar preferência ao transporte coletivo.


Food trucks são uma opção relativamente econômica (o almoço que você está vendo custou U$26).
Mas você vai ter que se sentar num lugar desconfortável, ou comer andando como os novaiorquinos.

Afinal, qualquer corrida de táxi pode significar R$60,00 a mais de despesa, um hotel mais bem localizado pode custar R$300,00 a mais por dia, e almoçar e jantar em restaurante "full service" pode custar R$80,00 por pessoa, por refeição! No total, usando essas estratégias, economizamos algo em torno de R$600,00 por dia. Mas o saldo da viagem foi: muito mais cansaço, um certo stress por ter que pensar em despesas o tempo todo (rsrs), e um grande aprendizado!

3. Aproveite os cupons de desconto.

Quase todas as atrações que não são as mais concorridas têm cupons de desconto online para você usar na compra. Utilizamos cupons ou especiais (por exemplo, visitar com data ou hora marcada) para ver Blue Man Group, para subir no One World, para comprar ingressos para o Luna Park, para comprar passagens de trem, para comer no restaurante preferido... Mais uma vez, para aproveitar essas vantagens é preciso um certo planejamento, comprar ingressos com antecedência, etc, mas a economia certamente vale a pena! Dica: sempre faça a busca "nome do lugar+discount coupons", e encontrará os códigos de descontos.
One World: vista privilegiada mais em conta com cupom de desconto.

4. Nova York agora tem opções mais baratas (e limpas - yey!) de hospedagem.

Há até poucos anos, se você quisesse se hospedar em Nova York por menos de U$250,00 por dia, precisaria aguentar staff mal humorado, quartos nem sempre muito limpos, ser colocado num quarto horrível que não foi o que você reservou, carregadores de malas estendendo a mão ostensivamente para arrancar gorjeta de você... Agora a cidade está recebendo um boom de hotéis mais em conta, alguns até com cozinha e lavanderia, onde você pode se hospedar confortavelmente, num quarto limpo, com serviço honesto e sem rombo na conta bancária. Mesmo assim não é super baratinho, mas há poucos anos era impensável um hotel novaiorquino custando cerca de U$150 que não fosse uma verdadeira espelunca. Agora, dependendo da época e da antecedência com que você fizer a reserva, é perfeitamente possível encontrar diárias nessa faixa de preço.

5. Transporte público também é passeio!

Em Nova York, em especial, e na maioria das grandes e famosas cidades do mundo, é possível usar os meios de transportes mundanos de todo dia e fazer um verdadeiro passeio turístico, geralmente por menos de U$5,00. Alguns exemplos:

Roosevelt Island Tram: um teleférico muito legal que leva até a Roosevelt Island, onde você pode fazer um passeio a pé. E o melhor: pode usar seu Metrocard e até 3 crianças com até 1,10m andam de graça acompanhados de um adulto.
Roosevelt Island Tram

Ferry de NYC: sobe e desce o East River com vista do Empire State, ONU, Chrysler Building, One World e passa por baixo da famosa ponte do Brooklyn.



Ferry de NYC - Long Island

Staten Island Ferry (para ver Lady Liberty).

Do ferry de Staten Island você pode ver a Estátua da Liberdade e o skyline do sul de Manhattan.




E o metrô, linhas Q, B e N (lindas vistas da ponte do Brooklyn - mas praticamente impossível de fotografar!).
Vista da Ponte do Brooklyn de dentro do metrô.
6. Não ande de Citibike.

Pensamos seriamente na possibilidade de trocar o metrô pela bicicleta, mas chegamos à conclusão de que não vale a pena. Além de ser muito mais caro (U$3 por viagem de até 30 minutos, enquanto o metrô custa U$2,75 e te leva muito mais longe), é praticamente impossível conseguir uma bicicleta nos horários de pico. Quando você chega à estação não há mais nenhuma disponível, e quando você tenta estacionar a sua na chegada, muitas vezes não encontra mais lugares para colocá-la. Afinal, todo mundo quer ir para os mesmos lugares nos mesmos horários...

Citibike: só por diversão. Não serve para economizar e muitas vezes faltam bicicletas.

7. Conhecer os parques e marcos arquitetônicos de Nova York não custa nada!

O resultado é uma viagem diferente, é claro, mas também tão rica quanto aquela em que você assiste os melhores shows da Broadway e come nos restaurantes estrelados.

O Central Park, por exemplo, sozinho daria pra fazer uns 3 passeios diferentes durante sua viagem! Tem clube de xadrez, parque de diversões (que vira pista de patinação no gelo no inverno), paisagens icônicas como Bethesda Fountain e o mosaico Imagine, lugares pra andar de bicicleta, shows de música, e até festival de peças do Shakespeare (grátis!) no verão.
Central Park é visita obrigatória em NY - e é grátis!
No Central Park tem até uma sala onde você pode pegar jogos de tabuleiro e xadrez emprestados.
Funciona o ano todo!

Outros parques menores e muito diferentes, coisa de NY mesmo, são o Highline (construído em cima do viaduto de uma antiga linha férrea), o Battery Park (na pontinha sul de Manhattan, dá pra avistar a Estátua da Liberdade ao longe), o Hudson River Park (onde você pode ver navios atracados e visitar o Intrepid Museum, que fica ali pertinho).

High Line no fim do dia é um passeio delicioso!

Ande o trecho que as crianças aguentarem. Tem muitos lugares pra sentar e descansar no caminho.

Nossa mais recente descoberta é o Gantry Plaza State Park. Fica do outro lado do rio, em Long Island, mas é só uma parada de metrô a mais, e muitas horas de diversão e a vista mais linda de Manhattan! Nossa dica: chegue de metrô, através da estação Vernon Blvd. Na hora de ir embora, pegue o NY Ferry que sai da extremidade norte do parque, pertinho do letreiro gigante da Pepsi Cola e vá para Wall Street, assim você passará por baixo da ponte do Brooklyn.
Gantry Plaza Park: desconhecido e imperdível!

Só os moradores da vizinhança frequentam esse parque maravilhoso, com a melhor vista do skyline de Manhattan.

E por falar nela, atravessar a ponte do Brooklyn a pé é um verdadeiro acontecimento! Caminhando devagar, mesmo com crianças dá pra fazer o programa e demora cerca de uma hora. A extensão total da ponte é de pouco menos de 2 km. Apenas tome cuidado com as bicicletas que passam a toda velocidade. Os pedestres devem permanecer na sua faixa. Nossa dica: atravesse a ponte vindo do Brooklyn para Manhattan, e não o contrário. Assim, poderá ver o skyline, o One World e Manhattan na sua chegada. Dependendo do ponto de Manhattan de onde você estiver vindo, desça na estação Court St, Borough Hall ou Jay Street, e caminhe até a Adam Street. O início da sua caminhada será exatamente na continuação dessa rua. Pegue a "pista" do meio, que é onde passam as bicicletas e pedestres. As demais são exclusivas para carros e não é possível andar nelas.

Atravessar a Ponte do Brooklyn a pé é fácil, mas cansa!
Subir nos prédios icônicos de Nova York não é exatamente barato, mas se você comprar o ingresso com antecedência pode economizar um pouco, e é, na nossa opinião, um must-see. Se é sua primeira vez em NY, não importa o que te digam, o lugar para subir é o Empire State Building. Se já conhece o Empire State, pode escolher entre o Rockefeller Center e o One World. Entre as três vistas, a nossa preferida agora é, sem dúvida, o One World, atualmente o prédio mais alto do hemisfério ocidental. Qualquer um dos três lugares pode ser visto de fora e rende lindas fotos sem precisar pagar nada!

Empire State rende lindas fotos de muitos pontos de Manhattan.
O One World é outro prédio que se pode avistar de vários lugares.

Tem muitos outros marcos arquitetônicos gratuitos, como a Grand Central Station (na rua 42), a Oculus Station (perto do WTC, que na verdade é um shopping de propriedade da Westfield), a Biblioteca Pública juntinho do Bryant Park, a Wall Street, a Quinta Avenida com a catedral e suas lojas luxuosas, e, é claro, a Times Square! Tudo isso é de graça e é a essência de Nova York, mas você vai precisar andar bastante. Prepare o tênis!

Times Square
Grand Central
Oculus Station
Quinta avenida: olhar não paga!
Links para os lugares mencionados:
https://www.unionsquarenyc.org/
http://bryantpark.org/
http://www.centralparknyc.org/events/
https://www.timeout.com/newyork/restaurants/the-best-food-trucks-in-nyc
https://oneworldobservatory.com/en-US
https://rioc.ny.gov/302/Tram
https://www.ferry.nyc/routes-and-schedules/
https://www.siferry.com/
https://www.citibikenyc.com/
http://www.thehighline.org/
https://parks.ny.gov/parks/149/details.aspx
http://www.esbnyc.com/pt
https://www.westfield.com/westfieldworldtradecenter

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